Sou educadora e escritora

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sábado, 17 de fevereiro de 2018

DESCONHECER-SE


Por Elany Morais
Do fundo do inconsciente,
a ignorância destrói.
A ignorância destrói nossos laços,
nossas camas,
nossos pertences...
A ignorância destrói.
E quem a encontra?
Quem se importa com ela?
Nunca a vi florir, nem é enjoativa.
Perde-se tantas coisas: do fundo do
inconsciente, a ignorância destrói.
E ainda há quem diz: o perdido não é meu!!!
A ignorância destrói como um abcesso maduro.
Entre a ignorância e a desturição não há
intervalo de tempo nem de espaço
as coisa são pesáveis e sem nomes.
A confusão de si afoga a estrela vital.
Ignorar a si mesmo é viajar sem mapa,
é cantar sem saber a melodia,
é sucumbir num jogo escravista e debilitante,
é viver de mãos dadas com o inimigo,
é vingar-se de si próprio.

sábado, 17 de setembro de 2016

ONDE ESTÁ A TRANQUILIDADE


Por Elany Morais
Que mundo nos dá tranquilidade? Lá fora tudo é atribulado, convulso e desgovernado. E nos lares? A família foi dissolvida, virou papel picado. Onde se pode sonhar? Existem passeios públicos, por aonde, com segurança , se possa passear? Será que ainda posso fazer minhas preces? Quase tudo já se foi pelos ares. Para aonde foram os lagos serenos e os pássaros a cantar? Qual o destino das árvores frondosas, onde a solidão, ali, podia descansar? Só vejo a profusão dos enlatados. Enlata-se tudo: comidas, plantas... Não há mais espaços para a ponderação, reflexão... Há que se descobrir no meio do caos um novo santuário. Infelizmente, não há mais tempo nem luar para se calcular. E como não se desesperar? Não se pode mais introspectar. Como se segredar? Ninguém pode mais ser na paz e na calmaria. Houve uma explosão da zona se sossego. Já não posso me examinar. Minha fisionomia se confunde. As glórias tornaram-se rápidas, fúteis e vãs. É a nossa degradação física e anímica? Esse filme que passa, por meus olhos, causa-me desgosto e desprezo. É sempre uma lição de decadência presente e a incerteza de um tempo vindouro, porque ainda não existe nenhum método eficaz de combate às feras - que a si próprios se devoram.
Minhas indagações não se dão por medo, mas por desgosto. Um desgosto de forma grande. Eu até me esforço para aceitar o que não entendo, ou tudo o que se inventa. Daí, vou ficando egoísta, mais amargurada do que amedrontada com o que fazemos de nós.

Todos os direitos reservados a Elany Morais

sábado, 21 de novembro de 2015

ALGOZ DE SI MESMO


ALGOZ DE SI MESMO
Por Elany Morais

É de osso, não é de ferro,
Embora o silêncio oculte o berro!
O que se bebe? É água doce,
Mas o rio não se alarga,
Porque o homem na alma trouxe
A ambição, que é amarga!
Há tantos carnavais!
Poucas roupas nos varais

E em cada peito muitos ais!

Todos os direitos reservados a Elany Morais

sábado, 7 de junho de 2014

O TÔNICO DO RANCOR

O TÔNICO DO RANCOR
Elany Morais

O rancor é o poço fundo sem formas alvíssimas;
Que leva a vingança sem pensamentos absortos,
Alimenta as trevas com mágoas profundíssimas...
E festeja, a verter o vermelho aquoso dos mortos.

É um sentimento cortante de cunhos misteriosos,
Nas entranhas pululam como se fosse um tropel,
Tornando as belezas em dias escuros e fadigosos,
Destruindo os dias vitais como se fosse um papel.

O rancor é como uma horrível e escura caverna
Que quando mais se caminha mais temor se tem,
Sem momentos de tréguas ou compaixão terna.

Mas se alguém se atreve a trata-lo com desdém,
O rancor como maledicência o peito tende a abrir,
A deixar o espírito sem felicidade e paz conseguir.

Caxias -MA, 07 de junho de 2014.
Todos os direitos reservados a Elany Morais

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

UM EM TRÊS

Sempre existe aquele momento em que me descubro,em que me acho. É sempre o mesmo espanto,a mesma surpresa,o mesmo medo.Quero correr,quero voar,mas eu me pego,eu corro atrás de mim mesma.O meu EU não me basta,eu quero o OUTRO,eu invento OUTRO.Eu não quero só a mim e o OUTRTO,eu quero também o que existe entre Mim e o OUTRO.
 Eu quero fervorosamente amar a mim e o OUTRO,sem odiar,sem esperar,sem vazio,sem desesperança.Mesmo que a ausência do outro me destrua,quero amá-lo sem odiar,sem o fogo que dostrói.Com o outro eu sinto tudo,eu sou tudo,sem ele,eu me perco,fico no vácuo.Fico mais completa quando estou comigo,com o outro e o que existe entre mim e o outro.Isso pode ser uma loucura. É uma loucura,mas uma loucura mansa.É mansa porque minha felicidade e grandeza serão quando os três corações pulsarem de uma só vez dentro de mim.Eternamente,serei uma em três,eternamente apaixonada e presa em três,assim,eu fico plena,lúcida,viva,casta,doce,entendida,habituada,possível,palpável,visível,tangível,em pé,firme.Minha feiúra se evaporará,minha solidão não mais me encançará,eu irei longe,sobre pedras,sobre vales,sobre ares.Tudo o que for cruel se dissipará,assim,se eu amar a mim e o OUTRO sem odiar.

Elany Morais
 



       ANÁLISE LITERÁRIA POR NÉA TAUIL



       

 

"Um em Três" mostra que por um lado existe o amor, a paixão amorosa,  desejo ardente,a preservação da própria vida, a garantia da preservação da espécie através do sexo, do erotismo" o meu EU não me basta, eu quero o OUTRO..."; por outro lado, mostra que também existe o ódio, a (auto)destruição, a morte como o fim de tudo, então " quero  fervorosamente amar a mim e o OUTRO, sem odiar, sem esperar, sem vazio, sem desesperança".
É possível amar a mim e o OUTRO sem odiar?
Na melhor das hipóteses, podemos dizer que amor/ódio são duas polaridades distintas que estão em atividade dentro de cada um de nós,movimentando a vida até a morte. Um em Três também marca bem o desejo de não ficar preso à identificação apenas com o "EU", com a perspectiva limitada do nosso eu individual "eu não quero só a mim e o OUTRO, eu quero também o que existe entre Mim e o Outro". Isso  significa abrirmo-nos para fundir com o "Nós". O " Nós" que envolve uma diversidade de ligações entre pessoas e com tudo o que existe.
 
Néa Tauil

 
Todos os direitos reservados a Elany e Néa Tauil