Sou educadora e escritora

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sábado, 27 de abril de 2019

O MAL NA HUMANIDADE


Por Elany Morais
Na humanidade, há vaidade.
Vaidade de ser maior.
Mas paga o preço de ser menor.
Onde está o amor desinteressado?
Na pobreza do entendimento,
como fera no abatimento, os humanos
navegam em oceanos de sangue.
Quem quer entender o próprio coração?
Em todo canto há um silêncio de perda.
É tanto desamor!
Não há palavras para
tal horror!
Em almas devastadas, o que se ouve
é gritos de dor!

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sábado, 2 de fevereiro de 2019

SOLIDÃO


Por Elany Morais 

A sorte me foi dada de ser somente
eu e eu, sem aborrecimentos! 

Não é um fingimento de plano alto,
Nem grandeza de alma!
É a sorte de abrir-se para si!
Sorte desse tipo é silêncio profundo,
Não existe espaço de dimensões menores,
O mundo cabe em qualquer sonho.

Invocaram-me para a solidão!
Como posso ser daqui se estou sempre
de partida?
Todas as manhãs deixo os olhos correrem
nos caminhos desertos, estreitos...
Não chamo por toda gente... Não tenho voz!
Mas.. Solidão nem é um bicho atroz, feroz...
É um mundo como a lua, desabitado!
É canção sem palavras.

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quarta-feira, 4 de julho de 2018

MULHERES

Por Elany Morais
Hoje, elas são como flores novas no jardim.
Estão dentro de todas as coisas!
O silêncio do mundo quebrou-se
Diante delas!

Agora, Ela pode!!

Ela pode estar cansada, na noite fechada,
Mas ainda pode!
Com perna gorda ou perna magra,
Com pele branca ou pele queimada,
Com face lisa ou face enrugada,
Ela ainda pode!
Agora, não é mais só querer “aquela mulher
Que passa!”
Porque, hoje, Ela grita, teima, sonha
Corre e sua!
Fica onde quer, seja em casa, no ar, na água
Na praça ou na rua!

Ainda existe aquela mulher que apenas
Passa?

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sábado, 13 de agosto de 2016

INCONFESSO DESEJO


Por Elany Morais 

Há  desejos que se acovardam. Calam-se. Amedrontam-se diante de qualquer ponte levadiça. Existem espaços que são odiosos para seu desabrochar. Onde a malícia veste, sem pudor, os atos mais inofensivos. E como ganham vulto os desejos irrealizados! Tornam-se nossos criminosos. Perturbam a gente, sem cessar. Tudo fica nevoento aos nossos olhos. É o que sempre nos acompanha. É uma rede infinita. Não há essa de se desviar daqui ou dali...
Desejos calados são choques que nos atordoam. Quando mudos, são hostis. Nem é preciso realizações elásticas, mas é necessário respeito ao seu ato de ser. E os desejos que tentam se economizar? Eles não existem para isso ou para aquilo... Se assim for, a pessoa andará sempre com aquela cara de ferrugem. A covardia habitual deles é uma sentença condenatória.
Nenhum desejo é ignorante, incapaz de conversa ou defesa. Então, por que se acovardar? Por que emudecer? Esgoelar-se é desnecessário, mas calar a voz é um tiro no pé. É desgosto na alma pregado a martelo.

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sexta-feira, 1 de julho de 2016

ELA


Todos os dias, em público, um falso sorriso de serenidade. Era um número repetido. Nunca era um viver de gente de verdade. Talvez faltava a si ou mais uma gente dentro dela mesma. Parecia que alguns de seus pedaços voavam pelos ares. Nas suas desorganizações, o mundo não era inocente. Uma monstruosa cachoeira de desgostos jorrava no seu interior. Tudo se mostrava uma vida perdida. Possibilidades de consolo vagamente se apresentavam.
Qualquer música distante era um retorno ao passado cru. O tempo não tinha limites. Não respeitava as condições de uma vida que seguia marchando a passos lentos, curtos, presos, tímidos, inseguros... Nenhuma luz dentro de si era duradoura. Era uma caverna escura... Por isso, rir toda já não era mais possível. Como rir dançando dentro do redemoinho de sofrimento? Assim, ela só era dentro. Fora era cena. Até mesmo respirar um ar fino era jogo de aparências. Agora só existia distraída, reprimida... Talvez sua agonia vinha a conta-gota. Mas seu infortúnio não vadiava.
Seus gestos eram de muito cuidado, porém, de pouca alegria. Jamais esbravejava. Parecia nunca ir a parte alguma. Não havia espanto nem esbarro. Era de poucas ou tristes palavras. Sem tranquilidade, era serena. Com dor sempre em aberto. E, assim, era o que sempre não foi, mas resistia calada. Calada...
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sábado, 21 de novembro de 2015

ALGOZ DE SI MESMO


ALGOZ DE SI MESMO
Por Elany Morais

É de osso, não é de ferro,
Embora o silêncio oculte o berro!
O que se bebe? É água doce,
Mas o rio não se alarga,
Porque o homem na alma trouxe
A ambição, que é amarga!
Há tantos carnavais!
Poucas roupas nos varais

E em cada peito muitos ais!

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sábado, 19 de setembro de 2015

VIOLÊNCIA NA VILA

VIOLÊNCIA NA VILA
Elany Morais

Havia vidas, na vila,
regadas ao som de violão,
mas houve vozes vorazes
e vida levada por um vilão.

Houve silêncio, na vila,
na falta da vida dela,
chorou convulso o violão,
na vila que era bela.

Houve dúvidas, na vila,
quando só vozes vinham do vento,
o violão não mais valsava
nem chorava o seu lamento.

Caxias- MA, 19 de setembro de 2015.

domingo, 26 de julho de 2015

PENSAMENTOS VICIOSOS

PENSAMENTOS VICIOSOS
Elany Morais

Tenho uma incompetência absurda para os mistérios e incertezas da vida. Minha crença é única, fechada, talvez trágica, ou mesmo desesperançosa. Assalta-me a ideia de que partirei a qualquer momento, sem sequer arrumar as malas. Isso deve ser minha capacidade de viver no vácuo. Nesses instantes, tento engolir o medo. Lanço mão de tintas e pincel, na tentativa de colorir a vida com outras matizes.

Dou vazão ao projeto de por os pés em solo firme, mas logo a razão me grita em alto som de que a realidade não condiz com o que penso ou imagino.  Confesso que - se eu pudesse- decretaria vida eterna para mim, mesmo que fosse para  apenas para sentir o entardecer e suas nuances ou para me deleitar com as sonoridades amenas dos pássaros, elas me consolam.

Às vezes, sinto a vida como uma casa fechada, sem janelas nem saídas. Tento, nela, equilibrar-me. Mas tudo é em vão. Quando penso que estou a me construir em silêncio, o meu pensar vicioso e rebelde joga-me  na desorganização. Outras vezes, convenço-me a me reordenar. Persuado-me de que estou apenas a atravessar um ciclo...

 Muitas vezes, as circunstâncias me propiciam coragem para desafiar a realidade imutável, rebelo-me contra o impossível, mas a vida dessa coragem é breve, porque minha esperança é mortal e a fé totalmente abalável. Por mais que meu coração reclame repouso, não dou trégua para ele. É o pensamento vicioso. Ora, resigno-me com o impossível, com o imutável, por não ter nenhuma resposta para minhas indagações, restando, apenas como remédio, a cação do momento.

E assim, fico a me consumir nos dias, nas horas... A perceber que, além de tudo isso, o tempo não é nem um pouco generoso. Então, prostro-me a la Raul Seixas: " sentada no apartamento, esperando a morte chegar."


Caxias - MA, 26 de julho de 2015.

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sábado, 18 de julho de 2015

TEU OLHAR

TEU OLHAR
Elany Morais

Teu olhar quase céu, quase mar...
É assim: azul, calmo, sereno, como
água ao sol, sem os espinhos do 
destino que os levam, por fim, o rio
a secar!!

De que são feitos esses olhos?
Serão de nuvens aniladas?
Ou de mares dispersos, sem ordem,
sem tempo, ou hora de chegada?
Teu olhar em mim é veludo!
Aquieta-me em silêncio, como
folhagem exposta ao sol, mas
revira-me toda, como pássaros
livres, em pleno arrebol!

Caxias- Ma, 18 de julho de 2015.

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quinta-feira, 21 de maio de 2015

CHUVA MANSA

CHUVA MANSA
Elany Morais

Queria eu uma chuva mansa
Para lavar este momento
Que traz tantas lembranças
De um cruel isolamento.

Se ela viesse agora em silêncio
Nesse meu sentir sem claridade,
Não precisaria mais de lenço
Para limpar as manchas da saudade!

Quando ela chega tão mansa
Com toda serenidade,
Minha alma só descansa
De tanta infelicidade!

Caxias - MA, 20 de maio de 2015


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sábado, 28 de março de 2015

INSÔNIA

INSÔNIA
Elany Morais

 Quando se descobre o prazer de se estar sozinho, um padecer a menos. Mágicas acontecem. Nas últimas horas mortas da noite, meus olhos teimam em querer ver o nada. É nesse momento, que me ponho a arrastar os pés sobre o frio do chão. Se eu tivesse coragem de tomar um café, ele me cairia bem. Ouvidos esticados e atentos, mas só ouço o sibilar tímido do vento sobre as folhas de minha mangueira. Meus pensamentos todos sozinhos na imensidão do silêncio. Nada frustra meu nada. Sou eu num vazio desejado. Nem mesmo aquelas mensagens que me chegam, no celular, como se eu fosse a destinatária, interrompem meu sossego noturno.

Refestelada em minha poltrona, ponho-me a deliciar-me comigo mesma. Sou minha, o silêncio é meu. O poder de estar feliz é meu. Se outros olhos me vissem, nesse momento, julgaria-me uma anciã sem futuro, cansada, desejosa do sono eterno. Mas na verdade, eu estava ali apenas libertando-me do cárcere mundano.

De repente, percebo o dia mover-se devagarinho, a desvencilhar-se de suas cobertas, preparando-se para agir no mundo como  um moinho. Ouço um cantar duplo. Dois bem-ti-vis fazem o concerto matutino. Vou à janela, deparo-me com o sol a piscar um olho para mim, como se fosse cúmplice da minha insônia. Detenho-me ali por mais alguns instantes, a sentir o burburinho urbano crescer. O som dos pássaros é interrompido por uma batida um tanto superficial, era o marceneiro vizinho com suas armas de construção. Jogo os braços sobre a janela, com olhos fixos nas luzes da rua que ainda acesas estavam, eu percebia que era o fim do espetáculo delas, era hora de recolherem-se. As folhas de minha mangueira abriam-se vigorosamente, prontas para a batalha diária. Todos acordavam. As crianças pré-escolares choravam, possuídas pela preguiça matinal, penso que a leve frieza convidava os pequenos para o aconchego dos lençóis.


Enquanto o mundo despertava, eu precisava adormecer, mesmo que fosse por um instante só.

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sábado, 14 de fevereiro de 2015

PARTES

PARTES DE MIM
Elany Morais

Quem diria que uma
 parte de mim é furação
e a outra; calmaria??
Que minha alma repouse
em lugar certo, em plena
alvorada, porque
uma parte de mim é despedida
a outra; é chegada.
Que minha coragem
crie asas porque
uma parte de mim é medo,
a outra; desdém.
Que meu espírito
seja costurado com fios
firmes porque uma
uma parte de mim é dor,
a outra; também.
Que não haja hora para
o fim da festa porque
uma parte de mim é solidão,
a outra; multidão.
Que a fraqueza não pegue
pelos braços porque
uma parte de mim é distância,
a outra; é abraço.
Que meu equilíbrio
não role pelo ralo porque
uma parte de mim é o que falo
a outra; é o que calo.

Caxias - MA, 13 de fevereiro de 2015.

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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

LAGO VERDE

Lago Verde
Elany Morais

As águas atentas e silenciosas
Esperavam o baile das folhas
Que dançavam com lágrimas viçosas
Formando brilhantes bolhas.

Eram bolhas de todas as cores
Que aterrissavam no lago verde
Acompanhadas da visita das flores
Que estavam ali para matar a sede.

Esse espetáculo da Natureza
Era uma verdadeira festa
Composta de toda beleza
Sem o temor que traz a flecha!

Caxias - MA, 09 de dezembro de 2014.

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domingo, 7 de dezembro de 2014

FALTAM PALAVRAS A TI

FALTAM PALAVRAS EM TI
Elany Morais

Como faltam palavras em ti, querida!
Eu ainda não tinha percebido que
Tu eras silêncio frio, cortante...
Ah, como faltam palavras em ti!
Não ouves minha palavras clementes,
Vorazes, pedintes, agudas? ....
Eu, igual um mar bravio, chuvas torrenciais
Tu, mar morto, vento preguiçoso.
As bolhas bailam aqui!
Como faltam palavras em ti!
Vivemos os máximos dos dias no teu
Sono profundo, anestesiado...
Agora tudo me falta!

Caxias - MA, 07 de dezembro de 2014

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domingo, 2 de novembro de 2014

MANSO LAGO

 
MANSO LAGOElany Morais

De olhos fixos no manso lago,
Não sei quem por fim o tece,
Sem pensar que lá anoitece
Fiquei quieta com o olhar vago!

Imaginei um grande mago
Que do mundo nunca esquece
Quando a luz enfim desfalece,
Eu sentia o seu imenso afago!

Embevecida via raios dourados
Que refletia em ramos brocados
Com todo seu grande esplendor!

Chegando as tardes silenciosas,
A pensar nas noites voluptuosas
Em que eu deliraria só de amor.

Caxias - MA, 02 de novembro de 2014.

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

PESADELO

PESADELO
Elany Morais

Fitei-a com um riso franco,
Sem me comover com nada.
Meu coração estava vazio
E a minha boca calada! 

Chorei, apenas em silêncio
Por toda a madrugada
Mas não sei se dormindo,
Ou eu estava acordada!

Com o coração frio e sozinho
Numa tristeza sem tamanho,
Fui por um estreito caminho
Para um mundo vil e estranho!

Caxias - MA, 20 de outubro de 2014.

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terça-feira, 23 de setembro de 2014

RETORNO

RETORNO
Elany Morais

Queria nascer de volta
De volta para onde for,...
Seja para o silencioso ventre
Ou para onde só houvesse amor
Ou mesmo para qualquer lugar,
Onde ninguém jamais habitou!
Mas guardo a sete chaves
O sonho que ainda não regressou.

Queria nascer de volta
De volta para onde for!

Caxias - MA, 23 de setembro de 2014.

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domingo, 10 de agosto de 2014

DESENCONTRO

DESENCONTRO
Elany Morais

Tu podes dizer que tudo foi pouco,
Menos o silêncio, o frio dos lençóis
O deserto do quarto, as lágrimas...
E as despedidas despropositadas!
Houve muito mais que isso.
E as palavras gastas inutilmente?
O amor escapava dos nossos corações,
Olhares não eram sentidos.
Eu estava nas entrelinhas.
As rosas se fechavam para nós.
As noites nunca foram nossas.
Nossas coragens não se excediam,
Nossos caminhos se cortavam,
Qualquer palavras era constrangedora,
E assim, tu foste com apenas a sombra
Do que poderia ter sido, mas nunca seria!

Caxias - MA, 10 de agosto de 2014.
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quarta-feira, 16 de julho de 2014

PALAVRAS

PALAVRAS
Elany Morais

Palavras, mar aberto,
Procuram um rumo
Que não seja incerto....

Palavras, escondem-se
Na sombra
De uma boca muda
Que não conhece a vida
E tem medo do mundo
Com essa dura lida!!

Caxias - MA, 16 de junho de 2014
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais