Sou educadora e escritora

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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

"NAVEGAR É PRECISO"

É com muita perspicácia que vou caminhando devagarinho, abrindo veredas estreitas por dentro mim. Não foi tarefa fácil adentrar esse mar de fortes ondas. E onde o mar não é manso é sempre por demais perigoso. Com muita cautela preciso continuar a navegar nesse agitando mundo interno.

Na minha aventura a alma a dentro, tenho desatado nós feitos a olhos fechados. Nós que me apertavam, que me vendavam, torturavam-me e sufocavam-me... Eles faziam de mim uma caixa de mistérios inacessíveis.  Mas nas curvas do meu eu, eu era inocente. Agora, com meu barco, vou me surpreendendo comigo, deparando-me com um Eu que eu ainda não tinha encontrado. Eu existia, mas eu me desconhecia.

Indescritível foi me ver como algo digno de ser olhado, observado, desvendado... Em meu novo EU não era encontrado vestígio do que eu acreditava ser ou apenas parecer. Nesse, eu via reflexos, manchas, máculas do mundo externos. Tais manchas até poderiam ser impregnadas, fixadas para a existência eterna.

Porém nunca firmo contrato com a infelicidade. Removidas serão todas as cicatrizes postas e impostas  no meu mundo interno. Andar continuarei no meu labirinto com  o objetivo de abrir novos caminhos, não mais estreitos, mas largos , por onde eu possa passar sem me perder, ou me prender.

Continuarei, se meu barco furar, remendarei, farei promessas para as ondas amizades comigo fazerem. Assim, terei mais um remador  comigo e, não um antagonista nas minhas navegações em mares revoltos para minhas descobertas. " Navegar é preciso", já disse o poeta. "Continuar em mares nunca navegados" é salvar-me de me perder ou nunca me encontrar e abandonar tudo que não é meu.

Elany Morais

Todos os direitos reservados a Elany Morais

sábado, 23 de novembro de 2013

HIPOCRISIA

Desculpem-me, mas não entendo por que tenho que deslizar na contra mão. Por que a alma e a língua não são passageiras da mesma classe? Não podem cantar o mesmo repertório?

Suspeito de que elas podem jogar no mesmo time. Chutarem a mesma bola, entrarem no mesmo campo e falarem a mesma língua.

Desconfio que a verdade pode abandonar a mente e voar pela boca; que mentira tem poder de se representar, que a alegria não pode carregar a bagagem da tristeza. Por que a esta precisa dos ombros daquela?

Por que tenho que transformar palavras em jogos inúteis? Para que me serve a hipocrisia? Se a fraqueza está em mim, por que não reconheço a sua existência? Por que deixar o ódio ocultar o amor?

Sou adepta de que prazer não mata o corpo nem a alma, de que nenhuma forma de felicidade é porta para passagem proibida.

Defendo a ideia de que meu pensamento é minha voz externa, de que o embuste não edifica sua morada em meu terreno, de que o fingimento e a hipocrisia são hóspedes indesejadas em meu recinto.

Elany Morais

Todos os direitos reservados a Elany Morais