Sou educadora e escritora

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sábado, 21 de maio de 2016

DEPENDÊNCIA


Uma das formas mais odiosa de negação da própria existência é a dependência. Ao nascermos, foram-nos concedidos poderes, para que sejamos, sem que ninguém seja por nós. Por isso, não há que habituar-se, do contrário, a fragilidade nos deixará de pernas no ar.

Depender é apegar-se sem limite. É perder o voo da independência. É desalicerçar-se. É viver sob a mira da flecha. É ameaçar-se. É submeter-se ao jugo da agonia, da solidão... Isso porque não há completude, existindo apenas uma parte, do ser dependente, que respira.

Há quem sobreviva apenas de muletas, embora as pernas sejam sãs. As muletas do dependente é o outro. O ser nessa condição jamais negocia sua zona de conforto, que é reduzida, por sinal. Por isso, depender ou apegar-se é cortar qualquer possibilidade de voo, porque qualquer turbulência a estrutura tende a deteriorar-se.


Dessa forma, resta-me apenas dizer que depender nunca será uma forma de tornar a vida mais fácil. Porém, é perfeitamente possível encontrar a solução para o medo da vida, desde que não seja procurada fora de quem teme, mas sim, dentro de quem sente.

Elany Morais

Todos os direitos reservados a Elany Morais

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

ENTREGA

Eu me entrego ao compromisso de ser honesta comigo mesma.Partirei sem bagagem alguma.Voarei como ave diurna em busca de alimentos.Não me alimentarei mais de catástrofes.Quero ser envolvida somente nas ondas do amor.Não quero seguir as pegadas de areia.Sigo ao enleio de rescrever a minha própria história.Não afundarei mais meus olhos nos poços cinzentos.Não me prostrarei nas levas de estátuas de ídolos vãos.Minha alma espera serena por um repouso digno de uma alma em conflito.Não me disponho a travessar o mundo veloz em pânico.Não pensarei na sobreposição do tempo sobre a eternidade.Transformarei o espaço ao meu desejo secreto.Lançarei meu nome pelas flechas da tempestade.Refarei fantásticos caminhos floridos.Novas pertubarções não mais me afligirão.Minhas cicatrizes da libertade serão apagadas.Verei o limite de minha derme.Os rochedos se abrirão para minha´passagem.Qualquer ruído será surdo.Meu olhar será mais agudo,penetrará o mundo sem obstáculos.Demolirei tetos. A rua gritará com meus passos.Os quatro cantos da existência serão passeados por meu ser errante.Não se surpreendam se eu cumprimentar os seres de quatro patas.Não será incômodo para mim,ser um ser desasticulado,ilógico, incoerente.Não farei reboliços nas almas que me depararei pela frente.Seguirei na imensidão a passos largos.O sopro do vento me bastará.Ficarei surda diante do lamento lacustre.Desafiarei a morte seca,pegante.A cada dia,minha força será criada,reinventada.O sal da minha inteligência não será petrificado.O fim sem descanso será retardado.

Elany Morais

 
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