Sou educadora e escritora

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domingo, 15 de março de 2015

OLHAR

OLHAR
Elany Morais

Não sei se o que vejo é amor em teu olhar;
Quando tu me feres, eu procuro um abrigo
Em qualquer concha ou em qualquer mar,
Com a esperança de um dia ser feliz contigo.

Não temo que meu ideal por ti seja desfeito,
Isso é desventura do mais puro romântico,
Se traída, eu for, ainda entoarei um cântico,
A saber que nessa vida, nada eu idealizo!

Como amante de ti, vejo teu sorriso terno,
Sentindo-me protegida com teu sorriso,
Nas noites escuras e chuvosas de inverno.

A única coisa que me causa terrível receio
É o teu indefinível olhar que me provoca
Quentes desejos de me achegar em teu seio.


Caxias - MA, 15 de março de 2015.

Todos os direitos reservados a Elany Morais

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

DESCONHECIDA

DESCONHECIDA
Elany Morais

Ontem eu ainda não me conhecia.
Muitos diziam eu ser o que não era,
Nunca fui como falavam deveras...
Por eu não ser clara como a luz do dia!

O que eu realmente era eu não sabia
Era engano tudo que de mim dissera
Fiz de minha vida uma quimera,
Ao me procurar, mas eu não me via!

Se não me encontro, seria triste e louca
Que ninguém decifraria num simples olhar
Ou ouvir falar de mim da minha própria boca,
Sem ao menos ter a chance de poder duvidar.

Caxias - MA, 21 de agosto 2014.
Todos os direitos reservados a Elany Morais

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

VER O INVISÍVEL

Existem olhares que não se repetem. Penso que meus olhos são pequenos demais, porém sinto que eles  querem abarcar o mundo em fração de segundo.

Meu olhar se alimenta do silêncio. É na quietude do mundo que ele se deleita com a beleza quase imperceptível das coisas.

Quando as horas ainda dormem, ponho meus pés para cumprir seu papel, e meus olhos agradecem. Nesse momento, vejo que a natureza dispõe de um repertório fascinante de coisas sensacionais e belas.
A cada passo, detenho-me a contemplar um pássaro que faz seus movimentos espetaculares no banco da praça. Ouço sua voz, seu cantar, sua festa...Então, ponho-me a pensar que muitos ainda são privados da verdadeira beleza e pureza do mundo.

O espetáculo natural se apresenta aos meus olhos como  a mais completa representação da vida. Por isso, nos meus passeios matinais, minha alma mergulha nos detalhes naturais. Meu ser se rega de cuidados, para não ceifar a vida de quem está em paz: Na pequenez de minhas retinas, vejo ampliada aquele pequeno ser: a formiguinha, que não tem nada de INHA para meu ver e sentir. Ela se agiganta na minha direção, ensinando-me lição de persistência e valorização. Não piso sobre tal existência, visto de paciência na tentativa de atribuir olhos e sensibilidade aos meus impiedosos pés. Piso com cuidado, com delicadeza em respeito àquela que sabe viver.

Constantemente, paro, e o cenário se desenha na minha face. Sinto que aquele palco do mundo é divido somente com as pessoas que conseguem enxergar a verdadeira beleza do mundo.

Elany Morais


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INFÂNCIA PARTE II



 Cresci entre cajus e bananeiras. Nada de tardes fagueiras.

Lembro-me daquele homem austero, de feições de pouco prazer. De muitos amigos, mas de poucos pedidos. A cada dia, ele me ensinava que não se devia pedir. Pedir... era o manto da humilhação.

Todos os dias, eu me detinha a contemplar o rosto daquele senhor, na tentativa de descobrir seus verdadeiros sentimentos pela minha franzina pessoa. Porém, isso não era atividade de fácil execução. Ele parecia um cofre trancada às setes chaves.

Eu sabia que ele não era meu pai, contudo, eu não compreendia por que não podia ser. Eu brincava de faz-de-conta que ele me guardava. Para mim, existia um imenso mistério nos passos do meu pai de brinquedo. Frequentemente, ele entrava e saía por uma porta. Eu parava, fitava-o com um olhar curioso e desconfiado.

Meu desejo de cometer um crime era grande, incontrolável. Meu temível crime era perguntar o porquê de seus passos soarem pela soleira da porta, por que o vulto dele sumia dos meus olhos sempre. Eu sabia que minha boca não podia abrir, minha língua tinha que ficar quieta. Algumas vezes, a furto, segurei a minha faladeira, mas parecia que ela já possuía o espírito da desobediência. À muito custo, conduzi meus passos para embaixo de uma mesinha na sala. Mesinha? Digo mesinha hoje, pois na época, esse objeto parecia a ponte do Rio Niterói. Eu não percebia que meus olhos eram do tamanho do mar, por isso tudo parecia maior do que realmente era. Penso que o amor daquele homem nem era grande como eu pensava, mas como saber? Ele já dorme no pó da terra, também não sei por que não posso mais ouvir seus passos na soleira da porta. Tudo é mistério.

Elany Morais


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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

ENTREGA

Eu me entrego ao compromisso de ser honesta comigo mesma.Partirei sem bagagem alguma.Voarei como ave diurna em busca de alimentos.Não me alimentarei mais de catástrofes.Quero ser envolvida somente nas ondas do amor.Não quero seguir as pegadas de areia.Sigo ao enleio de rescrever a minha própria história.Não afundarei mais meus olhos nos poços cinzentos.Não me prostrarei nas levas de estátuas de ídolos vãos.Minha alma espera serena por um repouso digno de uma alma em conflito.Não me disponho a travessar o mundo veloz em pânico.Não pensarei na sobreposição do tempo sobre a eternidade.Transformarei o espaço ao meu desejo secreto.Lançarei meu nome pelas flechas da tempestade.Refarei fantásticos caminhos floridos.Novas pertubarções não mais me afligirão.Minhas cicatrizes da libertade serão apagadas.Verei o limite de minha derme.Os rochedos se abrirão para minha´passagem.Qualquer ruído será surdo.Meu olhar será mais agudo,penetrará o mundo sem obstáculos.Demolirei tetos. A rua gritará com meus passos.Os quatro cantos da existência serão passeados por meu ser errante.Não se surpreendam se eu cumprimentar os seres de quatro patas.Não será incômodo para mim,ser um ser desasticulado,ilógico, incoerente.Não farei reboliços nas almas que me depararei pela frente.Seguirei na imensidão a passos largos.O sopro do vento me bastará.Ficarei surda diante do lamento lacustre.Desafiarei a morte seca,pegante.A cada dia,minha força será criada,reinventada.O sal da minha inteligência não será petrificado.O fim sem descanso será retardado.

Elany Morais

 
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