Sou educadora e escritora

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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

DE VOLTA

 
 Depois de mais um voo, meu Eu volta para MIM,ferido, machucado, de asa quebrada. Eu o acolho, acalento-o, restabeleço-o. Afago-o  nos meus braços, a preservá-lo de tantos declínios, de tantos enganos, de tantas desventuras, de tantas mágoas, de tantas angústias...Ele não sabe existir sem amar, sem sonhar, sem fantasiar, sem tentar de realizar o impossível, de querer atingir o inatingível.


 Meu Eu não considera  seus limites, suas verdades limitantes, suas fraquezas incapacitantes. Tem memória débil, sofre de aguda anemia, não teme os corações traiçoeiros, não teme o chão movediço, o buraco sem fundo e  os males do mundo.

Nada o impede de cair plácido em promessas de amores eternos, de vida a dois, de pés colados, lenços dobrados. Mas chora na volta para o seio que lhe guarda, sem aprender a conjugação do verbo sofrer.

Nas suas desventuras, lamenta a vida de tormento, mas não recusa  sorrisos, afagos, beijos e abraços, mesmo que custe dor, desamor até ficar nesse torpor de quem não sente no peito dormente uma grande dor.

Elany Morais

Todos os direitos reservados a Elany Morais

terça-feira, 27 de agosto de 2013

DIA PLANGENTE

 
 
  
Poderia ser um dia como todos outros.Mas ele trazia sua singularidade teimosa.Formas disformes assaltavam-me à vista.E eu ficava ali,com um aperto indecente no peito.Um peso sobre minha cabeça denunciava a minha imobilidade diante do meu querer negado,surrupiado e levado para diante do meu ser carente,dependente de um pequeno instante de alegria e paz.
  Eu não pedia muito.Eu só queria aconchegar minhas certezas em meu seio cansado,desespardo de esperar o que poderia não chegar.
  Tento me concentrar nas lembranças do passado,mas um pouco de sufoco me assoma e cala minha boca com pensamentos totalmente loucos.Por longo tempo,permaneço parada,sentindo tudo e não sentindo nada.Uma sede de voar,de fugir,de sumir monta em meu meu corpo,que agorora parecia alado,mas permanecia parado,afogado nas lembranças que nem eram do passado.
  Eu não acreditava no que via.Eu não fugia.Eu tentava salvar uma vida sofrida em turbilhão de agonias.
 Eu poderia preencher meu templo,sem lamento,sem tormento,mas eu não sabia correr daquele pensamento macilento,com cheiro de tormento,com gemidos de lamento.Eu podeia preencher,mas eu deixei vazio.
 Por um instante,senti que minha vida é esse laço de fita,com nós frágeis,frouxos,com motivos poucos que só sabem  e sentem os que são verdadeiramente loucos.