Sou educadora e escritora

terça-feira, 10 de setembro de 2013

EFEITO BORRACHA

Passaram-me a borracha.Fizeram de mim um rascunho indesejado.Mas,desfiz-me do que não quis.Não sou afeita a remendos.Vou tecendo meus novos sentimentos,ajustando-me às livres crenças.Edifico meu presente,recusando a assinar os erros,como contrato de repetição.Vou desfiando as lembranças para desfazer os nós.Faço da minha mente um templo de renovação.Vou fechando cicatrizes como um rio quando corta,sem retorno,sem olhar para atrás.Incluso no meu presente não está meu lamento.Indiferente ficarei para o céu sombrio,pois não há grades para meus desejos nem guarda-chuvas para minhas conquistas.Vou lentamente ajustando a desordem de minha alma aflita.

 Elany Morais
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

INSANIDADE

Minha loucura é escancarada.Revela as amarras das almas cativas.Cria o inexistente em plena consciência.
Minha loucura profana é meu juízo sagrado.Ela corre pelos caminhos espinhosos da minha demência.Eu desconcerto o que parece certo.
Meu sagrado juízo é resultado de um despertar de sonhos mascarados,vestidos de correntes.Nessa minha profana loucura impudica encontrei a liberdade em plena segurança.Ela desflora caminhos nunca trilhados.Dar-me voo inalcançáveis.Desenha meus olhos no mar ao longe.Minha loucura não me permite dá nomes para o que ocupa meu ser.Meu tempo não tem data.O redemoinho é minha canção.Estendo meus braços para quem entende meu coração.

Elany Morais
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais

CORAÇÃO

Meu coração teimoso,amoroso,
persistente,resistente,
quebrou-se em pedaços,
juntou-se aos cacos,
foi-se colado,
funciona-se em descompassos...
agora frágil,cheio de emoção,
vive mais longe da razão.

 Elany Morais
 
Todos os direitos reservados  a Elany Morais

VIDA NOVA

Há quem queira viver de novas rotinas.Porém,abstenho-me de qualquer que seja o tipo de rotina.Que novas vidas me encontrem,mas que sejam novas todos os dias.Respirar vapores só se for das flores.Não quero pequenos lugares,submersão,só em gr...andes extensões.
Quero que meus defeitos sejam perdoados principalmente por mim.Que minhas atitudes perfeitas sejam imortais.Que meus mistérios se deliciem nos seus mais recônditos esconderijos.Que meus sonhos sejam apenas realizações dos meus desejos.Que minha loucura não seja desprezada por meu ser.Que minhas pontes sejam edificadas com minha segurança e esperança.
Há quem preze a paciência.Mas meu ar é a velocidadeQue minhas dores se agarrem nos braços da brevidade.Que meu desânimo se despeça de mim como o desfazer de um ponto em uma mente agitada.Que eu não tenha amigos como irmãos ausentes.Que a opinião alheia não seja entraves em meu querer.Que eu creia que Deus possa me abençoar,mesmo Ele permitindo que eu sofra todos os dias.Que a primavera não zombe de mim,a laçar sobre meu rosto sua beleza incomparável.Que as palavras positivas não percam o poder de lamber minha alma diariamente.Que meus ouvidos beijem somente as músicas que sacodem minha alma e,não somente meu corpo.Que o nascer do sol não seja despercebido pela sensibilidade.Que a linguagem dos sentimentos mantenha sua supremacia.Que eu não me habitue com tudo que é feio e cruel.Que a desonestidade não se mostre natural aos meus olhos.Que o medo seja sempre meu aliado e não meu algoz impiedoso.Que minhas lagrimas não sejam cristalizadas.Que eu me realize em primeiro lugar.Que eu não me perca de mim.Que meu caminho não seja único.Que me seja dado a oportunidade de escolha.Que eu escolha ser sempre eu mesma.Que o maior amor que possa disponibilizar seja para mim em primeiro lugar.

Elany Morais
Todos os direitos reservados  a Elany Morais

sábado, 7 de setembro de 2013

ALMA EM RECONSTRUÇÃO

Anatoly Piatkevich
 
Minha alma é sombria,trágica,rebelde...Nada na sua dimensão a apetece. É frágil como uma pétala arrancada de seu habitat. É urgente como preces de desespero.Anda sempre a vaguear.Põe-se a lançar pela boca sensações frias.
    Minha alma não se ajoelha,mas cambaleia,alteia,desmorona,aterrissa e se afirma em terra movediça.Não retrocede,não ri dos porões desconhecidos.A incompletude vocifera.

  Minha alma emergiu das profundezas para desmanchar nós triplos floreados.Sem temor,perde-se no objeto amado.Deseja   
fundir-se no amor insano.Possui compaixão sem  amarras.Entrelaça o passado a minha cintura.Os enganos são aterradores,culpantes,delirantes.Pontes são construídas sob solo árido,sem esperança da imagem verdejante.Paira sempre sobre o mundo.O despertar aflito é sempre precedido por uma realidade anímica da morte galopante.Ver a claridade é um desafio desafiante.
  Minha alma possui pernas e braços guerreiros.Encaixota a fragilidade das linhas tênues do meu ser.Por desgaste de defesa,ataca sempre com veemência.
 Minha alma planta amor com profundas raízes.Edifica o querer imediato,com embate.Tranca portas para tragédias.Mas isso não basta....

Elany Morais

Todos os direitos reservados a Elany Morais

ESFACELAMENTO

Imagem de Natalie Nesterova
 
Sempre emerge em minha mente e em meu coração o desejo de infinitude, de perfeição,de justiça...
Habita,nas duas pontas do meu ser,o medo em toda sua vastidão.Por que não vomitar meu terrível temor da dor,da humilhação,do estupro,da indiferença,do sangue,das alturas onde meus pés escorregam em sua impotência,da dúvida,do incerto? Não quero ir ao fogo ardente,não quero ser castrada,não quero silenciar minha voz diante de todos que podem ouvir e compreender,não quero ficar sem os espíritos do prazer.Não quero cabrestos que me conduzam a uma beleza artificial.Não quero reduzir meus pés à moda do românticos,não quero perder o direito de envelhecer sem ser achincalhada.Não quero ser desqualificada numa sociedade caduca e agonizante.Não quero ser condicionada a suprir às necessidades alheias.Não quero que me privem de errar sozinha.Não quero ocultar a minha essência.Não quero ser decente aos olhos vizinhos.Não quero ser um abismo de ressentimento.Não quero a mudez das estrelas.Não quero a palidez da hipocrisia.Não quero impedimento para eu ser apenas eu,e nada mais.

 Elany Morais
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

UM EM TRÊS

Sempre existe aquele momento em que me descubro,em que me acho. É sempre o mesmo espanto,a mesma surpresa,o mesmo medo.Quero correr,quero voar,mas eu me pego,eu corro atrás de mim mesma.O meu EU não me basta,eu quero o OUTRO,eu invento OUTRO.Eu não quero só a mim e o OUTRTO,eu quero também o que existe entre Mim e o OUTRO.
 Eu quero fervorosamente amar a mim e o OUTRO,sem odiar,sem esperar,sem vazio,sem desesperança.Mesmo que a ausência do outro me destrua,quero amá-lo sem odiar,sem o fogo que dostrói.Com o outro eu sinto tudo,eu sou tudo,sem ele,eu me perco,fico no vácuo.Fico mais completa quando estou comigo,com o outro e o que existe entre mim e o outro.Isso pode ser uma loucura. É uma loucura,mas uma loucura mansa.É mansa porque minha felicidade e grandeza serão quando os três corações pulsarem de uma só vez dentro de mim.Eternamente,serei uma em três,eternamente apaixonada e presa em três,assim,eu fico plena,lúcida,viva,casta,doce,entendida,habituada,possível,palpável,visível,tangível,em pé,firme.Minha feiúra se evaporará,minha solidão não mais me encançará,eu irei longe,sobre pedras,sobre vales,sobre ares.Tudo o que for cruel se dissipará,assim,se eu amar a mim e o OUTRO sem odiar.

Elany Morais
 



       ANÁLISE LITERÁRIA POR NÉA TAUIL



       

 

"Um em Três" mostra que por um lado existe o amor, a paixão amorosa,  desejo ardente,a preservação da própria vida, a garantia da preservação da espécie através do sexo, do erotismo" o meu EU não me basta, eu quero o OUTRO..."; por outro lado, mostra que também existe o ódio, a (auto)destruição, a morte como o fim de tudo, então " quero  fervorosamente amar a mim e o OUTRO, sem odiar, sem esperar, sem vazio, sem desesperança".
É possível amar a mim e o OUTRO sem odiar?
Na melhor das hipóteses, podemos dizer que amor/ódio são duas polaridades distintas que estão em atividade dentro de cada um de nós,movimentando a vida até a morte. Um em Três também marca bem o desejo de não ficar preso à identificação apenas com o "EU", com a perspectiva limitada do nosso eu individual "eu não quero só a mim e o OUTRO, eu quero também o que existe entre Mim e o Outro". Isso  significa abrirmo-nos para fundir com o "Nós". O " Nós" que envolve uma diversidade de ligações entre pessoas e com tudo o que existe.
 
Néa Tauil

 
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