Sou educadora e escritora

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sábado, 9 de junho de 2018

CRIVO ALHEIO


Por Elany Morais
Difícil é viver sob o crivo alheio.

Tu não podes exigir de mim o que tu acreditas!!

É mediocridade esperar dos outros, consoante as tuas próprias expectativas.
Meu Deus, esperança é coisa que gosta do desespero! De mim, não esperes muito mais do que sou capaz. Pois sou livre para ser o que sou. E, para compreenderes essa minha liberdade, é preciso que me julgues com muita finura. E, para tal julgamento, é necessário uma boa preparação. Pois, laços mal feitos causam-me muita desconfiança, a fazer-me bicho arredio, arisco... Sou como imagens em um mosaico, é preciso distância para ver minha beleza. Se me aperta, eu murcho!

Não creias em mim considerando o “mal” geral social: o bem material (“A riqueza influencia-nos como a água do mar. Quanto mais bebemos, mais sede temos”). Não corro por esses mares. Minhas águas são bem mais profundas. É preciso tempo e cuidado para penetrá-las. Não me tomes por seus valores nem esperes que eu floresça em pedregulho. Meu sentido é beleza invisível: amor, verdade, fraternidade...
Sou pintura, talvez mal pintada, mas estou no tema de muitas músicas incomuns. Meus pés nunca andam atrás de Deus por causa de um milagre. Este, eu o recebo, mas sempre quando estou no meu estado maior de displicência.
Tu não podes exigir de mim o que tu acreditas. Pois, minha vida é para ser despachada de outro modo.

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terça-feira, 29 de setembro de 2015

BELEZA NATURAL





Absorta ao luar, submersa nos horizontes,
Não deixava de contemplar
As folhas dos pinhais, a imponência dos montes
E as ondas verdes do mar.

Se disso, indiferentes passamos,
Não sentiremos a pureza das flores,
A vida será apenas um caos exteriores
E jamais seremos o que sonhamos.

Sem vida interna, jardins não colheremos
Mesmo que víssemos a aurora nascer.
Solitário no mundo sempre seremos,
Se não deixarmos a beleza interna viver.

Elany Morais

Caxias - MA, 27 de setembro de 2015.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

NASCEU A POESIA

NASCEU A POESIA
Elany Morais
 
Minha poesia nasceu um dia
Quando o sol mal se abria,
E minha preguiça se prolongava
Como um barco sem veleiro,
 Um navio sem marinheiro,
 Ou pássaro que não cantava
E quase mal despertava.

Ao chegar, não foi uma lindeza tamanha,
Apenas falava de montes e vales,
De folhas amarelas como ouro,
De cabelo virgem que se assanha,
De roupa que esvoaça no varal
E de tristeza com olhos de choro!


Caxias - MA, 19 de janeiro de 2015.

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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O QUE É O AMOR?

O QUE É O AMOR?
Elany Morais

Embriagar-se de amor não basta
Cantar letras com muita beleza,
É preciso conservar acesa
As atitudes mais retas e vastas!

O amor traz em si o gosto da delicadeza,
Traz alma pura, serena, leve e casta,
Nunca abafa o grito nem a mão afasta,
Violentando o que é próprio da natureza!

O amor tem perfume doce como das acácias,
Ele cuida, acaricia e beija sempre ou quando
Precisa de mais coragem ou mais audácia!

Hei de querer o amor mais do que qualquer
Outro sentimento que venha se insinuando
De forma tão sedutora como uma mulher!

Caxias - MA, 25 de dezembro de 2014.

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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

FRIEZA MUNDANA

FRIEZA MUNDANA
Elany Morais

Nesse tempo frio, há que vir-me uma manta,
Pois, nessa terra, chega alma tão mesquinha.
Meu medo nesse desamparo se agiganta
Como um bobo condenado pela sua rainha!

Não sei qual será meu destino nesse desenvolvimento
Com mentiras, traições e jogos terríveis,
Parece-me não haver mais nenhum bom sentimento
Como se todos se tronassem insensíveis !


Queria eu ver formas humanas gloriosas,
Com vidas cândidas e atitudes grandiosas,
Sem se embrutecer por qualquer ardente solo

Tornando-se uma figura de alma estranha
Que não se enternece nem mesmo com colo
Ou mesmo as belezas verdes das montanhas!


Caxias -MA, 26 de novembro de 2014.


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

ELA

ELA
Elany Morais

Quando você acha que seus olhos já se fartaram de tudo, a vida pode provar o contrário. Esta era a sensação que se apoderava de mim: desinteresse pelo o igual de todo dia.

Mas foi numa dessas mesmices diárias, que a novi...dade assomou, avivando todos os meus sentidos. Apenas de relance, vi que ela chegava no meu terreno quase inabitado. Era uma moça, mas para muitos seria uma senhora, talvez bela. Eu via nela um ar de certa simplicidade, uma juventude no andar. Tinha uma graça ingênua, parecia cheia de vivacidade e inocência. Mas ela era perfeitamente capaz de suscitar aquela volúpia ardente. Seus olhos eram tímidos e discretos, talvez receasse revelar seus desejos mais secretos. Quantos segredos guardam os olhos de uma mulher!....

Caxias - MA, 13 de novembro de 2014.

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terça-feira, 1 de julho de 2014

DIA

DIA
Elany Morais

Já é dia!
O dia aponta, sem ainda amadurecer,
Embelezado com belas nuvens ...
Que vejo uma a uma
Parecendo brancas espumas!

Com o seu despontar, claramente vejo tudo,
Vejo rosas desabrochando, na sua beleza
E na maciez de um veludo!

O dia entra, com risos largos
Sem a pungente solidão
Que assola o cansado coração!

E traz consigo o canto dos pássaros
Que acorda os espíritos brejeiros
Que se encantam com violetas nos canteiros!

Caxias -MA, 01 de julho de 2014.

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terça-feira, 6 de maio de 2014

MAL AMADA

MAL AMADA
Elany Morais

Eu não invento nem distorço
A tua alma fria e mal amada,
Eu apenas cuido, sinto e torço...
Para que tudo não seja nada!

Tua dureza será incendiada,
Desejarás a beleza do corpo,
Deixarás de ser atormentada
Nem será um ser vivo e morto!

Há coisas que nunca te digo,
Mas terás um eterno castigo
De viver nessa mágoa afogada.

Quero que eu me contradigo
Que sejas além de joio; o trigo,
Para que tua alma seja amada.

Caxias -MA, 06 de maio de 2014.
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segunda-feira, 31 de março de 2014

AS INCOERÊNCIAS DA LÍNGUA

INCOERÊNCIAS DA LÍNGUA
Elany Morais

Ignóbil, traiçoeira e vil é a língua com fúria,
Revela pecados mortais, conta e braveja,
Condena o obscuro alheio e sua peleja,
Sobrando apenas secura e injúria.

Profere delícias, dores, angústias e luxúria,
Canta mortes, partidas e sonho que almeja,
Fala de mares e barcos que nunca veleja
E destila belezas, tristezas, mágoas e feiúra.

Caxias - MA, 31 de março de 2014.
 
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quinta-feira, 20 de março de 2014

A BELEZA FEMININA

A BELEZA FEMININA
Elany Morais

A beleza feminina não é parcial.
Tem a exímia elegância de Botticelli,...
Mas um Marcel Duchamp, de repente
Pode desfigurar seu ideal!

Seu corpo me lembra a Vênus bela!
Sua face é por demais angelical
Que Rafael pincelou em sua tela
Transfigurando-a num mundo irreal!

Caxias - MA, 20 de março de 2014
 
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A BELEZA DELA

A BELEZA DELA 
Elany Morais

A beleza dela,
como no amanhecer do dia, a flor
aflora, num espasmo sem espuma
assim é o que vejo
nela.

A beleza dela,
está nas delicadas mãos e nos pequenos pés
como a garça graciosa
desfilando nas pétalas de rosa
assim é o que vejo na beleza
dela.

Caxias - MA, 20 de março de 2014.
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terça-feira, 18 de março de 2014

SOLIDÃO

Elany Morais

A disposição, corta,
Olhos lançados ao chão,
Não se vê frestas na porta,...
Assim, é o estado de solidão!

Beleza no Sol já não há,
Vendada fica a visão,
Nem mesmo a onda do mar
Carrega a tal solidão!

Imperfeita parece a Lua,
Prazer já não há na canção,
O espírito jamais flutua,
Com o peso da solidão!

Caxias- MA, 18 de março de 2014


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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

SONETO DO AMOR QUASE PERFEITO

Quero-te muito, mais do que o bastante!
Intenso coração perante essa tal verdade
Que vive a manifestar o amor abundante
E a quebrar as algemas para a liberdade!

Quero-te muito, na mais alta intensidade,
Na minha fantasia, estás a todo instante,
Segundos na tua falta é uma eternidade,
Sem o amor vigoroso serei alma errante!

Quero-te muito, de maneira loucamente,
Amo com ardência e a beleza da virtude,
Nada é insano, é um amor simplesmente!

E de te ambicionar assim, muito amiúde,
Hei de fundir-me na tua alma e,de repente
Uso não viver esse amor mais do que pude!

Elany Morais

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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

VER O INVISÍVEL

Existem olhares que não se repetem. Penso que meus olhos são pequenos demais, porém sinto que eles  querem abarcar o mundo em fração de segundo.

Meu olhar se alimenta do silêncio. É na quietude do mundo que ele se deleita com a beleza quase imperceptível das coisas.

Quando as horas ainda dormem, ponho meus pés para cumprir seu papel, e meus olhos agradecem. Nesse momento, vejo que a natureza dispõe de um repertório fascinante de coisas sensacionais e belas.
A cada passo, detenho-me a contemplar um pássaro que faz seus movimentos espetaculares no banco da praça. Ouço sua voz, seu cantar, sua festa...Então, ponho-me a pensar que muitos ainda são privados da verdadeira beleza e pureza do mundo.

O espetáculo natural se apresenta aos meus olhos como  a mais completa representação da vida. Por isso, nos meus passeios matinais, minha alma mergulha nos detalhes naturais. Meu ser se rega de cuidados, para não ceifar a vida de quem está em paz: Na pequenez de minhas retinas, vejo ampliada aquele pequeno ser: a formiguinha, que não tem nada de INHA para meu ver e sentir. Ela se agiganta na minha direção, ensinando-me lição de persistência e valorização. Não piso sobre tal existência, visto de paciência na tentativa de atribuir olhos e sensibilidade aos meus impiedosos pés. Piso com cuidado, com delicadeza em respeito àquela que sabe viver.

Constantemente, paro, e o cenário se desenha na minha face. Sinto que aquele palco do mundo é divido somente com as pessoas que conseguem enxergar a verdadeira beleza do mundo.

Elany Morais


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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

RETIRO-ME


Eu nunca quis me entender. Entender por que a ausência de multidão me dá paz, segurança...  Essa ausência leva-me para um mundo que talvez só exista dentro de mim.

Vozes de muitas gentes não cabem em meu ser. A profusão de fisionomias suspende minha vontade de crê de que tudo é belo e bom. Uma imortalidade segura minha boca diante de tanta animalização. Definitivamente não caibo nessa adversidade.


Diante de tudo que vejo e me olhos repudiam, prostro-me com o desejo de evadir-se para um mundo que me reconheça, que me abrace, que me acolha, que me abençoe...

Minha alma clama evasão, beleza no ser humano. Sinto o mal a milhas...Tudo fere minha retina, tudo me ensurdece. Desculpe, mas nada se esfrega em mim.

Peço licença para me recolher em meu habitat, aqui sou rainha, só vejo que o que desejo... Aqui meu mundo é feito por mim. Lá  fora não me fazem saudades!!

Elany Morais

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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

AMOR IDÍLICO

No morrer do dia, no correr das horas, a beleza do poente me invade trazendo consigo o cheiro da existência. E foi ao sentir o beijo suave do vento que me veio o pensamento de que o prazer não é para sempre.

Mesmo sabendo que o viver é efêmero, experimento um estado de graça. A paz penetra meus poros sem pedir licença.Ouço o barulho da confirmação da existência do meu espírito no espaço, na natureza... Os elementos naturais visitam-me de súbito, convindo-os a entrar e a cear comigo por longos tempos,mas como todo sonho glorioso é muito breve, esse amor idílico se diluiu na mesma rapidez de sua chegada.

E de repente, vem-me uma saudade imortal daquilo que não era meu e que jamais será eterno na minha aflita companhia. Agora só me resta sentar à rua a espera de uma desejada vinda sem hora marca para uma volta sem promessa de retorno.

Elany Morais

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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

BELEZA RARA

 
Hoje quero falar de uma beleza rara!! Não falo de braços, pernas, quadris, falo do todo e, não, de partes. O todo começa pela visível sensibilidade daquele ser tão luz, tão riso, tão fada, tão leveza, tão alegria...


Não sei se dentro de seu poço escuro, há tristezas veladas, dores disfarçadas, revoltas, medo irremediável. Só vejo em seu reflexo energia revigorante, de onde resplandece o amor. Na face em que meus olhos, que não são míopes, alcançam existem fontes aproximadoras, desejos fugitivos, mãos estendidas, corpo convidativo, voz possante, delirante, sedutora, acalentadora...

Esse ser que traz até meus ouvidos melodias, esperança, salvação...Grita meus gritos, proclama uma amor que também me faz companhia.

Minha alma está completa, regozijante, o vento de sua beleza penetrou silenciosamente meu ser, fundimo-nos num só querer, num só desafio, num só pensar, num só desejar, numa só dor, num só labor.

Um canto me diz que sua força, seu poder, seu amor, seu mar vieram para aqui na minha casa morar. Rendo-me a tua majestade, fique na morada, fiquei para nunca mais voltar.

Elany Morais
 
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sábado, 7 de setembro de 2013

ESFACELAMENTO

Imagem de Natalie Nesterova
 
Sempre emerge em minha mente e em meu coração o desejo de infinitude, de perfeição,de justiça...
Habita,nas duas pontas do meu ser,o medo em toda sua vastidão.Por que não vomitar meu terrível temor da dor,da humilhação,do estupro,da indiferença,do sangue,das alturas onde meus pés escorregam em sua impotência,da dúvida,do incerto? Não quero ir ao fogo ardente,não quero ser castrada,não quero silenciar minha voz diante de todos que podem ouvir e compreender,não quero ficar sem os espíritos do prazer.Não quero cabrestos que me conduzam a uma beleza artificial.Não quero reduzir meus pés à moda do românticos,não quero perder o direito de envelhecer sem ser achincalhada.Não quero ser desqualificada numa sociedade caduca e agonizante.Não quero ser condicionada a suprir às necessidades alheias.Não quero que me privem de errar sozinha.Não quero ocultar a minha essência.Não quero ser decente aos olhos vizinhos.Não quero ser um abismo de ressentimento.Não quero a mudez das estrelas.Não quero a palidez da hipocrisia.Não quero impedimento para eu ser apenas eu,e nada mais.

 Elany Morais
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais