Sou educadora e escritora

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quarta-feira, 9 de julho de 2014

O DESERTO ATRAVESSADO

O DESERTO ATRAVESSADO
Elany Morais

Uma mulher seguia lentamente
Por uma estrada fria e perigosa,
Onde a noite caía pesadamente...
Numa cidade que era rumorosa!

Seus pés vacilavam pelas rotas,
Com o rosto sombrio e abatido,
Não havia ali nenhuma porta,
E nem mesmo um só bramido!!

A estrada deserta era pavorosa,
A deixar seu futuro impotente,
Por ver ali mancha senguinosa
Como se fosse o fim do poente!

Sozinha em pé ergueu os braços
Como um amante nunca amado,
Numa visão o olho foi arrebatado
Para o deserto daquele espaço!!

Caxias - MA, 09 de julho de 2014.
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

NOITE

A noite chega, com aviso autoritário, irrevogável! Sem delicadeza, instala-se no meu recanto. Tira meu viço, minha coragem, meu brilho, minha alegria. Ela silencia a todos. Pune-me com a indiferença dos que dormem. Priva-me da segurança de que necessito. Meu coração se rebela. Bate em descompasso. Ninguém ouve meu passo. Meu corpo prostra-se em lasso.

Caída eu fico, no leito, imóvel. Chove pensamentos que não têm fim. Chega o temor com toda sua irracionalidade. Medo do que foi e do que ainda poderá ser. O perigo está à espreita. O vale está aberto. Feras rugem com bocas abertas. É o nada ganhando forma. É o silêncio compondo sons. Sãos os olhos na ferocidade de ver. É o vazio devastando sua presa.

Minha alma segreda que a morte já não tarda. Que tudo virará o nada. Quase nada resta. O grito não sai. O sangue não pulsa. A pele serve de porta voz da agonia. Minha boca, agora ,jaz fria!

Elany Morais

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