Sou educadora e escritora

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domingo, 4 de agosto de 2019

VIVER É PERDER


Por Elany Morais 
O viver dos outros e o da gente é assim: a vida apenas finge que joga uma carta para ti, outra; para mim. Convence-nos de que a morte mascara outra realidade desconhecida, porém com a possibilidade de paz, descanso e felicidade. Mas na verdade, a vida faz isso porque quer esconder a sua sutil face trágica. Quem não percebeu ou viveu perdas gradativas, ao longo da existência? É isto: viver também é perder. A vida segue, e as perdas vão se desfilando, desfiando, crescendo, avolumando-se até onde não se tem mais o que perder, restando apenas aquilo que talvez não se queira mais, essa, sim, é a verdade extraordinária. Não há do que se surpreender. Isso não é um escândalo. "Estamos num beco sem saída". Estamos na vida. Vamos perder sempre o que mais se quer. Ser é trágico. Viver é um circulo vicioso de perde -e- ganha. Ou não se ganha. Ganhar na vida é ilusão. Há apenas um empréstimo, sem aviso prévio de nos ser tirado aquilo que aparentemente nos foi dado.
Como é difícil jogar sem cartas! Como ganhar sem saber as regras do jogo? Não temos chance. Já nascemos vencidos. Perder é o castigo de ser e estar. Até a coragem nos negam para retornarmos. Retroceder não é possível. Avançar também é caminhar para o final, o final do ser, do estar, do quer... Aqui é o auge do perder. Em fim, na vida, perde-se tudo, até o querer não perder.


Todos os diretos reservados a Elany Morais

domingo, 2 de agosto de 2015

VIVER É PERDER






VIVER É PERDER
Elany Morais


Como me isolar da agonia?

 Meu viver e o dos outros é assim: a vida finge que joga uma carta para ti; outra para mim. Convence-nos de que a morte mascara outra realidade desconhecida, porém com a possibilidade de paz, descanso e felicidade. Mas na verdade, a vida faz isso porque quer esconder a sua sutil face trágica. Quem não percebeu ou viveu perdas gradativas, ao longo da existência? É isto: viver também é perder. A vida segue, e as perdas vão se desfilando, desfiando, crescendo, avolumando-se até onde não se tem mais o que perder, restando apenas aquilo que talvez não se queira mais Essa, sim, é a verdade extraordinária. Não há do que se surpreender. Isso não é um escândalo. Estamos num beco sem saída. Estamos na vida. Vamos perder sempre o que mais se quer. Ser é trágico. Viver é um circulo vicioso de perde -e- ganha. Ou não se ganha. Ganhar na vida é ilusão. Há apenas um empréstimo, sem aviso prévio de nos ser tirado aquilo que aparentemente nos foi dado.


Como é difícil jogar sem cartas! Como ganhar sem saber as regras do jogo? Não temos chance. Já nascemos vencidos. Perder é o castigo de ser e estar. Até a coragem nos negam para retornarmos. Retroceder não é possível. Avançar também é caminhar para o final, o final do ser, do estar, do quer... Aqui é o auge do perder. Em fim, na vida, perde-se tudo, até o querer não perder.

Caxias- MA,02 de agosto de 2015.

terça-feira, 11 de março de 2014

DESPEDIDA

DESPEDIDA
Elany Morais

Leva a lua que não me deste,
A cama que não coube meu amar,
Aquele pijama que nunca me despe...
E as palavras proferidas sem pensar.

Leva contigo o azul prometido,
A vermelha rosa antes de murchar,
Aos cacos desse coração partido
E essa despedida sem hora de findar!

Leva tudo que nunca foi meu
Que somente prometeste me dar
Esse jogo agora será apenas teu
Porque acabo de me retirar.

Caxias - MA, 11 de março de 2014.
Todos os direitos reservados a Elany Morais