Sou educadora e escritora

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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

URGÊNCIA


Por Elany Morais


É urgente inventar qualquer prazer ou qualquer alegria. Já gastamos caminhos demais. Tudo inútil. Passadas vãs. Gotas de insônias já se formam, no vazio de não ser o que se é. Alguma coisa - nessa existência – perdeu-se. Procurar o desconhecido é gastar todos os tipos de caminhos. E, dessa forma, a vida dorme ao nosso lado
.
É tempo de encontrar alguma alegria, mesmo que seja em um poema. Pois, as negras sombras têm embaçado muitas visões. São tempos sombrios: as calçadas são terrenos movediços. Talvez nem haja mais sonho de amor. Os sóis de abril não brilham mais em pleno estio. Até os deuses têm sido desleais.


É urgente inventar uma salvação. “Os anjos” – que não são mais anjos- estão carregados de crimes. Penitência? Nada faço de divino. Dissipou-se até a mais ingênua confiança. Talvez a esperança não abarque mais o seu destino de eternidade.

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

VIVER TEM DESSAS COISAS


Elany Morais

Viver tem as suas brutezas! O que tem dentro de mim talvez não seja raro nem caro. Não sou um herói ou heroína vencida. Ainda soa em mim um canto que é só meu.

Há muito quase perdi os sentidos pelas baixezas. As vilezas roçavam em mim como asa de morcego. Mas sobre um largo sossego, a força benemérita existia, com seus ais sutis. Às escuras, as asnices galopavam em minha direção, porém, fui criando dentes e asas.

Viver tem dessas coisas de ser dois: peripécia - desânimo, doce - agressivo. Mas ainda me persiste a força para essa dualidade existencial. Eis o destino: viver nesse desatino sem me acostumar. Há algo para alcançar, sem se desfolhar?

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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

ARROUBOS DA PAIXÃO

ARROUBOS DA PAIXÃO
(Elany Morais)

A paixão  traz agitação e dor!  Como vive o coração
de  quem sofre os arroubos da paixão?
O espírito age no emaranhado  das coisas sentidas.
A quem cabe tão sorte?
Ao pulso que ainda sabe pulsar, a quem não
perdeu o dom divino das lágrimas!

Somente a música alivia as notas descompassadas
desse coração!

Coração que perde a vontade própria, que abandona
o destino quieto.

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domingo, 2 de agosto de 2015

VIVER É PERDER






VIVER É PERDER
Elany Morais


Como me isolar da agonia?

 Meu viver e o dos outros é assim: a vida finge que joga uma carta para ti; outra para mim. Convence-nos de que a morte mascara outra realidade desconhecida, porém com a possibilidade de paz, descanso e felicidade. Mas na verdade, a vida faz isso porque quer esconder a sua sutil face trágica. Quem não percebeu ou viveu perdas gradativas, ao longo da existência? É isto: viver também é perder. A vida segue, e as perdas vão se desfilando, desfiando, crescendo, avolumando-se até onde não se tem mais o que perder, restando apenas aquilo que talvez não se queira mais Essa, sim, é a verdade extraordinária. Não há do que se surpreender. Isso não é um escândalo. Estamos num beco sem saída. Estamos na vida. Vamos perder sempre o que mais se quer. Ser é trágico. Viver é um circulo vicioso de perde -e- ganha. Ou não se ganha. Ganhar na vida é ilusão. Há apenas um empréstimo, sem aviso prévio de nos ser tirado aquilo que aparentemente nos foi dado.


Como é difícil jogar sem cartas! Como ganhar sem saber as regras do jogo? Não temos chance. Já nascemos vencidos. Perder é o castigo de ser e estar. Até a coragem nos negam para retornarmos. Retroceder não é possível. Avançar também é caminhar para o final, o final do ser, do estar, do quer... Aqui é o auge do perder. Em fim, na vida, perde-se tudo, até o querer não perder.

Caxias- MA,02 de agosto de 2015.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

AFLIÇÃO

AFLIÇÃO
Elany Morais

Chora, geme, grita
este é o destino de
toda alma aflita.

Caxias - MA, 30 de julho de 2015.

domingo, 28 de junho de 2015

MEMÓRIAS: OS GRITOS DE MINHA MÃE
Elany Morais

Todos nós carregamos no espírito e no coração nossas recordações. Recordações de fatos, de episódios, que sempre tiverem seus cenários próprios. É o verde das plantas, das matas, o murmurar do mar, o azul do céu, o brilho da lua...
Foi numa manhã, o dia estava luminoso, eu passava por veredas estreitas, cercadas de folhas verdes, mas, vez por outra, os espinhos roubavam a cena. Alguns pássaros gorjeavam notas melancólicas, como se fosse um presságio de minha pouca sorte. Ao passar em frente de uma trepadeira, veio-me a vontade de me por debaixo dela, para que eu viesse a ser amparada, protegida pelos maus desígnios do destino. Havia sete anos de minha existência, anos que nunca foram coroados de boa novas, eu fazia deles apenas a esperança de um futuro, quem sabe, glorioso. Por um instante, cheguei a pensar que eu estivesse a caçoar de mim mesma.
Foram nessas veredas estreitas que ouvi um forte grito, raivoso, aterrador... Na boca de quem gritava, estava meu nome. Ele não era doce, na expressão de quem berrava, sem dó, sem consideração pela minha figura franzina, fina e frágil. Nesse momento, meus pés se desataram a correr. Espinhos, pedras e paus pareciam algodão. O que me esperava à frente não era festa. Minha alma já era espantada com tudo. Se houvesse relógio, certamente, ele bateria a hora do espanto. Enquanto eu desejava construir uma felicidade durável, os gritos arquitetavam minha desordem, minha má sorte, meus momentos de agonia e dor. Quando a realidade se desnudava a minha frente, tudo era destituído de beleza e felicidade. Meus sentidos viam o sol luminoso transformar-se em nevoeiro escuro. Apesar da pouca idade, mas eu já percebera que na medida que as horas se passavam, o nevoeiro aumentava. Parecia que eu estava em pleno mar, sobre ondas incontroláveis e ameaçadoras... E eu corria... Os pensamentos chacoalhavam na cabeça. O coração denunciava meu estado de excitação. Nada era mais terrível do que os gritos de minha mãe. Meus olhos cegavam. De súbito, vinha-me ideia de virar anjo, de criar asas, de voar para ps céus, onde eu não pudesse ser vista nem alcançada. Eu acreditava que num instante qualquer, eu viraria pó, eu viraria mar.


Caxias - MA, 28 de junho de 2015.


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segunda-feira, 25 de maio de 2015

TEUS VÍCIOS

TEUS VÍCIOS
Elany Morias

A árvore nunca prova de seus frutos,
assim como tu nunca provarás dos gestos
meus, se o rio não bebe de suas próprias
águas, por que te deleitarás com os vícios teus?

Ferozes, vorazes vícios teus que  fecham
os caminho meus, que destino terá meu
sossego, assim perseguido pelos vícios teus?

Se meu barco ainda anda vagaroso,
isso é por destino meu, se as nuvens não
se lavam com suas próprias águas,
por que deleitarás com os vícios teus?


Caxias - MA, 25 de maio de 2015.

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sábado, 14 de março de 2015

NOSSO DESTINO

NOSSO DESTINO
Elany Morais

Nosso destino é amar. Querendo ou não,
Nas nossas finas veias corre a ternura.
Vejo em tuas formas tamanha formosura
Que não possuí-las é perder o firme chão.

Nosso destino é perder a liberdade,
Quando o amor no coração, por fim, se apura
Muitos sofrem do que se chamam desventuras,
Clamando, sem trégua, pela tal felicidade.

Nosso destino é cair nos braços da tristeza,
Quem, nesse mundo, dela não sofre?
Mesmo que alegria no peito esteja acesa,

Mas um dia ou outro de tristeza se morre.
Carregamos-na íntimo da natureza,
Não se importando, se para ou se corre.

Caxias- MA, 14 de março de 2015.


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quinta-feira, 12 de março de 2015

SORTE

SORTE
Elany Morais

Não, nunca me contaram que a sorte não era para todos. Jamais sofri um golpe de sorte. Mas ouço falar que muitas pessoas já foram pegas pelas pernas por ela. Às vezes, pelo simples fato de saber que alguém a possui, sinto-me agraciada, mesmo ela não sendo minha.

Acredito na sorte, embora eu não a tenho. Mas não há revolta, não. Ou será que ela mora comigo e eu não a reconheço? Se bem que todas as noite, o mundo se veste em uma capa preta e, num abrir e piscar de olhos, eu o esqueço, mas quando o sol abre os olhos, tudo volta de novo, da mesma forma como foram  todos os outros dias. Será isso sorte minha? Agora, penso que  o não aparecimento de alguém que desarrume as coisas nem as tire do lugar, pode ser sorte minha, como também de todos.  Quando abro os olhos, as mesmas árvores, as mesmas rosas, o mesmo céu, o mesmo sol estão tudo como eu deixara.

Talvez o cruzamento daquelas velhas linhas seja a minha sorte, como pode ser também o meu desconhecimento do nada que me aguarda.


Caxias - MA, 11 de março de 2015.

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

FANTASIA

FANTASIA
Elany Morais

Quando a solidão apertava e um grito fino
Despertava meus ouvidos e afastava
O mundo imaginário que em mim estava
Até a hora de ressoar aquele sino!

Em minha fantasia, eu era amada
Desde quando meu desejo era pequenino,
Sem pensar na construção de um destino
Que levaria meus sonhos numa enxurrada!

Meu mundo era colorido e nada nele
Fugira daquilo que sempre foi meus ideais
E que eu nunca me desviaria do rumo dele!

Mas coisas na real não são iguais,
Pois meus sonhos todos se foram eles
Sem esperança de voltarem jamais!

Caxias - MA, 29 de dezembro de 2014.


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terça-feira, 30 de setembro de 2014

DESTINO

DESTINO
Elany Morais

Reverencio as pedras, a noite e o luar
Que me abraçam nesse mundo escuro,...
Prostro-me nas águas do rio a olhar
E a desejar o celestial santo e puro!


De muitos, na face, vejo um destino duro
Que sempre faz o barco frágil naufragar
Fazendo os sobreviventes navegar
Para um mundo incerto cruel e impuro!

Vejo aqui todos os sonhos que se calam
Dos corações que mudos nunca falam
Por se sentirem invisíveis e pequeninos!

Que haja o divino que proteja todos nós
Que Deus ouça o grito de cada voz
E nos proteja de todo e cruel destino!

Caxias - MA, 30 de setembro de 2014.

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segunda-feira, 21 de julho de 2014

BASTA

BASTA
Elany Morais

Basta de destino pronto,
De tragada em minha face,
De falho conto,...
De falso passe!

Basta de lágrimas brancas,
De raízes mortas na alma,
De mentiras francas,
De forçada calma!

Basta de medo tóxico,
De espinhosas palavras,
De confuso foco,
De injúrias bradadas!

Caxias - MA, 21 de julho de 2014.
 
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domingo, 20 de julho de 2014

MAR DE SEGREDOS

MAR DE SEGREDOS
Elany Morais

Hoje, pus-me a ouvir meus segredos
Pela boca do mar:

Falhou teu destino pequenino,
Não é tua a sepultura dos teus,
Teus olhos roxos brilharão,
Tua voz amarga ficará muda.

Agora canta uma canção molhada,
Pois tu não és tu.

Agora estás a abandonar o que nunca
Foi teu.

Assim, afastei o sol da agonia e o mar
Saiu calado, deixando saudade
Da voz da verdade.

Caxias - MA, 20 de julho de 2014.
 
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sexta-feira, 27 de junho de 2014

IRRISÍVEL

IRRISÍVEL
Elany Morais

Nunca tive muito jeito para ri, quando menina
Nem de conter minhas lágrimas choradas,
Eu não tinha as peraltices de menina traquina...
Mas não perdia os bichos de nuvens por nada.

Aquietava-me na escuridão, com visão gelada,
Sendo afeita ao som longínquo do violino,
Mesmo distante sem ouvir quase nada,
Contando apenas com a vontade do destino.

Não pude abraçar um mundo idealizado,
Nem desfrutar das regalias do recreio,
Encontrava-me cansada de peito cheio

Por me jogarem num mundo precipitado,
Sem saber para onde ia nem de onde veio,
Mas apenas com um sonho lindo desejado.

Caxias -MA, 27 de junho de 2014.

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sábado, 14 de junho de 2014

ENFERMIDADE

ENFERMIDADE
Elany Morais

Que desejo agora de ter saúde,
Vontade de ter um viver ditoso e
Não o destino de um tuberculoso...
Ou contente ao ouvir um alaúde.

É agonia sentir esse corpo ardente,
O acelerar do já frágil coração,
O viver desse estado doente,
E está sozinha na multidão.

Caxias - MA, 14 de junho de 2014
 
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sábado, 14 de dezembro de 2013

INFÂNCIA PARTE V

 

Foram dias e dias a espera do que parecia impossível chegar. Eu precisava de cautela. Juntei nas mãos minhas dores e as pus no bolso. Eu sentia demais. Meus poros ruflavam sentimentos. A inteligência tinha que vir ao meu socorro. De repente, parece que diviso meus caminhos. Mas como seguir aquele caminho que se apresentava aos meus olhos como a única saída daquele labirinto vazio?


Eu não estava sozinha, eu tinha a companhia dos meus fantasmas. Eles esperavam comigo. Esperava, de repetente, acordar em um novo lar, em um novo quarto. Um quarto com um cheiro diferente. Minhas vestes não seriam mais as mesmas. Tudo exala o novo.

Nessa espera de fuga, eu poderia até ser feliz. Pois o infinito era minha crença. Cantar, quem sabe? Era uma forma de esperar o tempo marchar. Mas minha boca estava selada. Nenhuma nota conseguia romper o destino bucal.

Recorri meu espírito mirim guerreiro. Saí, como quem cata conchas no mar. Olhava para os seres minúsculos que eu poderia pisotear. Minha visão de águia protegia os indefesos como eu.

Minha mente era limitada. Eu não sabia por que os espinhos atravancavam meu caminho. Contudo, sentia que eles tinham que ser retirados com minhas mãos , pés e sangue. Como vagalume fui iluminando um a um. Minha luz era tímida. Eles subestimaram minha fraca luz, tronaram-se displicentes, por isso, eis-me aqui.

Elany Morais
 
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sábado, 14 de setembro de 2013

ARREVANCHE

Não amo o estreito.Sou de um sonho que o desejo padece.A correria do vento me basta.Não almejo galopar em nuvens sombrias.A seta da culpa já não mais me flecha.Eu era dos outros.Abandonei a caverna.Meus pés não estão submersos na areia.Ele...s agora flutuam.Minha memória apagou os salões escuros.Já não me alcaçam.Meu corpo é alado.
Hoje deito na relva,sem o peso do sapato.Meu olhar verde se alargou,sem limite,sem direção autorizada.Minhas unhas não mais me ferem.Não grito mais de frio.Eu sei cuidar do meu eu.
Contemplo as mãos,dos algozes,aflitas na minha distância planejada.Minhas garras me sustentam no alto.Levanto voo na hora certa.Flutuo sobre o vento e sobre a água.Sobrevivo na montanha invisível.Não quero sinais.Ninguém enovelam meu destino.Eu corto as asas nos dentes.O mundo corre comigo.Não sou mais bola parada.A estrada não é mais triste.A noite não é vadia.Não espero a morte.Eu molho as cores.Sujo as mãos de tintas sem temor.As flores nascerão em mim.O tempo não me cutuca.Estou em PAZ.

Elany Morais

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terça-feira, 3 de setembro de 2013

PORTO SEGURO

Anatoly Piatkevich
                                                   
                                                   
O que não quero brota em mim,no fundo de minhas entranhas..Vejo tragar meu destino,onde não quero ficar.Escondo-me no escuro  para não vê as linhas tortas do passado,espero apenas o sopro do vendo para meu destino ficar selado.Entre laços e pedaços,lanço-me descalços nos desembaraços dos meus pensamentos lentos.Vou desfazendo minhas personalidades enrugadas,dilaceradas,em busca de um porto seguro,que não seja um muro,mas que seja um lago sereno,onde a bonança seja o acúmulo de segurança´para um espírito sofredor.


Elany Morais
 
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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

INCERTEZA

 
É aquela que fere por eu não saber sentir o universo sob as cortinas.Faz cair sobre meus olhos a fingida proteção da certeza.Impede que minha alma viva em festa,dilatando meu brilho fusco sobre o perigo.Arranca a liberdade de meus fios rebeldes.Prende o ar sibilante para não congratular com meu ser exigente.Desgasta minha busca obsessiva de soluções. É precisa, é habitação de minha agonia.Está plantada na  indesejada dúvida.Fragmenta meu tímido saber.Obriga-me  a velar pela verdade.Joga às alturas minha raquítica lucidez.Lança-me na garupa do temor.Faz-me experimento oculto.Torna-me complexa.Descarrilha-me.Priva minha audição.Seca a água do meu pulo profundo.Trai-me todos os dias.Desespera-me na espera.Presenteia-me apenas com vivências.Embaça a vivacidade da minha flor.Põe-me em uma redoma transparente.Não me apaixona.Cansa-me.Traz-me o peso das reflexões.Mostra-me o sucesso sob linhas curvas.Mostra-me a verdade com roupagens de engano.Seus olhos vivos ao meu redor são ameaçadores.Borra meus encantos.Faz-me marciana no mundo das certezas.Desmonta minha força divina.Frustra minha esperança de mais uma viagem desconhecida.Oferece-me a sensatez indesejada por mim.Abarrota-me de sonhos desconexos.Não permite que meu mundo se finda na hora pensada.Não me permite conhecer meu querer.Esfacela meu amanhã.Faz rotas minhas decisões.Estreita meus caminhos.Fecha meus conceitos.Impede minha caminhada livre.Desbota minha imagem impressa.Vislumbra meu lençol amarrotado.

 É aquela que desdenha da minha beleza.É,sem mais dúvida,a INCERTEZA.
 
Elany Morais
 
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