Sou educadora e escritora

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

ROGATIVA

ROGATIVA
Elany Morais

O mal, meu Deus, não tem alma
Para a nossa paz, ele é empecilho,
No seu intento não há pai, mãe ou filho
Nem permite nosso fim com calma!

Deus meu, por que não há mais calma?
O mal tirou, do mundo, qualquer brilho,
Quase não há mais pai, mãe ou filho
Que alimentem de ti as impuras almas!

Deus meu, tu ouves minha rogativa?
O que pode haver para que eu viva
Nesta agonizante e triste terra?

Que venha sobre nós um manto branco!!
Para evadir-me do mal sempre me tranco
A privar-me da liberdade aqui nessa terra!


Caxias - MA, 24 de fevereiro de 2015.

Todos os direitos reservados a Elany Morais

quarta-feira, 23 de julho de 2014

NEGRO DE ALMA BRANCA

NEGRO DE ALMA BRANCA ( Crônica)
Elany Morais

A caminho de casa, meus pés já denunciavam cansaço. Reclamavam descanso. Sentei no banco da Praça. Da Universidade. Não se espante, aqui, na minha Princesa do Sertão, os seres inanimados são possuidores. Tudo bem, sem mais enrolação. Eu ali como se estivesse me desfeito de sutiãs, cintas, essas coisas que apertam a gente até na alma, lancei um olhar para fora de meu corpo, onde se encontra o que não costumamos observar.

À minha frente estava um carro estacionado. Parecia que alguém sairia dele. Minha observação me levou a esquecer que eu estava ali apenas para descansar, agora meu objetivo agora era vê a Cinderela sair, sem deixar cair o sapatinho de ouro! Não, não, já dava para ver que não era um sapatinho, era um sapatão.

Saía do carro uma mulher com ar de pouca humildade. Gestos contidos. Olhar nas alturas. Toda arrumada num vestido, não parecia roupa de pobre. Com movimentos leves, levou a mão à bolsa. Vi que a bolsa era imitação de uma grife famosa. Retirou um espelho e pôs-se a olhar suas lindas madeixas. Fixei-me nos cabelos dela, logo vi que era afrodescendente, mas estava com o loiro que era de doer a vista. Daí, surgiram um fileira de interrogações em minha cabeça. Mas veja bem, eu com tantas coisas para fazer, fui querer descobrir os motivos que levaram aquela desconhecida a colorir seus cabelos de amarelo. Isso pode ser coisa de quem não tem o que fazer, mas eu tinha. As perguntas que surgiram advinham da minha lembrança da luta dos negros em se fazerem respeitados no que conferem sua cor, sua raça, sua religião, em fim, no que concerne à sua cultura. E agora que há uma luz na escuridão, há negros que querendo ser branco. Mas é " cada um com seu cada qual." Eu, pelo menos, não tenho admiração pelos meus algozes nem gostaria de imitá-lo. Porém, nessa vida, muitas cores se vai vendo, você pode somar, multiplicar, subtrair e ainda terá um dividendo. É assim mesmo. Sem lógica, sem explicação. A mente humana comanda o corpo e ainda tem gente que diz que é o coração.

Caxias - MA, 23 de julho de 2014.

Todos os direitos reservados a Elany Morais


domingo, 6 de julho de 2014

SAUDADE

SAUDADE
Elany Morais

Como não dizer que a saudade é tanta
Parece-me que jamais haverá jeito
Para aliviar a tua ausência aqui no peito
Que de tanto doer minha alma não levanta!

Não sei se esse meu estado é defeito,
Mas talvez o teu espírito se espanta
Com meu lamento preso na garganta
Sempre quando sem ti eu me deito!

Tua ausência é minha tormenta noturna
Porque vivo presa em eternos delírios
Com tuas formas brancas como a bruma

Que nunca se mostra de maneira diurna
Em largos campos, com lindos lírios
Para que possa te sentir como pluma!

Todos os direitos reservados a Elany Morais

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

PASSADO

Não existe instrumento para medir meu passado.
Não existe acesso para meu código secreto.

Não existe feridas para meu espírito sarado.
Não existe ódio para meu sublime afeto.

Existem  em mim pequenas doses de eternidades.
Existem em mim dores sem feridas.
Existem em mim  promessas com verdades.
Existem em mim mantas brancas cingidas.

Elany Morais

Todos os direitos reservados a Elany Morais