Sou educadora e escritora

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domingo, 5 de novembro de 2017

O MAR SÃO VOZES

 Por Elany Morais

Nunca me foi desmentido, quando eu dissera que o mar eram vozes vindas do céu. Isso jamais será mistério vencido ou vendido. Minhas palavras não foram empenhadas, contudo, talvez não tenham retorno.
O mar é, sim, vozes vindas do céu. Este diz-me que aqui ainda jaz uma estaca presa nos ombros de quem ainda sabe amar direito. Brada que na correria, olhos cegam-se diante de tanta beleza gratuita, que o tempo dos retalhos extinguiu-se. De lá, vem uma voz azul, a confessar-me que neste velho monturo aparência é decência e tapete florido já não se constrói mais.
Se haverá mistérios desfeitos, não serão os das previsões passadas. Mesmo assim, ainda ouço o mar. Às vezes, sua voz é tão doce e macia que parece  pétalas vermelhas suspensas no ar. Em estado de atenção, ouço - o dizer  que numa estrada longa, há um leito refeito, entre ninhos e flores  para os puros descansarem. Não duvido disso. Mas posso, em sonhos, perder-me e não querer jamais me encontrar.
Meus ouvidos estão atentos para as vozes que vêm de lá. Avisam-me que a desconstrução assalta a tudo e a todos. Que é preciso linha de ferro para manter-se em sua forma original, que é a do bem-querer.  Há máquinas produtivas do mal-te-quer. Há inteligências cruéis. A violência é rainha posta.
Ainda hoje ouço o mar. São vozes sábias, apesar de me dizerem verdades pálidas e feias, ainda consigo, com elas, me encantar.

Todos os direitos reservados a Elany Morais

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

EGOÍSMO
Por Elany Morais

Essa de se agarrar no existir faz o egoísmo ganhar formas desproporcionais, tornando-o ilimitado. O temor do abandono pela existência é a raiz de uma luta incessante, em que tudo vale para não deixar de ser seja lá o que for. Mas não basta apenas existir, há em nós, o desejo ambicioso e astronômico de viver com mares, sem dores. Queremos muito, queremos tudo sem perder nada. As privações são nossas ameaças mais potentes, são nossos eternos fantasmas, “nada pouco camarada”.
O bem estar no existir é nosso ouro mais almejado. Por isso nos valemos de qualquer ação, na tentativa de usufruir uma existência repleta de alegrias e prazeres. Mas apesar de tantos esforços egoístas, a ingratidão da vida nos atinge, empurrando-nos para o inevitável. É disso que provém nosso egoísmo doentio de querer ser, estar,  viver com prazer, independente de cabeças pendidas, de sangue vertendo das veias alheias, de olhos aflitos, de bocas convulsas...
É o egoísmo que exalta, alimenta e fortifica nossa vaidade. Esta, na certeza da fonte insecável, adquire o poder de existir nas mais diferentes formas, seja disfarçada de boa moça, ou oculta -sempre num invólucro de humildade.
Inútil. Tudo é inútil. Ninguém escapa da inexistência ou de um existir com dores, ilusões ou desilusões .Tudo é apenas presunção que veio na embalagem humana.


Caxias- MA, 02 de setembro de 2015.


terça-feira, 7 de outubro de 2014

CANÇÃO TARDIA

CANÇÃO TARDIA
Elany Morais

Perdoa-me se não te sinto.
Não posso chagar a ti....
Estou presa nesse mundo
E do amor me perdi.

Para que me serve tanto amor
Se tenho preguiça de sentir?
Fizeste para mim tapete de flores,
Mas nas dores me perdi!
De que me serve teu coração
Se nunca pude arrebata-lo?
Lamentarei por tudo que não fiz.
Talvez eu ainda faça uma canção
Por não ter entrado em teu coração
E ter mantido uma vida triste e infeliz!

Caxias - MA, 07 de outubro de 2014.

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quarta-feira, 25 de junho de 2014

REMIDA

REMIDA
Elany Morais

As dores passadas não ficarão em minha memória
Nem que eu lute sempre, sempre cada vez mais
Até que os lenços sejam pendurados nos varais ...
E eu cante esplendorosa o hino da vitória!!

Não erguerei mais a taça sobre os gemidos,
Com dores, angústias e alma em frangalho
Como pequena folha seca em um galho,
Cobrindo-se de fracasso dos vencidos.

Caxias -MA, 25 de junho de 2014.

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domingo, 1 de junho de 2014

AS DUAS FACES

AS DUAS FACES
Elany Morais

Há quem me diga
Que no coração
Só se deve guardar boa recordação; ...

Mas nas nossas malas cabe tudo:
Dores, rancores, amores, desilusão,
A lembrança do perfume
E da última canção.

Pois nessa vida
Somente o belo não há
Há o nosso escuro que é feio
E a luz que não é má.

Caxias -MA, 01 de junho de 2014
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domingo, 27 de abril de 2014

DUAS ALMAS

DUAS ALMAS
Elany Morais

Duas almas navegam
No amor, no apego,
Na poesia interna e...
No sossego.

Duas almas entoam o canto
É disso que falo:
Nele não há dor nem pranto,
Nem devotamento falso!

Duas almas não anoitecem,
Nelas há canteiros com flores,
Os pudores fenecem
Nas ciladas das dores.


Caxias - MA, 27 de abril de 2014.
 
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sábado, 12 de abril de 2014

ALMA ERRANTE

ALMA ERRANTE
Elany Morais

Vou trilhando, triste, com o coração palpitante.
Dias vêm-me trazendo lágrimas quentes e solitárias,
Sem esperança de almas valentes e visionárias,...
Mas fechada para o mal que para muitos é fascinante!

Existe um caminho que para minha alma seja purificante?
Pois dores, angústias, tristezas, desamor, assim são várias
A fazer-me evadir para o mundo de coisas imaginárias
Que para meu espírito aflito, refugiado torna cativante!

Caxias - MA, 12 de abril de 2014.

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sábado, 29 de março de 2014

AS DORES DE D. DOLORES

 
AS DORES DE D. DOLORES

Elany Morais

D. Dolores vivia sozinha com suas dores,
Na vida de D. Dolores, tu verás a solidão
Se lá tu fores!

O que se passava com D. Dolores?
Não sei se vivia de mágoa ou de
Velhos rancores.

Muitos dizem que D. Dolores
Foi refém mulher de muitos
Senhores.

D. Dolores, quando jovem foi
Motivo, em sua cidade,
De muitos rumores.

Hoje vive sozinha, com suas dores,
Amparada apenas por seu jardim
Coberto de flores.

Caxias - MA, 28 de março de 2014.
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sexta-feira, 28 de março de 2014

RENASCIMENTO ANÍMICO


Elany Morais


Fui crescendo, no silêncio da dor. Minha esperança florescia na minha memória, a cada dia. O tempo me devorava, sim, mas com a cautela devida. Minha força seguia a se desfragilizar e eu ensaiava uma nova melodia da vida. Colecionar novas pedras de novo? Jamais.

Vou indo rumo a doce colheita de flores, pronta para tomar posse da parte que me cabe nessa existência. Aos poucos, fui sacudindo a lama que impedia minha ascensão, pacientemente, eu acendi a luz que  havia se perdido na escuridão.

Quero assistir  à última  festa, de alma serena, pois minha alma está em crescimento e nenhuma amargura será mais a minha algema. Estou a plantar paz, sem as mudanças eu entender, mas estou a espera de chuva para fazê-la  nascer.

Como raiz da terra regada por água corrente, seguirei nascendo e crescendo, à despeito das dores que brotam na gente.
Caxias - MA, 28 de março de 2014.
 
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sábado, 8 de fevereiro de 2014

VÁCUO

VÁCUO

Um lampião, uma paciência, amarei-os na minha saudade sem nome e sem objeto sentido. Atei as duas pontas da linha do meu infinito que jogava em minha face o gosto amargo do fel. Saldei o silêncio da lua com lábios mudos, olhos perd...idos e mãos postas para o largo sem margem e sem rumo certo. Cantai com voz rouca o hino da solidão, sem luto, sem alegria, sem prazer, sem lenço e sem me maldizer. Varri para a sombra do pensamento minhas dores, meus delírios, meus vícios e meus desamores. Joguei fora todas as esperas, as esperanças, o risos frouxos, as palavras bobas e os olhares displicentes que sempre pega a gente. Juntei as folhas secas, os troncos mortos, o desperdiçados e tudo que foi jogado no lamaçal do passado.

Elany Morais

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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

VISÃO ONÍRICA

VISÃO ONÍRICA

Lá eu era vivente alado. Não havia noite nem dia. Tudo era impreciso entre a tristeza e a alegria. Nenhuma canção tinha início ou fim, faces se aproximavam ao mesmo tempo que corriam de mim. Os sons possuíam vozes surdas, estradas se estreitavam com línguas enormes e mudas. Para meus olhos não havia estranheza porque minha memória não guardava feiura ou a cobiçada beleza.

Neste mundo aberto, mar não sei se existia, mas meus cabelos molhavam com um líquido que com frequência subia. Com as mãos espalmadas, pontos brilhantes eu pegava, a luz era tão forte que meus olhos encadeados cegavam. Lá, cabeça nem todo mundo tinha, muitos viravam ao avesso ; outros não sabiam o que lhes convinha.

O tempo, lá, nunca encontrava um ínfimo espaço, pois relógios não contavam minutos de quanto durava um abraço. A angústia e o tédio, neste ambiente, não nasciam nem mesmo se renovavam porque muitos de suas dores não sabiam.

Ninguém ousou cantar o instante porque tempo não existia, ninguém chorava horrores, pois desconhecida era a agonia.


Elany Morais
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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

ERA UM DIA DE DOMINGO - PRIMEIRA PARTE

 

Todos os domingos já tinham acontecimentos esperados, previsíveis. Tudo era recheado de mediocridade e hipocrisia. Todos os atos eram seguidos à risca como manda a santa "igreja". Todas as ações deveriam acontecer como deveriam ser, se o coração não fosse capaz de colecionar dores. Os verdadeiros desejos deveriam ser jogados para baixo do tapete como se fossem sujeiras nas mãos dos preguiçosos.
 
Mas aquele domingo não seria como um qualquer. Pela imposição do mistério da existência, meu olhos se abriram com a certeza de que o sol estava de luto. Luto pelo riso que não veria, pela exaltação que não receberia. O coração suspirou por causa de sua triste sina:  renovar sempre suas dores. Parada, com os pés pálidos, sobre o frio chão da manhã, só pude dizer uma palavra: hoje a ventania gritará forte.
Em nenhum momento, tentei iludir minha desgraça que estava por vir. Mas eu estava desarmada, desamparada, só com o peito à frente, com todos os seus remendos mal costurados, com suas cicatrizes deformadoras. Um pensamento me veio: a dor, com sua terrível face, não mais me assombra. Contudo, por um instante, vi-me caindo como um grande astro.

Elany Morais
 
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domingo, 12 de janeiro de 2014

SONETO DA MALDIÇÃO


Ela andava por entre os roseirais
Como se fosse um tapete ao luar,
Tão branco era o ramo de florais,
Sob rumor do pássaros  a cantar!

Com a face amargurada pela vida,
Não percebia as belezas naturais,
Via as mãos calejadas pela lida!
E afagava os sonhos marginais!

Sentia-se maldita por ter nascido,
Pelas dores que vinha a padecer,
Amores e dádivas havia perdido!

E muitos anos vivia sem prazer.
Diferente, tudo poderia ter sido,
Pela vida que ela deixou de ser!

Elany Morais

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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

PROIBIÇÃO

Assegura-te tenazmente em me amar.
Minha novidade se desgasta duma vez
Das minhas dores não se pode cansar
Meu sono não vive depois das três. 

Para evitar a frustração do teu amor
Não contarei virtudes leito de morte
Nem triunfarás nos contratos da dor
Se me amarás não terás muita sorte.

Amar-me não custa um valor barato
Contudo pode-se me odiar também
Dos meus delírios hás de ficar farto
Mas não anseio o ódio de ninguém.

Elany Morais

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sábado, 21 de dezembro de 2013

SÚPLICA



 Ouça meu coração
Ele pulsa baixinho
Renega a solidão
E implora por carinho....

Veste-se de pressa teus amores
Aplaca minha alma
E alivia minhas dores.

Fortaleça minha esperança
Alegra o meu viver
Padeço na insegurança
Não quero mais padecer.

Elany Morais

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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

ABISMOS DA ALMA

A tristeza tem um poder infinitoSe não conhece não tente encontrar
Com a sombra da morte vem buscar
Deixando qualquer espírito aflito.

Os seus abismos tristes sempre fito
Mas não sei em que fim vai dar
É tanta dor que não vai parar
É nesse fim que então medito.

Com dores deixo tudo até as flores
Nada em mim  mais cabe
Pois só existe somente dores.

Elany Morais

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terça-feira, 26 de novembro de 2013

CORAÇÃO VALENTE


Angústias, mágoas, dores, desamor
Durante o percurso da existência,vão
Como fogo em terra funda
A cada dia torna em cinza o coração.

Esta cinza com o passar do tempo eleva-se num grau
Que nem os mais desumanos sentimentos afetam
É tal qual escudo, impassível em geral
Ou proteção de aço as feridas acertam.

Elany Morais

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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

RECINTO

Neste velho recinto
com um copo de vinho  tinto
Nada mais nesse peito sinto
Apenas minhas dores que agora pressinto.

Elany Morais

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sábado, 5 de outubro de 2013

MUTÁVEL


Mutável eu sou. Meus velhos sapatos já não me satisfazem mais. Meus desejos não crescem mais dentro de mim.  Minhas blusas desbotadas não me autorizam a displicência plangente. Minha identidade não se encontra nas coisas tangíveis. Minhas mãos correm em busca do avesso. Meu tempo morreu. Preciso reinventar meu próximo barco para que eu prossiga o meu navegar.

O fogo que consome meus encantos, faz-me seguir em outros caminhos, talvez, mais estreitos, com desfiladeiros espinhosos. Mas as adversidades alongaram minhas pernas, endureceram meus pés, erigiram meus braços, ofuscaram meus olhos... Se tenho visão de túmulo vazio, são marcas das dores vencidas no desenrolar da vida.

A sombra da minha dor não engrandecerá no meu ser, ilusões não serão meus sonhos irrealizáveis, meu mole cansaço não estará mais em minha tediosa companhia. Rolarei pelo espaço, não abrirei meus braços para quem quer fazer arruaças em meu pequeno espaço. Se não me conheço, não me aventurarei em mais nenhum começo, pois será sempre do mesmo jeito do que já tem sido feito.

Não sou pouco espantosa, mas mudo de casca sempre quando o infortúnio me acha, e se isso me rechaça, lanço fora minha casaca e sem destino certo me jogo em outras paragens, sem garantia de retorno para as mesmas paisagens.

Mutável, penso que ainda sou, não permaneço com o mesmo vento que me enche de tormento, e me sustem no vício do lamento. Depois de tantas tempestades e naufrágios não me dou a ousadia de ficar estática, esperando um destino duvidoso. Faço uso do papel colorido que a vida ainda não me confiscou, amasso- o para recomeçar, com esperança de novas andanças sem os velhos dissabores que me inundam de desgostos pavorosos desse fim tedioso, que é deixar a terra sem saber o certo se o fim está longe ou perto.

Elany Morais

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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

PASSADO

Não existe instrumento para medir meu passado.
Não existe acesso para meu código secreto.

Não existe feridas para meu espírito sarado.
Não existe ódio para meu sublime afeto.

Existem  em mim pequenas doses de eternidades.
Existem em mim dores sem feridas.
Existem em mim  promessas com verdades.
Existem em mim mantas brancas cingidas.

Elany Morais

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