Sou educadora e escritora

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sexta-feira, 1 de maio de 2020

TRABALHADOR OU ATIVO NA DOR?


Por Elany Morais
Maria lava, lava... Enxuga...
Corre e sobe escada.
Quase não desce ,
Porque Maria está cansada!
Todos dos dias Ela
Sobe qualquer escada.
Maria não dorme porque
sai de casa de madrugada!
Maria anda com pressa pelas
Calçadas, mas só chega em
Casa à noite quase fechada!
Até parece que Maria não tem
Vaidade com nada, suas roupas
Rotas é o assunto da rapaziada!
Maria não chora, nem reclama
Dessa vida desarranjada, mas
Que sina é essa de viver
subindo e descendo escada?
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domingo, 7 de junho de 2015

LUTA

LUTA
Elany Morais

Era um viver numa luta insana
De paixão que me arrastava!
No desespero, eu acreditava
Que era uma luta muito desumana!

Como poderia ser eu ufana,
Se nem alegria em mim durava?
A sina minha foi nascer escrava,
E essa vida hoje é o que se dana!

Os desígnios dessa luta eram tiranos,
Nenhum entendimento me coube
Para desfazer meus desenganos.

Só peço que a sepultura não me roube
Os primores dos meus melhores anos
Porque evadir dessa vida eu não soube!

Caxias - MA, 07 de junho de 2015.


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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

ESCRAVA

ESCRAVA
Elany Morais

Se me queres como escrava, então corte
Essa desfigurada pessoa
Que apenas espera que o verme roa
Toda corpo podre que deixará a morte!

Sei que essa é minha triste sorte
De não ver mais os patos na lagoa,
De não comer aqueles doces de broa
E não ter mais meu corpo forte!

Então, devolva-me a liberdade e a vida
Pois vivo como folha caída
Em solo frio e infecundo.

Vivo contigo presa na saudade
Igual condenados entre grades
Como pagasse o pior crime do mundo!

Caxias - MA, 30 de dezembro de 2014.

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quarta-feira, 23 de julho de 2014

NEGRO DE ALMA BRANCA

NEGRO DE ALMA BRANCA ( Crônica)
Elany Morais

A caminho de casa, meus pés já denunciavam cansaço. Reclamavam descanso. Sentei no banco da Praça. Da Universidade. Não se espante, aqui, na minha Princesa do Sertão, os seres inanimados são possuidores. Tudo bem, sem mais enrolação. Eu ali como se estivesse me desfeito de sutiãs, cintas, essas coisas que apertam a gente até na alma, lancei um olhar para fora de meu corpo, onde se encontra o que não costumamos observar.

À minha frente estava um carro estacionado. Parecia que alguém sairia dele. Minha observação me levou a esquecer que eu estava ali apenas para descansar, agora meu objetivo agora era vê a Cinderela sair, sem deixar cair o sapatinho de ouro! Não, não, já dava para ver que não era um sapatinho, era um sapatão.

Saía do carro uma mulher com ar de pouca humildade. Gestos contidos. Olhar nas alturas. Toda arrumada num vestido, não parecia roupa de pobre. Com movimentos leves, levou a mão à bolsa. Vi que a bolsa era imitação de uma grife famosa. Retirou um espelho e pôs-se a olhar suas lindas madeixas. Fixei-me nos cabelos dela, logo vi que era afrodescendente, mas estava com o loiro que era de doer a vista. Daí, surgiram um fileira de interrogações em minha cabeça. Mas veja bem, eu com tantas coisas para fazer, fui querer descobrir os motivos que levaram aquela desconhecida a colorir seus cabelos de amarelo. Isso pode ser coisa de quem não tem o que fazer, mas eu tinha. As perguntas que surgiram advinham da minha lembrança da luta dos negros em se fazerem respeitados no que conferem sua cor, sua raça, sua religião, em fim, no que concerne à sua cultura. E agora que há uma luz na escuridão, há negros que querendo ser branco. Mas é " cada um com seu cada qual." Eu, pelo menos, não tenho admiração pelos meus algozes nem gostaria de imitá-lo. Porém, nessa vida, muitas cores se vai vendo, você pode somar, multiplicar, subtrair e ainda terá um dividendo. É assim mesmo. Sem lógica, sem explicação. A mente humana comanda o corpo e ainda tem gente que diz que é o coração.

Caxias - MA, 23 de julho de 2014.

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sábado, 28 de setembro de 2013

PENSAMENTOS

No meu ser,há sempre uma desordem sem qualquer esperança. Meu cansaço faminto desorganiza tudo o que nunca foi erguido,alinhado,sequenciado.Minhas certezas tornam-se friorentas e voam ao longe.Minhas palavras escurecem,trançandos fios entre meus pensamentos.Meus revoltos pensamentos se sebmetem a escravidão sem nenhuma ocupação palpável.Eles são servos de ordens exageradas.Pairam além do que penso.Reconforta-me saber que meus pensamentos amenos  me embalam.
 
Elany Morais
 
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