Sou educadora e escritora

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domingo, 19 de abril de 2015

CANSAÇO

CANSAÇO
Elany Morais

Estou inerte, estou passível, estou cansada
Como, do sino, as últimas notas pungidas.
Eis-me aqui com minhas dores indefinidas
Que assolam essa alma aflita e fadigada!

Agora o que me resta? O crepúsculo gelado
Que me acompanhará por toda esta vida?
Já não tenho mais vigor para vozes gemidas
Nem remédio para este coração dilacerado.

Prostro-me com a cabeça grávida de fadiga!
A morte ronda-me como uma eterna amiga
E o desânimo, todo o meu ser, ele governa.

Horas de dores, finalmente, vem o delírio.
A alma cansada não resiste mais martírio,
A ansiar o fim da agonia que parece eterna!!


Caxias - MA, 19 de abril de 2015.

Todos os direitos reservados a Elany Morais

domingo, 22 de junho de 2014

PROFISSÃO DE FÉ


PROFISSÃO DE FÉ
Elany Morais

Ensina-me a fazer um rosário de alegria. Pacientemente, contarei conta por conta, sem me fadigar. Ensina-me a apagar as chamas que destroem a próxima prece. Instrui-me a prender a vontade de fugir. Diz-me como posso não mais atirar palavras ao vento, num tempo, que sempre passará e que jamais voltará. Ensina-me a não me conformar em ver somente as nuvens passarem. Confessa-me a conjugação estelar noturna. Conta-me como dizer adeus sem o aperto cruzado no peito. Revela-me o segredo de rasgar o véu, onde se encontram todos os mistérios da existência. Não oculta de mim: como dizer até logo, querendo ficar. Não me repasse a herança da prisão dos passos velozes. Vigia-me as lições da ausência indesejada. Revela-me a geometria do amor perfeito. Conserva em mim o temor da batalha fútil. Ajuda-me crer no que é possível, desilude-me da eternidade ilusória. Ensina-me a criar o que não me será ofertado. Deixa-me cantar a canção dos mudos. Desvirtua minha pontaria única. Reza comigo, pois o baile parou e os pés juntaram-se na poltrona dos esquecidos.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

COISAS HUMANAS

 COISAS HUMANAS
Elany Morais

É sempre assim: um assombro surge a toda hora,
E se anoitece, a loucura humana me apavora.
Viver assim, causa-me fadiga,
Pois esse repetir é uma luta antiga.
Valores falados é uma doutrina morta,´
Por isso, vejo a vileza humana bater a minha porta.
À cada hora, meus passos querem fugir devagarinho,
Para não mais ouvir tantos ais,
Mas o minha agonia se instala de mansinho.
Quem não acordar para os assombros, poderá ser tarde demais.

Caxias - MA, 09 de abril de 2014.
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais