Sou educadora e escritora

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segunda-feira, 25 de maio de 2015

TEUS VÍCIOS

TEUS VÍCIOS
Elany Morias

A árvore nunca prova de seus frutos,
assim como tu nunca provarás dos gestos
meus, se o rio não bebe de suas próprias
águas, por que te deleitarás com os vícios teus?

Ferozes, vorazes vícios teus que  fecham
os caminho meus, que destino terá meu
sossego, assim perseguido pelos vícios teus?

Se meu barco ainda anda vagaroso,
isso é por destino meu, se as nuvens não
se lavam com suas próprias águas,
por que deleitarás com os vícios teus?


Caxias - MA, 25 de maio de 2015.

Todos os direitos reservados a Elany Morais

sexta-feira, 4 de julho de 2014

SOU

SOU
Elany Morais

Sou um pouco de  quase tudo:
Sou pássaro com voo largo,
Que voa alto sem bico mudo. 

À noite, sou vento manso
Ao som leve, apenas danço!

Passageira, sou como a lua
Passo, mansa, leve, lívida
E completamente nua!!

Às vezes, mar eu sou:
Brava, ondeio-me, rujo,
Canto e vou!!

Como mata, libero ar, protejo
O mar, mantenho os rios,
Mas com tempo para secar!

De repente, sou como toda gente
Que ri, chora, ama, canta e mente!

Também sou livro aberto
Que abre a porta do caminho
Certo!

E por que não dizer que sou um
Poço imundo? Como água
Suja não mato a sede do mundo!

Mas logo posso ser um som clássico
Com a leveza, com a delicadeza
 E o movimento
Plácido!

Caxias - MA, 04 de junho de 2014.
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais

domingo, 8 de dezembro de 2013

INFÂNCIA PARTE III



 Aquela foi uma de muitas das noites demoradas. Vestia-se com o fio da infinitude. As nuvens com suas vestes brancas colocavam sobre minha cabeça suas mãos para consolar-me. As estrelas, todas pareciam se aninharem sob...re meu colo, na tentativa de não me deixar sozinha. Os grãos de areia segredavam-me que não adiantava desesperar-me.

A ausência daquela que devia me proteger, jogava-me nas sombras do que eu ainda desconhecia. Essas sombras ganhavam vida própria diante dos meu olhos que somente tinha a cor e não a extensão do mar.

Meu pensamento limitado dizia-me insistentemente que eu estava entregue ao destino, sem bagagem, sem documento, sem vestes, sem escudos... Eu estava entregue a um futuro duvidoso.

Por vezes, eu exigia que meus gritos silenciassem-se para que eu pudesse ver e ouvir o que existia no silêncio da noite. Eu queria saber qual perigo me espreitava. Surpresa com os adiantados das horas, eu ouvia, bem próximo de mim, o cantar de um pássaro que vagava como eu no silêncio da noite. Ouvir tão canto, acreditava eu que aquela ave sabia que eu desejava uma cantiga de ninar. Eu dizia baixinho: o mundo é só nosso. Existem apenas dois habitantes nessa imensidão: eu e você.

Revisitada pela respiração, eu ensaiava mais um grito. Um grito cheio de esperança de vozes. Meu anseio era desesperado para que meus ouvidos ouvissem, mesmo que bem distante, uma voz que me dissesse: "já vou."

Era um grito, dois... E assim se sucediam muitos de muitos, respostas desejadas eram negadas. Era o mundo jogando sobre mim a sua pesada mão. Era o mundo me dizendo que minha estada não seria um caminho regado a brisas e flores. Indiferente, eu permanecia na tentativa de me salvar. Salvar-me do medo, da solidão, do abandono , do desamparo, do desespero...

Eu precisava de comandante para minha vida. Eu não sabia o que fazer de mim. Consciência eu tinha da minha existência e que eu tinha que lutar com todas as forças para preservá-la.


Elany Morais
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