Sou educadora e escritora

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

VALORES MODERNOS

VALORES MODERNOS
Elany Morais

Minha esperança é mortal, pois não acredito que um dia voltaremos a ser gente. Uma sombra escura borrou os valores humanos. Quando criança, nunca pensei que chegaria o dia de se chavear e gradear portas e janelas para dormir e, muito menos, para poder permanecer acordado. Na vida escolar, eu percebia que ser professora(o) era uma grande honra, pois esta profissão era digna de respeito. Nos lares, os pais eram as autoridades máximas, incontestáveis, indubitáveis, respeitáveis e confiáveis. Os vizinhos eram nossos padrinhos e guardiães. Existia tempo para conversas face a face, olho no olho. Sentava-se nas calçadas, havia prazer em contemplar a luz da lua e contar as estrelas. As armas mais ofensivas eram os estilingues. A guerra mais sangrenta era a de facão. Os beijos e abraços eram apenas por prazer de sentir o outro. A sonata das aves era um espetáculo imperdível, mas atualmente, este concerto musical perdeu para o funk. Lembro que ainda vi pessoas tremerem de medo da polícia, outras a viam como o super-homem, destinada apenas à proteção do cidadão. Diferente de hoje, que vestir uma farda policial é comprar sete palmos de chão no subsolo, ou então, obter autoridade para matar inocentes, “na forma da lei.”

É triste dizer, não estou sendo pessimista, que na atualidade, o TER não tem linha de chegada, e o SER; de partida. É um querer TER sem fim. E o respeito e a solidariedade? Morreram. Hoje, os direitos só para quem destrói a vida, a dignidade e a honra alheia. Os assassinos têm voz e vez. Os direitos humanos são apenas para os desumanos. O que temos hoje? Inversão de valores. Os valores modernos supervalorizam o EU, destruindo o TU. Aonde vamos chegar por esse caminho? A um mundo que jamais será de gente.

Todos os direitos reservados a Elany Morais

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

PRISÃO

Vivo! Mas vivo presa a milhares e milhares de raízes daninhas. Prisão que comprime minha lucidez e torna minha matéria fria, repetindo continuamente o vazio que habita mim.  Contudo, essa cadeia de abismo não me submerge no mar das impossibilidades, da paralisia, da desistência e da morte.

De pés atados, mas ando, na prisão do destino, que me amarra desde pequenina. Todos os dias, transponho muros à minha volta, mesmo sendo, a cada dia, encoberta  por uma terrível sombra. Embora realizo sucessivos passos, sou traída pela falsa esperança de cear com a tal desejada liberdade.

Sejam minhas mil incoerências o motivo da infinita cegueira  que me priva de encontrar a direção de portas sem nenhuma fechadura, em vez de muros,  que me cercam por todos os lado. Mas continuo a olhar. Olho, olho... Vejo pássaros negros espalhando valores hipócritas. Esses são os quase intransponíveis muros.

Debato-me na cadeia de verdades que são mentiras, que minha alma não absorve e se rebela. Todo o mal está caduco, é isso, é isso, mas ninguém enxerga.

Elany Morais

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terça-feira, 29 de outubro de 2013

O BICHO HOMEM

Meus olhos, com lentes de aumento, presenciam os horrores do caos mundano: a insensibilidade carregada pelas faces considera delituoso qualquer tipo da ingenuidade. Andar tranquilamente pelas ruelas são sinais consistentes de demência. A culpa condena pelo que come e o que se deixa de comer. Felicidade encontrada é mais um caso de casualidade gratuita. Enquanto farto-me, seres da minha espécie vaga com o sino na barriga, alertando-o da ausência de alimento, mesmo assim, continuo a ignorar e a desprezar o que é necessário para outros. A sabedoria dos livros são elementos de pequena grandeza, um jeans desbotado arremata o leilão das atenções dos superficiais. O bem recebe seu quinhão com o mal propagado em todas as extremidades espaciais. Como não dizer que vivemos em tempos sombrios? Como não dizer que o mundo está fardado com as vestes da desordem?
 
Hoje o império é da fome, é dos reis sem nomes. Hoje o reino é da violência, onde os impotentes pedem clemência. Estou em meio a turbulência da insaciabilidade, da insensibilidade, da deslealdade...Sinto-me privada de dormir o sono dos justos. Durmo entre falsos proclamadores do amor, as palavras são traiçoeiras, um abraço pode ser uma sutil ratoeira. Acreditar é fraqueza, o superficial  e sinônimo de beleza. Será que não posso dizer que este reino tornou-se um caos?
 
Valores são trocados como um sapato velho, sem nenhuma utilidade. O ódio tornou-se grito de guerra, a destruição do  que não se pode reconstruir tornou-se um desafio para os gananciosos.
 
O homem não mais ama sua imagem, perdeu o sentimento de preservação da espécie. O homem perdeu o trem, mas não pode correr, atrasou-se para o barco, porém não pode navegar. Esse ser pensante prendeu-se no seus feitos, só constroem  relógios, contudo não sabe o que fazer do tempo nem mesmo de si.
 
Elany Morais
 
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