Sou educadora e escritora

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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

INCOERÊNCIA

INCOERÊNCIA
Elany Morais

Tudo em mim cheira incoerência,
Quem propôs em mim fixá-la?
O contrário por mim resvala,
Sem qualquer benevolência!

Mas minha incoerência há de virar ouro,
Pois é tudo que a Deus sempre peço
Para transformar o contrário em tesouro,
Mas que não me mate por excesso!

Essa incoerência em mim parece quebranto,
Porém o seus espasmo eu sempre venço,
Pois na vida em nada me convenço,
Mas na incoerência vivo entanto!


Caxias - MA, 13 de janeiro de 2014.

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domingo, 19 de outubro de 2014

  
BABILÔNIA
Elany Morais

É um turbilhão de informações incoerentes, desencontradas, mentirosas, descaradas... O mundo enfureceu-se, mastiga todas as verdades, excreta- as, no lixo. A lealdade agora é apenas farejada. A liberdade se perdeu. A razão enlouqueceu e o que se profetizou não deu.

Todos estão à beira do moinho. Não há caminho certo para seguir. Os olhos se embaçaram. Não se sabe mais quem são os injuriados, injustiçados, desamados ou desalmados. Todo mundo quer. Mas há os que descansam os pés, espoliam o outro e zombam de qualquer fé.

A babilônia chegou. É uma profusão de vaidades, de quereres, de ganâncias, de maledicências e de insanidades. As virtudes se transfiguraram. A humildade se vestiu de hipocrisia, o egoísmo  e o egocentrismo antimoral na mente de muitos se solidificaram.
 
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segunda-feira, 31 de março de 2014

AS INCOERÊNCIAS DA LÍNGUA

INCOERÊNCIAS DA LÍNGUA
Elany Morais

Ignóbil, traiçoeira e vil é a língua com fúria,
Revela pecados mortais, conta e braveja,
Condena o obscuro alheio e sua peleja,
Sobrando apenas secura e injúria.

Profere delícias, dores, angústias e luxúria,
Canta mortes, partidas e sonho que almeja,
Fala de mares e barcos que nunca veleja
E destila belezas, tristezas, mágoas e feiúra.

Caxias - MA, 31 de março de 2014.
 
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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

INCOERÊNCIA

E ainda me pedem coerência! Reclamam amor e,se este chega, prendem-no como um pássaro na gaiola, emudecem a sua voz, usam todas as armadilhas para mata-lo, enterrá-lo e viverem livre de seu me e fel.
Negociam-se verdades, querem-na, exigem-na, fazem dela um tripé essencial para a felicidade, mas quando esta chega, guerras se armam, amores se desfazem, amizades se desintegram-se. E todos se calam. Não sei nada!

E ainda me pedem coerência! Quando todos cantam: "juntos queremos estar perto de ti." Nossos portões são cerrados, portas casam-se com chaves. Grades se alteiam para me proteger do meu vizinho, preciso de uma máquina compreensiva que jogue minhas palavras para algum interlocutor. Não sei nada. Não compreendo a dinâmica da vida.!

E ainda me pedem coerência! Muitos proclamam um paraíso, onde" emana leite e mel", mas nunca se arrumam as malas para partirem nessa direção e, muitos  quando partem,  partem chorando pela dor de uma terrível punição. Todos vão até as suas últimas forças no caminho do adiamento para o lugar onde não haverá  mais dores nem prantos. Não sei, não sei nada!

Por essas e muitas contradições que nem tentarei dizer como são as coisas da vida e como ela deve ser. Não posso descer de mim e adentrar no mundo do outro para olhar o universo com olhos que não são meus. É melhor calar e escutar aonde as contradições vão chegar. Não sei nada. Não compreendo a rota da vida.

Elany Morais

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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

PRISÃO

Vivo! Mas vivo presa a milhares e milhares de raízes daninhas. Prisão que comprime minha lucidez e torna minha matéria fria, repetindo continuamente o vazio que habita mim.  Contudo, essa cadeia de abismo não me submerge no mar das impossibilidades, da paralisia, da desistência e da morte.

De pés atados, mas ando, na prisão do destino, que me amarra desde pequenina. Todos os dias, transponho muros à minha volta, mesmo sendo, a cada dia, encoberta  por uma terrível sombra. Embora realizo sucessivos passos, sou traída pela falsa esperança de cear com a tal desejada liberdade.

Sejam minhas mil incoerências o motivo da infinita cegueira  que me priva de encontrar a direção de portas sem nenhuma fechadura, em vez de muros,  que me cercam por todos os lado. Mas continuo a olhar. Olho, olho... Vejo pássaros negros espalhando valores hipócritas. Esses são os quase intransponíveis muros.

Debato-me na cadeia de verdades que são mentiras, que minha alma não absorve e se rebela. Todo o mal está caduco, é isso, é isso, mas ninguém enxerga.

Elany Morais

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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

IMPROVISO

Não herdei a arte do improviso.Maldita arrumação! Deixar para manhã é eco de dores. Tudo é aqui agora! Queria eu beber água como se fosse os melhores bebidas.Péssima mania de dá nome as coisas! Nunca quero pisar em falso. Às vezes,misturo as coisas.Às vezes,tenho diálogos totalmente sem voz,mudo,mas não surdo.
  Rasgo meu papel de completude.Quero ficar aqui,ir ali,por uma vírgula onde não deveria estar,desando-me para acolá.Não quero guardar o que há em mim.Eu sei costurar sonhos.Vez por outra,perco-me.Sem improviso,junto as pontas e encontro um novo rumo,uma nova direção com nome e sobrenome.Não quero os aplausos dos coerentes.Incorência são meus espinhos.Meu coração tem ansiedade em máxima potência.Ficar quieta dói.Se me torno uma ilha,não tenho garantia de que a brisa vem ao meu encontro.Se no meu escarccel, eu me despedaço toda,junto cada parte,ponho na bolsa e carrego com ferro e força.


Elany Morais
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