Sou educadora e escritora

sábado, 9 de julho de 2016

FUNK





É de conhecimento de todos que o funk é um “ritmo musical” bastante popular no Brasil, principalmente nas favelas do Rio de Janeiro. Mesmo tendo surgido nos EUA, mas foi nas periferias que ele foi se modificando, fundindo-se com outros estilos, como Axé, Forró, Rap, Hip Hop, até se tornar no formato que é hoje.
Infelizmente, o funk também tem assumido o papel rebaixar a cultura musical brasileira, pois muitas vezes, usa a banalização do sexo, da droga e da violência para fazer sucesso, além de se valer de letras que desvalorizam o gênero feminino. As danças, na maioria das vezes, são encenações puramente pornográficas. O estilo musical difunde a ideia de que viver de bem com a vida é beber, relacionar-se sexualmente com vários homens ou com várias mulheres, abrangendo não só a população pobre, periférica, mas também os grandes centros urbanos, vestindo a capa de música e dança moderna.

Elany Morais

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sexta-feira, 8 de julho de 2016

O CIÚME MAL EDUCADO


Por Elany Morais


Denuncio o horror alucinante de me consumir. E o que me consome tem nome: é um querer insatisfeito, é um ter menos do que se quer, é um querer mais do que se tem. É a dor do imaginar. É a azia da alma.
Foi isto que aconteceu: o amor em mim adoeceu. Laçou-me o ciúme, com seus tentáculos da vaidade, da insegurança, do controle, da posse, do pertencimento...Em vão as tentativas de desvencilhar-me. Nasceu e cresceu, em mim, um querer apressado, afobado, solitário, tirano, mártir e martirizador... Faz-me andar na corda bamba. Imerge-me na vulnerabilidade. Joga-me na incivilidade, pois é um ciúme mal educado. As censuras são instantâneas, as perguntas são à queima-roupa. O interrogatório é sucessivo - não para nem respira. O fiasco é parceiro. A cobrança é imediata. A conta não tem juros. Não há tempo para premeditação nem para dissimulação. Nada fica para depois.Tudo é delírio. Flores já não há mais. Braços e abraços, os da sombra. O peito, lugar de blasfêmias e injúrias. Um desespero sem fim. Até o riso é pavoroso. É um show de miséria e embriaguez.. É o mal que nasce. A carência vira crime e a felicidade é apenas sonho.
Denuncio o horror desvairado que me traga. Os dias tornam-se sombrios, e as noites; lentas. E me desgasto no outro. Viro cinzas só. As fantasias são ridículas e cruéis. A mente aliena-se. A desvalia ganha força e sombra. O rebaixamento; altura e forma. Enquadrar-se na idealidade do outro não é possível. Encolher-se parece ser destino. A desvantagem moral não perde a vez.. O temor da comparação não se faz ausente. As suspeitas crescem. A desconfiança envelhece. É o verme que não some e me consome. Como disse Machado de Assis:" é o ciúme gerado no lodo mortal".
O ciúme é isso, mas também é aquilo. É aquilo que te morde, que te rasga, que te sangra, que rouba teu alento, tua vida, é o que te corrói o mais profundo da alma.

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sexta-feira, 1 de julho de 2016

ELA


Todos os dias, em público, um falso sorriso de serenidade. Era um número repetido. Nunca era um viver de gente de verdade. Talvez faltava a si ou mais uma gente dentro dela mesma. Parecia que alguns de seus pedaços voavam pelos ares. Nas suas desorganizações, o mundo não era inocente. Uma monstruosa cachoeira de desgostos jorrava no seu interior. Tudo se mostrava uma vida perdida. Possibilidades de consolo vagamente se apresentavam.
Qualquer música distante era um retorno ao passado cru. O tempo não tinha limites. Não respeitava as condições de uma vida que seguia marchando a passos lentos, curtos, presos, tímidos, inseguros... Nenhuma luz dentro de si era duradoura. Era uma caverna escura... Por isso, rir toda já não era mais possível. Como rir dançando dentro do redemoinho de sofrimento? Assim, ela só era dentro. Fora era cena. Até mesmo respirar um ar fino era jogo de aparências. Agora só existia distraída, reprimida... Talvez sua agonia vinha a conta-gota. Mas seu infortúnio não vadiava.
Seus gestos eram de muito cuidado, porém, de pouca alegria. Jamais esbravejava. Parecia nunca ir a parte alguma. Não havia espanto nem esbarro. Era de poucas ou tristes palavras. Sem tranquilidade, era serena. Com dor sempre em aberto. E, assim, era o que sempre não foi, mas resistia calada. Calada...
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sexta-feira, 24 de junho de 2016

E ERA ASSIM...



E era assim...
Gritos derrubavam portas de vidros,
Sombra pousava sobre a fumaça,
Santos ocos não eram cridos,
Mãos pálidas sujas de massa.
E era suor, silêncio, saudade,
Era a fé secreta que cai,
Eram nós sutis da maldade,
Era o amor que sempre vai.
E era assim...
Uma rainha pobre e coitada
Não era moça nem um rapaz
Do destino era uma cilada
No soluço não havia paz!


Elany Morais 

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domingo, 19 de junho de 2016

MINHA LOUCURA DE CADA DIA


Por Elany Morais

O que reza meu confinamento solitário? Medo de não dizer o que se quer dizer... O que há em mim é obstinado, é desdenhoso, é teimoso... Hei sempre de ser na minha loucura, na minha sensibilidade nervosa. Meus sustos impalpáveis fazem de mim um ser de convicção forte, persistente e até eloquente. Nunca estarei disposta a submeter-me às loucuras alheias. Como viver sem sacudir a lógica que existe dentro dos outros? Estarei sempre a desalicerçar o que plantaram em mim, sem minha escolha, sem minha permissão.
Essa minha mania de gritar na cara de todos a minha verdade, as suas verdades faz de minha loucura menos mansa. Mas isso tem um preço: a de me agradar. Minhas tolices me agradam. Assim vou progredindo na minha insensatez. Mas o que é uma pessoa sensata? Fernando Pessoa já deu a resposta: " uma pessoa sem loucura não passa de uma besta sadia." Nunca desejarei ser um cadáver adiado que procria. E se as pessoas são a medida de todas as coisas, não sei, de repente posso ser desmedida, sem medida... Essa de sanidade nunca será meu norte, meu forte... Vou indo assim até a morte. E se alguém se diverte com minha loucura é porque supõe não ser o que é.

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sexta-feira, 17 de junho de 2016

INDISCIPLINA NA ESCOLA


Elany Morais

Como não perceber que a escola parece perder poder e espaço na formação do indivíduo?
A ausência de regras e limites instituída na educação familiar e fortalecida em muitas escolas tem contribuído para a indisciplina e agressividade no ambiente escolar. Isso, além de constituir um desafio para nós - professores, representa um dos principais obstáculos ao nosso trabalho pedagógico. Como pode existir aprendizagem de qualidade em um ambiente de indisciplina e agressividade? Diante dessa situação, necessitamos de uma postura compartilhada em relação à disciplina. O que se espera é que a escola funcione através de espaços e tempos geridos, com critérios adequados.
É difícil remar contra a maré, principalmente quando se trata de educação escolar. O que se tem hoje é: pais omissos, filhos despóticos, outros interesses dentro da escola e professores à beira de um colapso nervoso. É um eufemismo dizer que o cenário educacional está deficiente. A sensação é de que o barco está prestes a fundar, e nós, professores, "estamos no salve-se quem puder."
Mas eu acredito que nós (professores) sem o medo, sem a vaidade, com a humildade e a união, podemos mudar essa direção(do barco)! Com remo coletivo, no mesmo rumo, pode ser que haja impedimento ou adiamento da submersão desse barco.

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sexta-feira, 10 de junho de 2016

A ARTE DE SER BOBO


Por Elany Morais
Nunca fui boa em receber elogios. E quando me chamam de boba? Fico toda corada. É tanta alegria... Tudo se desarruma dentro de mim. Isso porque só os bobos conseguem sentir e tocar o mundo. O bobo lambe o mundo. Sente o sal e o doce. Além disso, carrega em si a originalidade. O bobo enxerga bem, sapateia nos detalhes e lambuza-se de miudezas.

A razão do bobo nunca tem razão e, como não gosto de ter razão, cabe bem em mim ser boba.
Uma das vantagens de ser bobo é que os espertos estão sempre desatentos diante do bobo. Quem cede a vez ou voz a um bobo? Quase ninguém ouve um bobo, mesmo que esse bobo seja um Dostoievski.

Como as vantagens nunca andam desacompanhadas das desvantagens, eis a desvantagem de ser bobo, na terra dos espertos: os bobos tendem a comprar o estragado, o fel, o amargo dos falsos espertos. Mas, em contrapartida, os bobos nunca dormem pensando em vencer, por isso, as úlceras nunca serão suas fiéis companheiras..

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