Sou educadora e escritora

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

PROMETE-ME

PROMETE-ME
Elany Morais

Jura me amar sem descanso
Como quem vive sempre de passagem?
Quero habitar na tua mala de bagagem
Porque sem ti a felicidade não alcanço.

Leva-me contigo, aperta-me entre os dedos,
Vamos cantar nossa canção nas estradas,
Fazer mil declarações de amor em plena madrugada,
Sem precisar esconder do mundo nossos segredos.

Vamos juntas jogar nossas vestes finas nos rios,
Amarmos entre árvores, com corpos nus escondidos,
E cantas tu com teu violão e eu sempre danço

Teus lábios sopram beijos ardentes em minha nuca
Nós, longe de todos os olhos que vagam as ruas
E tu prometes a mim que me amará sem descanso.


Caxias- MA, 17 de dezembro de 2014.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

CHEGA, TRISTEZA


       
CHEGA, TRISTEZA
Elany Morias

Chega, tristeza, siga com o vento
Para que eu não venha mais padecer
Dessa dor que tortura minha alma,
Desfigurando profundamente meu ser!

Não me priva dos prazeres da vida
Nem apague a luz do meu coração
Pois contigo não tenho guarida
Nem alguém que me dê a mão!

Em tua companhia não tenho rumo
Encontro-me totalmente perdida,
E muitas vezes saindo do prumo.

Se queres que eu contigo entorpeça
Ou que eu viva eternamente amargurada,
Peço-te: abandona-me para que eu não feneça.

CAXIAS- MA, 16 DE DEZEMBRO DE 2014.

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O AMOR


O AMOR
Elany Morais

Há os que não sabem e nunca saberão o que é o amor,
Mesmo sofrendo, do amor, adepta dele sou.
Não sei mesmo se existe amor sem dor,
Mas posso dizer que feliz foi o dia em o amor em minha porta entrou.
No primeiro momento, veio até mim um grande pavor
Que todo meu sangue de repente congelou
Até que pedi coragem para Nosso Senhor
Para que eu levar o amor para aonde eu for,
Que não me fizesse no mundo vítima da demência
A ponto de não ouvir dos outros toda clemência
Ou mesmo o mais insistente gritar
Daqueles que vivem mergulhados no tédio
Sem amor, sem carinho ou qualquer remédio
Que os fizessem nessa vida abandonar o pesar.

Caxias - MA, 15 DE DEZEMBRO DE 2014.

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sábado, 13 de dezembro de 2014

UMA FLOR NO MEU QUINTAL

UMA FLOR NO MEU QUINTAL
Elany Morias

Eu não queria mais do que um flor
Nascesse no interior do meu quintal
Porque lá nenhum botão desabrochou
Ou ao menos presenciou um temporal!

Se nasceu uma flor ali, jamais alguém viu,
Até pode ter sido levada por um vendaval,
Mas a certeza é de que nenhum ramo floriu
Nas terras áridas do interior do meu quintal!

No meu quintal, pássaros jamais voaram
Tudo lá era deserto como eu também
Por isso sonhei que as cigarras cantavam

Quando a cortina de nuvens se abriu
No primeiro momento que o sol surgiu
E todos os animais felizes festejavam!


Caxias - MA, 13 de novembro de 2014.

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NOITE SOLITÁRIA

NOITE SOLITÁRIA
Elany Morais

Quando chega a noite, sob o lençol,
Lamento por ti, na cama, ausente.
Apaga, na minha memória, o arrebol,
Mas restando em mim teu corpo quente!

Tua breve partida me deixou descontente,
E agora vivo presa como peixe no anzol.
Meu mundo desabou assim tão de repente
Como as nuvem negras suplantam o sol!

Ficaram tuas lágrimas em meu branco lenço
E nada mais que fosse teu ficou do meu lado,
Mas não foi em vão por teu amor eu ter lutado,

Embora de ti, hoje, só me resta o teu silêncio,
Mas este pode ser o destino, enfim, de quem ama
Ao cair da noite, dormir solitária, numa fria cama.


Caxias - MA, 13 de dezembro de 2014.

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

INTIMISMO


INTIMISMO 
Elany Morais

 Só que, sendo intimista, ainda me atrapalho com a profusão de coisas do mundo externo. Nesse estado de incompreensão estava eu quando encontrei, na rua, com uma amiga que há anos não a via. O celular dela tocou, era uma daquelas vozes femininas treinadas para vender pacotes promocionais de operadoras de telefonia. Logo desligou com um ar de aborrecida. Em seguida, abraçou-me, falou de suas realizações e, quando me perguntou o que eu havia feito durante todo o tempo em que nos separamos, comecei anunciar-lhe a minha pretensão de escrever. E sem mais nem menos, ela me perguntou: escrever o quê? Sobre o quê? Eu até pensei em responder dizendo que desejava escrever sobre economia, política ou mesmo religião. Mas eu respondi: penso em escrever sobre gente que ama e sofre, gente que não é gente, que já foi gente, porém, o mundo o transformou em outra coisa que não é gente. Ela olhou para mim com uma expressão fisionômica de quem não havia entendido o que eu dissera. E naquele momento,  foi com um pouco de pudor que olhei para dentro de mim por não entender o que estava ao meu arredor.


Depois até me consolei: não era humilhante não entender de todos os assuntos universais. Ninguém pode exigir de mim que eu tenha interesse por tudo o que pode ser importante para os outros. Além do mais, o maior interesse de todo ser humano é  si mesmo e, quem  não se volta para seu mundo interior é, certamente, por não saber fazer isso.

Caxias - MA, 12 de dezembro de 2014.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

SEGREDO

SEGREDO
Elany Morias

Por que queres saber do meu segredo?
Será que te interessa  vendê-lo?
Como se fosse a riqueza de um rochedo,
Não!  A mim não interessa debatê-lo!

O que queres de mim é meu segredo?
Se ele é meu, somente eu posso sorvê-lo,
Mesmo que para alma seja um pesadelo
Ou o motivo genuíno do meu medo.

Meu segredo é um desejo alucinado,
É o contrário do que acha correto
É como um corpo congelado

Ou um desejo profundamente discreto
Que deixa meu juízo fechado
E meu espírito assim muito inquieto!

Caxias - MA, 11 de dezembro de 2014.


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