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segunda-feira, 29 de junho de 2020
A CHAMA DA ESPERANÇA
Por Elany Morais
Hoje, ao amanhecer, no meu momento mais manso do dia, fiquei a pensar na seguinte frase: a esperança é a última que morre porque é a última que nasce. Eu - comigo mesma - disse: sim, a ordem não importa, o importante é que antes que ela morra, exista uma solução para nosso problema. Daí, pus-me a tamborilar a música que diz que vivemos na esperança de que dias melhores virão, que essa corda bamba não seja para sempre.
Nesse momento, uma vacina seria para nós como luz é para a escuridão. Temos fome de proteção e de segurança. Não somos feitos para sofrer ininterruptamente. Que saudades tenho de não dá pêsames todos os dias! Todo mundo precisa de vida! Os dias, os fatos não mentem: todos os dias alguém parte para nunca mais voltar!
A cada dia preciso me acender de esperança. As abreviaturas da existência estão sendo imensas. Por quê? Talvez porque o mal está em nós. Mas, uma coisa é certa: precisamos nos reinventar para continuarmos a viver.
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020
PARTIDA DÓI
Por Elany Morais
Toda partida dói.
Meu peito desfigurou-se
com tua partida e, agora?
O que será de mim, sem ti,
sem nada?
Meu peito desfigurou-se
com tua partida e, agora?
O que será de mim, sem ti,
sem nada?
No dia em que os céus
abriram os braços para
te abraçar, para te alcançar,
meu coração chorou, feriu,
sangrou...
abriram os braços para
te abraçar, para te alcançar,
meu coração chorou, feriu,
sangrou...
A vida sem ti ficou
desenhada numa linha
severa para quem tem
coração dentro do peito.
desenhada numa linha
severa para quem tem
coração dentro do peito.
Aos prantos, chamo por ti,
mas não me respondes.
E o que me sobra agora é
apenas o terror desse vazio.
mas não me respondes.
E o que me sobra agora é
apenas o terror desse vazio.
Todos os direitos reservados Elany Morais
segunda-feira, 26 de março de 2018
TRAIÇÃO DOS DEUSES
Por Elany Morais
Minha tragédia tem um silêncio
quase inflexível.
Os deuses de minha infância
me traíram
e as emoções se fraturaram..
quase inflexível.
Os deuses de minha infância
me traíram
e as emoções se fraturaram..
O velho tempo, sempre fiel,
não foi complacente com meus
suspiros queixosos.
Os ais foram derramados
inutilmente.
não foi complacente com meus
suspiros queixosos.
Os ais foram derramados
inutilmente.
Do sol os raios foram apagados
pelas trevas alheias
mas os pensamentos gritaram
no breu reluzente.
pelas trevas alheias
mas os pensamentos gritaram
no breu reluzente.
Todos os direitos reservados a Elany Morais
domingo, 5 de fevereiro de 2017
SUA DOR É A MINHA DOR
Elany Morais
Hoje, a estupidez, a desumanização e alienação são os cães que nos mordem.
Toda alma humana sente o flagelo da dor. Não é castigo dos maus ou privilégio dos bons. É a nossa miserável condição. A dor, não podemos detê-la. Nem sequer as mais nobres e, muito menos, as maiores.
Toda alma humana sente o flagelo da dor. Não é castigo dos maus ou privilégio dos bons. É a nossa miserável condição. A dor, não podemos detê-la. Nem sequer as mais nobres e, muito menos, as maiores.
É humano que se apiede do grito alheio. O contrário disso é lama nas entranhas. Não é coisa leve. Só os estúpidos se comprazem com o inferno do outro, que também é seu. Se teu sofrimento não penetra meu sofrimento, então, a minha existência é coisa vã. Todos nós caminhamos, constantemente, de uma dor para outra. Seja ela inerte, solitária, esquiva, fria ou alardeada. Qualquer dor, e seja de quem for, incute-nos respeito. Porque ela é nossa certeza e nossa verdade. É a substância da existência de todos os seres vivos. Por isso, cabe-nos socorrer a dor do outro e nunca perturbar o sofrimento alheio.
A dor nunca deixará de ser o abismo que nos espera. É uma porta que está sempre aberta à nossa espreita. Não podemos dela desdenhar.
Todos os direitos reservados a Elany Morais
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
ARROUBOS DA PAIXÃO
ARROUBOS DA PAIXÃO
(Elany Morais)

A paixão traz agitação e dor! Como vive o coração
de quem sofre os arroubos da paixão?
O espírito age no emaranhado das coisas sentidas.
A quem cabe tão sorte?
Ao pulso que ainda sabe pulsar, a quem não
perdeu o dom divino das lágrimas!
Somente a música alivia as notas descompassadas
desse coração!
Coração que perde a vontade própria, que abandona
o destino quieto.
Todos os direitos reservados a Elany Morais
(Elany Morais)

A paixão traz agitação e dor! Como vive o coração
de quem sofre os arroubos da paixão?
O espírito age no emaranhado das coisas sentidas.
A quem cabe tão sorte?
Ao pulso que ainda sabe pulsar, a quem não
perdeu o dom divino das lágrimas!
Somente a música alivia as notas descompassadas
desse coração!
Coração que perde a vontade própria, que abandona
o destino quieto.
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sábado, 24 de outubro de 2015
IMPERFEIÇÃO
IMPERFEIÇÃO
Por
Elany Morais
Eis-me
aqui, despida do parco orgulho,
Em
busca do ombro que me apoia!
Teus
braços são meu porto seguro
E
teu coração traz o bem que me sobra!
Já
não sou mais de toda ausente,
Minhas
memórias descem a escada do tempo,
Sem
tua luz, já não serei tão transparente!
O
entendimento de mim segue um ritmo lento!
Por
que habitar o terror de amar?
A
imperfeição me emburrece!
Ou
grito só ou ou tudo me emudece!
O
que de ti me separa,
No
meu entendimento corre e passa,
Deixando
o meu amor impuro,
A
perder de vista tudo o que poderia ser puro!
Caxias
- MA, 24 de outubro de 2015.
Todos os direitos reservados a Elany Morais
domingo, 27 de setembro de 2015
PEDRA FRIA
PEDRA
FRIA
Elany
Morais
Eu
gosto de sentir na pele
O
fogo que de tua boca vem.
Não
quero ser como pedra,
Incapaz
de amar alguém.
Como
não sentir amor,
Se
tu navegas em minha vida!
Não
quero ser como pedra,
Incapaz
de ser ferida.
Minha
natureza é te amar.
Estás,
em mim, sempre presente.
Não
quero ser como pedra
Que
nada e nunca sente.
Fico
no jogo do amor incerto
Que
não me faz em ti segura.
Não
quero ser como pedra
Sempre
livre da amargura.
Todos os direitos reservados a Elany Morais
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
RITUAL DE LIMPEZA
RITUAL DE
LIMPEZA
Elany Morais
Não sou
divertida. Muitas vezes, fecho todos os orifícios para a entrada de corpos
estranhos, em meu mundo, isso para que não estraguem minha festa particular.
Minha companhia é a minha preferida, ou seja, gosto de ficar comigo mesma.
Raras vezes, convido alguém a entrar e cear comigo. O que mais me exaspera é
quando alguém aceita meu chamado e entra sem cuidado, além de fazer folia em
meu coração e sair sem avisar, deixando tudo desarrumado. Isso me faz gastar
tempo, colhendo meus pedaços voados a quilômetros. É sempre um desgaste expulsar
um convidado. Tenho que por o coração na mão, o cérebro no ar e dá um abraço,
congelando lágrimas e, mesmo assim, ainda corro risco de me machucar com as
bolhas cristalizadas.
É sempre o mesmo
ritual: limpar a casa para ficar confortável comigo mesma. Por isso, de agora
em diante, se alguém desejar viajar comigo, será necessário se planejar,
embarcar com cuidado, retirar toda poeira que carrega consigo, para não manchar
minha morada, se fizer isso, faz bem.
Todos os direitos reservados a Elany Morais
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
LUGAREJO
LUGAREJO
Elany Morais
Lugarejo sem brejo nem estrada, longe de tudo, perto
de nada. Esse era o lugar onde muitas vezes vozes choravam no silêncio noturno.
Dele, o rio corria, as plantas ressequiam, o gado morria, as árvores não
floriam, somente o pássaro cantava, a cigarra rachava, o agricultor plantava, mas naquele lugar,
nada vingava. Lá, quando o dia dormia, só se ouvia o grito oco, que pedia
socorro, à beira do único poço que abastecia a todos, dos mais velhos aos mais
moços. Quando o dia amanhecia, o prenúncio era de alegria, mas com o passar das
horas, toda essa esperança morria. O sol era de rachar, a promessa das crianças;
apanhar, ali, de muito não se abaia, principalmente, amar. Ah! Quanto desgosto!
Viver com a corda no pescoço, mas a vida ali não era rascunho nem esboço, era
uma versão definitiva, que nos despertava com um soco.
Os domingos eram para ser de folga, mas as costas
dos indefesos casavam-se com a sola, o sonho de brincar com boneca ou de bola evadia-se de mundo a fora.
Lá não havia aquelas cenas de poemas, onde os campos eram verdes, com flores de
açucenas, apenas existiam as rezas e as novenas, mas que parecia não valer
apena.
Cada dia ruim, torcia-se para que este fosse o último, ninguém se prendia ao
que fosse fútil, pois lutar pela vida era o de mais útil. Não prezo relembrar o
passado, aquele chão não foi amado,
porque lá morria gente, morria planta e morria o gado. Quem, naquele lugarejo,
não perdeu a força, sem ninguém que o ouça, para livrar de tão triste sina,
onde nada se fascina, somente a dor que alucina, com lágrimas no olhos e tanto,
onde todos viviam em pranto até que a voz que termina.
Caxias - MA, 10 de agosto de 015.
Todos os direitos reservados a Elany Morais
quarta-feira, 3 de junho de 2015
ESQUEÇO-TE!
Elany Morais
As linhas tortas de
ti que havia
em mim, apararam-se,
teus gestos
que habitavam
meu coração
morreram e jamais
pedirão ajuda
aos meus sonhos. É
isso -
o esquecimento veio
ao meu auxílio!
Dias a fio,
mostravas-me o rosto
diferente do coração,
como se eu
não te reconhecesse,
sem qualquer
tipo de máscara: ela
caiu antes do
raiar de um novo dia.
Se querias ser
múltiplas, que fosse
para si, pois minhas
fibras cardíacas
são avessas ao mal-me- quer.
Caxias- MA, 03 de
maio de 2015.
terça-feira, 2 de junho de 2015
ESPERA
ESPERA
Elany Morais
Fizeste - me sofrer,
quando me
deixaste a esperar.
Aqueles dias foram
cheios de teias,
sem barco, sem rumo,
sem mar,
as horas eram
escuras, pois já não
havia mais lua cheia.
O tempo se esvaía, eu
me desesperava,
ouvia teus pés
chegando, minhas
mãos sempre suando,
mas de ti
não havia nada.
Ao te esperar, caí no
leito dormindo,
sonhava que tu
chegavas, de cabelos
soltos ao vento,
abraçando-me,
sorrindo.
Caxias - MA, 02 de
junho de 2015.
Todos os direitos reservados a Elany Morais
sábado, 18 de abril de 2015
MUDEZ
MUDEZ
Elany Morais
Boca cala, num barulho de tormenta,
Como uma criança, que totalmente muda,
Impassível olha, num medo absurdo, toda vultuosa
De uma cortante dor e totalmente violenta.
Olhos assombrados veem cenas sanguinolentas,
A não poder acionar a voz para um grito convulsionado,
E sem jamais uma esperança do mal vir a ser sanado
E abandonar, sem medo, uma vida triste e lenta.
Para que existir num mundo que só despreza?
A viver num corpo rígido que se retesa,
Portanto, promessa do fim, eu sempre faço...
Muda, passível, desabo nesse mundo ardente,
Com sangue nas veias que nem mais é quente
Por ter um coração triste como de um palhaço.
Caxias - MA, 18 de abril de 2015.
Todo os direitos reservados a Elany Morais
quarta-feira, 1 de abril de 2015
DISTÂNCIA
DISTÂNCIA
Elany Morais
Sim, por ti fui ferida,
Manteve-me á distância,
Sombreou a minha vida,
Na minha pobre infância.
Não tive semelhança,
Nem mesmo identidade
De quando era criança
De sua maternidade!
Agora minha alma fala,
Mas não escuta nada teu,
Minha liberdade exala
O ser que agora sou eu!
Caxias- MA, 31 de março de 2015.
Todos os direitos reservados a Elany Morais
terça-feira, 24 de março de 2015
FIGURA MISTERIOSA
FIGURA MISTERIOSA
Elany Morais
Perfil longo, pupilas-mar, corpo moreno,
Alvos, pequenos pés, delgada,
fina cintura,
Morbidez de gesto, uma triste figura,
Cabelos pretos, e passos pequenos!
Impossível aterrizar em meu terreno,
Mais voltada para frieza do que a ternura,
Vestida em finas vestes de cor escura,
Trazia em seu taça o amargo veneno.
Veio de longe, de alguma escura cidade,
Pode ter sido leve e feliz em algum momento,
Mas traz consigo recato dos neófitos frades.
Para o mistério parece ter todo talento,
De sua vida não se sabe qual é a verdade,
Porém, temo que haja algo de tão horrendo.
Caxias - MA, 24 de março de 2015.
Todos os direitos reservados a Elany Morais
quarta-feira, 11 de março de 2015
DESVENTURA
DESVENTURA
Elany Morais
Se por desgosto tu de
mim partiste
Tão logo, desolada e
descontente,
A tristeza será minha
eternamente
Por deixar-te nessa
vida tão triste!
Se um dia como divina
me viste,
E meu ato isto não
mais consente,
Saiba que meu desejo
é ardente
Como em ninguém
jamais tu viste.
Clamo a Deus por não
merecer-te,
Se desgosto em teu
coração ficou,
Perdoe-me, é
desolador perder-te.
Sem ti, minha
existência encurtou,
Viver já não me
apetece sem ver-te,
Assim, o destino a
minha vida levou.
Caxias - MA, 10 de
março de 2015.
Todos os direitos reservados a Elany Morais
segunda-feira, 9 de março de 2015
AMO-TE TANTO
AMO-TE TANTO
Elany Morais
E como não dizer que
te amo tanto?
A tua ausência
aflige-me como doença.
Pensar em te perder
já é uma dor imensa.
Tu és para minha alma
o maior encanto!
Sem ti, sou alma que
vagueia em pranto
Como nuvem carregada
no céu suspensa.
A voz se cala e
jamais entoa um canto,
Chorando de saudade
que é tão imensa!
Se tu abandonas minha
amante alma
Sei que sem ti,
definharei de saudade,
Teu amor é o remédio
que me acalma,
Aflita, chamo-te com
toda humildade,
Pois se me deixo
ficar envaidecida,
Jamais tu voltarás
para minha vida!
Caxias - MA, 09 de
março de 2015.
Todos os direitos reservados a Elany Morais
quinta-feira, 5 de março de 2015
IMUTÁVEL
MUTÁVEL
Elany Morais
Em cada espírito há um
dor que fere o peito,
Não se vê, não se
pega, mas é transporte
Para o persistente ou
talvez para o mais forte
Compreender e aceitar
um mundo tão imperfeito!
Por que não dizer que
nos espera um frio leito?
Ah!! Todas as almas
trazem sempre a mesma sorte
Que é padecer com a
velhice e a cruel morte,
Sem perdão, sem saída
e sem respeito!
E assim, com todos os
mistérios é a vida
Que traz dores até as
nossas estranhas
Por razões totalmente
desconhecidas!
E quando se sente que
o fim está tão perto
Quem dera poder fugir
para as montanhas
Ou para o sossego dos
mais longínquos desertos!
Caxias - MA, 05 de
março de 2015.15.
Todos os direitos reservados a Elany Morais
sábado, 21 de fevereiro de 2015
MEU DOER
O DOER
Elany Morais
Meu doer, vesti-o de
bordado,
Fi-lo silenciar-se
numa cela
Tornando-o quase
imaculado
De mãos pálidas,
posta à vela.
Meu espírito sempre
fica prostrado,
De face baixa, a
contar os grãos de areia,
O pensar se excede
totalmente lotado
Como a querer o
encanto da sereia!
O dormir do dia é
sempre um agouro,
O silêncio se ergue
em mim com fervor,
A fazer tremer meu
espírito todo.
O doer para minha
alma parece ser ouro
Vive alimentar-se de
tristeza e dor,
Sobrando apenas o
poço com seu lodo!
Caxias - MA, 21 de
fevereiro de 2015.
Todos os direitos reservados a Elany Morais
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
TUA AUSÊNCIA
TUA AUSÊNCIA
Elany Morais
Se tu te ausentas,
pego-me fria e calada
Feito lábios frios
que já foram ardentes
Que fez estremecer
corpos hirtos e quentes,
Deixando face flácida
imóvel e desmaiada!
Se tu te ausentas,
morrem as gargalhadas
Fico muda e imóvel
como louca e demente,
Num mundo que sofre,
aprisiona e mente,
Sem destino certo ou
fiéis estradas!!!
Se tu te ausentas,
morro em mansos lagos
Pela falta de teus
beijos e doces afagos
Como virgem santa,
imaculada e pura!
Se tu te ausentas,
torno-me pálida e misteriosa,
Morrem meus desejos e
vontades voluptuosas
Como cadáver em plena
sepultura!
Caxias - MA, 11 de
fevereiro de 2015.
Todos os direitos reservados a Elany Morais
sábado, 31 de janeiro de 2015
PRISÃO
PRISÃO
Elany Morais
Vivi presa nos laços,
Carente de amor,
Reclamando os abraços
Solta no tempo,
Pedindo espaços!
O sofrimento,
Olhando a palma,
Esperando o momento
Do voo da alma.
Sentada na praça,
Sem voz, sem fala
Olhar distante
Com medo de casa.
Caxias - MA, 31 de janeiro de 2015.
Todos os direitos reservados a Elany Morais
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