Sou educadora e escritora

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sábado, 7 de maio de 2016

QUANDO EU AINDA NÃO ERA

Quando eu ainda não era, dentro da noite, em tudo não se pensava. Não havia verdades inconvenientes, propostas indecentes, acordo forçado, abuso pretendido nem socorro negado.

Agora, eu sou, e não há equilíbrio que me consinta. O mundo e eu estamos em desacordos. Ele me impõe regras, mas eu sou as regras. Então, como ser sem ser? Por isso, vivo no engasgamento, que me laça e me emperra. Talvez esse seja o preço de não ir para a cova na ignorância. Por enquanto, continuo sendo, mas sem esperança de algum indício elucidativo. Creio deitar-me na eternidade sem viver completamente.

Quando eu ainda não era, a liberdade alheia não me era oferecida. Não havia valor desconcertante, não havia filosofia de velhice nem excessos. Não existia nobreza na tristeza, o coração não pulsava, o corpo não era submisso, as mães não eram de ventos nem de mares. A vida não era pequena nem enorme, tudo era nada... Como algo poderia me jogar no chão? Não havia sentidos intelectuais ou primários, não havia movimento ou fúria silenciosa e minuciosa, a chuva não era de lágrimas ou de pedras... Eu não tinha que sobreviver em alguma direção.

Todos os direitos reservados a Elany Morais
                                                                                                                  





segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

EM DESACORDO

 EM DESACORDO
Elany Morais 

Acabará a indiferença dos desalmados um dia?
Pode ser universalmente este um apelo.
Vejo o mundo sobre mim como um pesadelo
Enquanto que eu só queria cantar com alegria!

A agonia me tolhe cada fio de cabelo.
Promessa de paz, na Terra, até que havia,
Mas a alma do homem tornou-se fria
Como a neve e o vento transformado em gelo!

Os corpos se alimentam apenas de nudismo
Enquanto o espírito vive um desgosto profundo
Por seus passos voarem para o terrível abismo!

Assim, eu vivo em supremo desconforto
Como borboleta em estado moribundo,
Mas vendo meu futuro totalmente quase morto.



domingo, 1 de setembro de 2013

QUADRO VAZIO








 Fico inerte.Meu cenário é quadro vazio. A mente estática como tela adormecida não se rebela e não se revela.De repente,sou possuída pela certeza de que posso viver bonito.Meu corpo estremece.Meu ser padece. É uma batalha conflituosa. Vislumbro sombra sem pontos,sem forma...Fantasias surgem,vem a tristeza.Peço socorro para minha força.Minha força não vem.Agora minha cabeça gira,lasti...
ma...Ensaio um passo. É um passo tímido.Meu tripé não está em comunhão.Minha cabeça voa,os pés vão ao chão.
Meu mundo precisava nascer.Foi dentro dessa compreensão que me pus adormecer.Precisava eu fazer um trabalho de construção.Trabalho de corpo,alma e coração.Transformei-me em operária.Recorri a mudanças profundas em minha alma solitária.
Eu agora era inquestionavelmente real.Meus delírios quedaram no campo marginal.A vida reaparece como uma gota de chuva.
O quadro já não mais vazio se encaixa em mim como uma luva.A natureza morta se vivifica e a certeza da vida se solidifica.

Elany Morais


 ANÁLISE LITERÁRIA DE QUADRO VAZIO POR NÉA TAUIL


 Quadro Vazio, tela branca é o oposto do Quadro cheio, tela preenchida com cores. Cores são forças, forças opostas que existem dentro de nós. "É uma batalha conflituosa" sem fim entre nosso lado iluminado e o nosso lado sombrio. O lado iluminado grita: "sou possuída pela certeza de que posso viver bonito". Mas o lado sombrio também quer o seu espaço dentro de nós e grita: "vislumbro sombra sem pontos, vem a tristeza. Peço socorro para a minha força. Minha força não vem." Quadro vazio mostra a dualidade que existe dentro de cada um de nós. Quadro vazio revela o desejo de curar a lacuna entre luz e a escuridão para viver uma vida autêntica em que "a natureza morta se vivifica e a certeza da vida se solidifica.

Mais uma obra magnífica Elany Morais que coloco o meu olhar e vibro com tanta magia. Parabéns.
Néa Tauil
 
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