Sou educadora e escritora

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sábado, 2 de janeiro de 2016

PASSAGEM DO TEMPO

PASSAGEM DO TEMPO
(Por Elany Morais)

É um tempo que passa!
Hoje nada do que já foi será como era
E, certamente, jamais o será,
Mas se um dia o fosse,
Que garantia teria eu de ser como antes era?
Ontem fui o que não sou hoje,
E se eu fosse o que antes fui,
Eu não seria o que sou agora!
É, no tempo que vai, que deixo de ser
O que num tempo fui.
É, em cada momento, que vou sendo
O que não era antes.
E é assim que vou deixando de ser
Para ser o que eu não era.


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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

É TEMPO DE MUDANÇA

É TEMPO DE MUDANÇA
Por Elany Morais

Tudo que pesa, estou jogando no lixo. Eu não sabia que um dia poderia ser assim. Nuca substitui os desgostos por goles de bebidas. Mas os carreguei na manga. As lembranças já me afogaram. As ilusões já foram minhas esperanças.  Já fui refinamento da carência. Agora, jamais terei o que não quero. Sempre fiz parte da maioria silenciosa. Mas chega o momento de jogar os cacos para o ar. Nem mais um semblante amargo. Há alguma forma de existência sem máscara? Nada de vexação passada. As sombras serão desfeitas. O que pesa afunda. Desafogar qualquer aborrecimento é lei máxima. Minha cabeça não é tribunal. Quem sabe já não foi?
Mudança é necessário. É preciso abandonar pesos mortos e enxergar novas matizes da vida. Quem disse que não podemos ser o que gostaríamos que fôssemos? Podemos, sim, desfazermo-nos de nossas confusões íntimas e nos reorganizarmos interiormente.
Mutação é vida, é confrontar-se consigo mesmo e com as aparências do mundo. E como não dizer que há desavenças nas mudanças? Agora estou como Érico Veríssimo, construindo moinhos no vento. Minha crença na imutabilidade foi-se. A vontade de permanência na estaticidade findou-se. Mudar é caro, mas pode ser lucrativo. Não mais me obrigo a carregar malas desnecessárias. É inadequado viver sob fardos. E por que não dizer que a inadequação nos impulsiona para mudanças? lugar para É sábio ceder o novo. A mudança pode restaurar tudo aquilo que o passado não pode consertar. Por isso, agora me penso mudando.


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segunda-feira, 2 de março de 2015

MOBILIDADE

MOBILIDADE
Elany Morais

Não me custa mais dizer que não me fixo em coisa alguma, nem mesmo a contar as partes do tempo. Por anos a fio, fui raiz do que não me alimentava. Meu tronco apodrecia por vezes. Hoje, não me proponho a envelhecer no vazio.
Não me custa dizer que não floreio em terra única. Agora, solteio-me, em qualquer tempo e em todo lugar. Minha casa é móvel. Visto o que me cabe em perfeita forma. Se me prende, se me afoga, se me aperta, eu viro o jogo com ou sem cartas. Para mim, não há mais azar em jogo.
E por que não ganhar mobilidade numa vida que não é fixa? Fixação só em amor que é dez. E o resto? Esse não me culpa, não me amarra nem em seduz. Viver de dois em três é um desafio para quem quer viver como deseja. Cansei-me do um, do para, do fica, do não pode, do espera, do não vai, do se... Agora parto e reparto o que era apenas para ser parte única ou um inteiro eterno.


Caxias - MA, 02 de março de 2015.

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sábado, 18 de outubro de 2014

IMPREVISÍVEL

IMPREVISÍVEL
Elany Morais

A inconstância do meu ser,
Esse ser que tenho que conviver...
Transformou-se em coisa mista,
Não permanece em situação qualquer,
Vive a aparecer ou a fugir de vista.


Quem ousa dizer quem sou?
Se eu nunca permaneço,
Nem a mim eu me conheço
E muito menos para onde vou.

O meu ser é imprevisível
Ora aparece, ora não é visto,
Desconhece o insensível,
Não se adapta ao imprevisto,
Quem duvida do impossível?

Caxias - MA, 18 de outubro de 2014.

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domingo, 3 de novembro de 2013

MUDE-ME

Leve-me daqui em suas asas. Não me deixe pensar, não me deixe desacreditar no que não acredito. Diz-me que o fim não é aqui nem ali. Convence-me de que o ofício de viver não é tão pesado. Conta-me uma história com um final feliz. Cante a canção da vida que me espera. Vira-me do avesso. Veja o que é imperceptível em mim. Cubra-me de espelhos. Desfaz minhas imagens tortas. Abra suas asas, guarde-me nelas. Mude o ritmo de meu sangue. Abra um novo espetáculo para meu viver. Desfia os fios com minhas mãos. Beija minha face pálida. Improvisa meu enredo. Plante a certeza em mim. Cega-te para minhas descrenças. Abra uma nova janela para meus olhos. Aumenta meu ouvir. Corta meus nós. Abra todas as caixas dos meus segredos. Atenua minhas expectativas do que não será. Joga pó em minhas lembranças obscenas. Ouve meu clamor protecional. Retira o amargo de minha saliva. Adormece minha ilusão porque estou despertando do sono que me lançaram.

Elany Morais

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terça-feira, 1 de outubro de 2013

É CHEGADA A HORA

Tudo tem seu tempo. É chegada a hora que se faz necessário desfazer-se dos velhos erros, dos enganos, do egoísmo...Jogar fora aqueles óculos que embaçam nossa visão, retirar a venda dos olhos, remexer em nossa vida, arrumar essa dádiva, fazer-se feliz, olhar com lente de aumento para as dores ,os desejos, os direitos do outro. Tirar os pés do precipício, lançar fora a bengala que nos paralisa, abastecer-se de novos horizontes, novas opiniões...Mudar a posição da tela, olhar sob nova direção, fundir cores, acasalar ideias, esquentar as horas mornas, soltar a voz, arriscar uma nova composição vital, desobstruir os cantos, construir pontes, mudar a chave, abandonar todos os pesares...É chegada a hora de abrir o peito, desprezar o que não tem jeito, costurar as cicatrizes, violar preceitos com imensos defeitos...Há de haver o momento de desbravar novas veredas, pisar sobre as pedras, superar o temido, desengasgar os gemidos, ler o livro empoeirado, repor o jeans desbotados, virar o avesso, arriscar um verso, criar uma nova nota, dá uma repentina pausa, causar impactos, agradecer as novas rugas, preencher o vazio, contar uma piada sem graça, rir das bobagens, tomar banho de chuva, ressuscitar a criança adormecida em nosso ser...É chegado o instante em que é preciso amigar-se com o passar do tempo, dá atenção ao novo, silenciar-se diante do velho, aquietar-se diante de muitas lembranças, esvaziar-se de certas saudades, fundir-se em outros corpos, em outras almas, abandonar aquele silêncio pudico, enxergar a beleza no murchar da flor, abdicar do papel principal da vida, arraigar-se em outros chãos, fazer novas preces, esquecer o bolso, não acreditar na borracha, fazer uma história sem rabisco, confiar sem muito risco...Enfim, é chegada a hora onde se percebe a trama dessa teia, que mais cedo ou mais tarde, todo mundo tem a sua "HORA DA ESTRELA."



Elany Morais

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