Sou educadora e escritora

Mostrando postagens com marcador culpa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador culpa. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de dezembro de 2017

A CRÔNICA DO NÃO


Por Elany Morais
Há sempre um momento - em nossa vida - em que se faz necessário dizer NÃO. Mas quem de nós, nessa situação, nunca ficou com aquele NÃO na garganta atravessado como se fosse um grande novelo? Em muitas pessoas, essa palavra, aparentemente simples, parece estar fincada com profundas raízes - dentro de si. Portanto, não é tarefa fácil para todo mundo dizer, de forma direta ou indiretamente, um NÃO. Porém, necessário é uma dose de NÃO, na vida de todos.
É erva daninha dizer SIM quando se deve dizer NÃO. Quando se age ao contrário do que se quer ou se necessita é desrespeitar-se. É desconsiderar os próprios limites. É não se recusar para uma ação reflexiva destrutiva. É perder a sabedoria de si. É suicídio lento, pois a mente guarda o que a língua cospe.
E onde fica o outro no nosso Não? O outro fica em sua sabedoria em respeitar e aceitar o que não está sob seu controle,e quem tiver a terrível limitação, tanto para dizer quanto para aceitar um NÃO, será presa fácil - nesse campo de batalha: a vida.
Assim como não se pode ser tão precário no SIM, no contrário também; não. Saber viver é isto mesmo: coisa de se estranhar. Há muitas pessoas que esperam compreender as coisas para aceitarem. Isso é esperar para viver. É possível viver melhor quando se dispõe a envergar-se para dentro, quando isso acontece, aprende-se a dizer NÃO, quando necessário, sem medo e sem culpa.

Todos os direitos reservados a Elany Morais

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

BEIJO

BEIJO
Por Elany Morais

Qualquer beijo,
Por que não dá?
Se pedir,
Por que se desculpar?
Se não entender,
Assim mesmo,
Dê!

Em qualquer beijo,
Por que há culpa?
O beija-flor não beija flor?
Sem beijo não há de ser
Por isso,
Dê!

Beijo na praça!
A vida passa!
Sem beijo não há graça!

Sem ele não há de ser,
Vá lá...
Dê!

Não foi o beijo que trouxe
O que na vida há de doce?

Com o beijo veio
O frio no seio!

Sem ele não há de ser,
Vá lá...
Dê!
Caxias – MA, 28 de outubro de 2015.        


domingo, 12 de abril de 2015

PASSEIO

PASSEIO
Elany Morais

O dia estava lindo. O sol era o principal agente do espetáculo. O branco das nuvens e o azul do céu se misturavam, confundiam-se. O verde das folhas e o colorido das flores cromatizavam, adornavam o mundo fora de minha janela. Ao me deparar com essa encenação da natureza, senti-me tão pequena diante de tanta grandeza . O panorama me convenceu a deixar os afazeres chatos para desfrutar do que estava sendo oferecido a mim. O vento me convidava a bailar junto às folhas, que rodopiavam, subiam e desciam sob o som da viração matinal. Mas o sentimento de culpa, que é o carrasco da felicidade, pedia-me entrada. Por um instante, detive-me em mim, volteei dentro do meu ser, limpando-me de todos os sentimentos escravizadores.

Depois dessa batalha interna, pus os pés fora de casa. Estava decidida a fazer um passeio despretensioso. Saí a caminhar, sem muito a pensar. Sempre gostei de  andejar, de percorrer... Muitas das vezes, abandono meu veículo para poder sentir meus pés no chão. Ao andar, eu cresço, meus olhos festejam, tornam-se lentes de aumento.  Ao passear com meus pés, espalho-me, sinto tudo de perto, reconheço cores, cheiros, vidas... O mundo transfigura-se num prazer de ver e viver.

No meu itinerário, encontro uma colega que há muito tempo, eu não a via. No momento em que a reconheço, tive a sensação de que ela era meu espelho. A tristeza bateu a minha porta, a dizer-me que o tempo tinha se encarregado de nos envelhecermos, de limitar nosso corpo... A beleza física dela já não era mais a mesma, certamente, a minha também não era. Foi uma surpresa. A minha incapacidade de aceitar o nosso destino final, deixou-me constrangida. Cumprimentei-a. Foram minutos de conversas confusas. Ela me olhava, como se não estivesse a acreditar que eu havia me tornado uma adulta. Quis saber de coisas e coisas de minha vida. Sempre fui tímida para falar de mim. Limitei-me a dizer que estava tudo bem, com o andamento dos anos. Despedimo-nos , olhei para trás... Pensei: vou morrer e não entenderei por que a decadência não se cansa de nos esperar.


Caxias - MA, 12 de abril de 2015.

Todos os direitos reservados a Elany Morais

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

FORÇA INTERIOR
Elany Morais

Escuta-me: estou partindo. Se te chamo, tu não sabes vir. Não me dispensarei de sonhos líricos. Tu golpeias-me com teu silêncio infinito. Pudesse eu te chamar para sempre, eu sentaria aqui com velas longas, sem... ressentimentos, sem mágoas, apenas a olhar o sem-fim da estrada. Se tu me salvarias da espera, não sei, não está no meu entendimento. Mas em gestos recolhidos, eu cataria as conchas da esperança, contando infinitas vezes os tecidos que as compõem.

Escuta bem: meus pés estão soltos na estrada. Não deixarei nem mesmo meu único poema lido. E se achas que estou vencida, parto, mas com as cores em compasso nos olhos que antes viviam, no escuro, esquecidos. Agora vou, com as pétalas das magnólias entre dedos, sem culpa dos meus defeitos nem com pavor do teu infeliz enredo.

Veja: se não me ouves... Não haverá pranto da lua nem de arcanjo algum. Não jogarei meu arco no poço fundo. Meu coração não se encolherá. Meu sonho não será torturado. Haverá farta colheita daquilo que plantei com mel e flor. Eu poderei ir à toa, debaixo de um sol a pino, mas viverei um conto de fada, sem embriaguez, ao som festivo do esperado sino

Caxias -MA, 03 de setembro de 2014.



domingo, 27 de outubro de 2013

DESCOBERTA DE MIM

 

Na calada da noite, vou nascendo aos poucos, fazendo descobertas inimagináveis. Um novo mundo ri para mim. Suas portas são amplas, com múltiplas possibilidades, janelas divididas, mas com passagem para uma alma sobrecarregada de malas próprias e alheias.

É no silêncio noturno que vou adquirindo asas triplas, ensaiando longos voos em busca de salvação de mim e de minha criança interior. É nos sussurros desérticos que ouço meu EU gritando socorro, implorando soltura, desejando quebrar correntes e partir em busca da felicidade, da paz tão procurada

Quando todos os corpos dormem, meu espírito se debate no rastro da verdade, a verdade do meu existir, a minha consciência autêntica. É nesse momento que ouço a voz do outro ser que se revela fundido ao meu.

Somos dois seres em busca de amparo, de vida abundante, sem culpa, sem medo, sem desistência. E vamos fluindo, descobrindo, ganhando proporções nunca pensada. Nesse caminho, vou seguindo cantando a linguagem das flores, da poesia... A melodia vibra com cada orifício aberto para a passagem de uma verdade, que antes era maquiada.

Nesse mundo que aparentemente estou alheia, encontro-me voltada para mim, para meus pesares, meus sacrifícios velados, passados e ignorados. No meu novo existir, alguém me vê com lentes de aumento, alguém sente minha dor, meu padecer, meu desejo e meu querer. Nessas horas, meu outro estende suas mãos, sua coragem e seu coração para minha desolação.

Elany Morais
 
 
 
 ANÁLISE LITERÁRIA DE A DESCOBERTA DE MIM, DE ELANY MORAIS, POR NÉA TAUIL SOB UMA PERSPECTIVA PSICOLÓGICA

 O que nos leva a manter relacionamentos? Acredito que um motivo importante é o desafio do crescimento e da evolução. Assim, "na calada da noite, vou nascendo aos poucos, fazendo descobertas inimagináveis..." porque "somos dois seres em busca de amparo, de vida abundante, sem culpa, sem medo, sem desistência..." Podemos perceber que é na "linguagem das flores, da poesia..."que a aprendizagem, o crescimento, a troca, a cura acontecem, evidenciando que o ambiente não é ameaçador e nem amedrontador. Nesse ambiente acolhedor, o convívio torna-se uma fonte de estímulo e aprendizado, porque é possível admitir as próprias dores e dificuldades,expressar emoções, cometer erros, assumir riscos, experimentar novas ideias, revisitar conceitos, receber amor e carinho. Enfim, "Descobertas De Mim" trás à baila o perfil de um relacionamento bom, maduro e saudável, em que "alguém me vê com lentes de aumento, alguém sente a minha dor, meu padecer, meu desejo e meu querer"sem fingimentos.
 
Néa Tauil

 
 NÁE TAUIL-Especialista em Psicoterapias Dinâmicas pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Especialista em Psicoterapia de Técnicas Integradas (Psicodinâmica, Cognitivo Comportamental e Familiar) pelo Instituto Fernando Pessoa de Porto Alegre e recebeu o Título  de Especialista em Psicologia Clínica pelo Conselho Federal de Psicologia.
 
É autora do livro de Poesia Pérola Viva e coordenadora das Antologias Poética: Poetismo Brasileiro, Ecologia Brasileira e do Guia dos Escritores  Brasileiros, publicados pela ABNL Editora, SP. Escreveu o prefácio do livro Pedaços de Mim da autora Lidioneti Milani - ABNL Editora, SP e do livro Homem e Mulher Num Encontro Especial da autora Leonice Pesci  Vidotto - ABNL Editora, SP. Participou e obteve Menção Honrosa nos Concursos Nacionais de poesias: ¨ IV Concurso Raimundo Correa de Poesia¨ - Editora Shogun Arte, RJ e ¨ IV Concurso Vinícius de Moraes de Poesia¨- Grupo Cultural, SP.  Também  teve poemas  selecionados para comporem as Coletâneas: Momentos Eróticos publicado pela Jotanesi Edições - RJ, Poetas Brasileiros de Hoje e Nova Era publicados pela Editora Shogun Arte, RJ.
PSICOTERAPIA BENEFICIA AS PESSOAS!http://psicologaneatauil.blogspot.com
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais e Néa Tauil.