Sou educadora e escritora

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sábado, 2 de fevereiro de 2019

SOLIDÃO


Por Elany Morais 

A sorte me foi dada de ser somente
eu e eu, sem aborrecimentos! 

Não é um fingimento de plano alto,
Nem grandeza de alma!
É a sorte de abrir-se para si!
Sorte desse tipo é silêncio profundo,
Não existe espaço de dimensões menores,
O mundo cabe em qualquer sonho.

Invocaram-me para a solidão!
Como posso ser daqui se estou sempre
de partida?
Todas as manhãs deixo os olhos correrem
nos caminhos desertos, estreitos...
Não chamo por toda gente... Não tenho voz!
Mas.. Solidão nem é um bicho atroz, feroz...
É um mundo como a lua, desabitado!
É canção sem palavras.

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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

MÁ SORTE

MÁ SORTE
(Por Elany Morais)
És tu que tudo me negas, sorte?
Foste tu que fizeste meu destino
Uma dureza!
As coisas escorrem-me pelos dedos.
Bato no peito, mas teus maus  desígnios
Estão sempre a me alcançar.
Trança-te em mim com tuas benesses
Porque todos os ruídos atingem-me!
Ah, eu quero a luz da sorte
Antes que cedo demais me
Alcance a morte.

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segunda-feira, 1 de junho de 2015

PASSOS DA AMADA

PASSOS DA AMADA
Elany Morais

Entre pedras e pássaros, ouço os passos da amada,
E com o sibilo do vento, sua voz era de ternura
Que revelava seus sonhos de uma próspera ventura
De dormir em meus braços totalmente desnudada.

Mesmo com os passos distantes, fiquei embriagada,
Pois os sons traziam consigo uma tamanha doçura
Que me fazia acreditar que a sorte não era tão dura
E que o jardim da felicidade era a porta de entrada.

Os firmes passos da amada para mim foram um aviso
De que o nosso amor era fruto de toda divindade
E mesmo que no peito guardasse uma saudade,
Mas o nosso destino era entrar  e viver no paraíso.


CAXIAS- MA, 01 DE JUNHO DE 2015.

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sábado, 11 de abril de 2015

SOL DO MEIO-DIA

SOL DO MEIO-DIA
Elany Morais

É sol do meio-dia, meu corpo fica transparente,
A visão turva, parece meio embaçada,
Os pés querem águas da nascente
Para esfriar a pele que já quase quente
Por causa dessa terra vulcanizada!

O desejo de uma existência sossegada
Parece escapar pelas frestas da veneziana ,
Onde o tempo corre, indiferente e estourado,
Deixando entre abertos os lábios ainda pintados
E uma pele fina e frágil como porcelana!

Quem sabe, por fim,  pode chegar o aconchego,
Sem que me alcance qualquer intriga,
Que eu pise no último degrau da escada,
Sem pensar numa multidão aglomerada
E que a sorte seja a única que me siga!


Caxias - MA, 11 de abril de 2015.

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quinta-feira, 12 de março de 2015

SORTE

SORTE
Elany Morais

Não, nunca me contaram que a sorte não era para todos. Jamais sofri um golpe de sorte. Mas ouço falar que muitas pessoas já foram pegas pelas pernas por ela. Às vezes, pelo simples fato de saber que alguém a possui, sinto-me agraciada, mesmo ela não sendo minha.

Acredito na sorte, embora eu não a tenho. Mas não há revolta, não. Ou será que ela mora comigo e eu não a reconheço? Se bem que todas as noite, o mundo se veste em uma capa preta e, num abrir e piscar de olhos, eu o esqueço, mas quando o sol abre os olhos, tudo volta de novo, da mesma forma como foram  todos os outros dias. Será isso sorte minha? Agora, penso que  o não aparecimento de alguém que desarrume as coisas nem as tire do lugar, pode ser sorte minha, como também de todos.  Quando abro os olhos, as mesmas árvores, as mesmas rosas, o mesmo céu, o mesmo sol estão tudo como eu deixara.

Talvez o cruzamento daquelas velhas linhas seja a minha sorte, como pode ser também o meu desconhecimento do nada que me aguarda.


Caxias - MA, 11 de março de 2015.

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quinta-feira, 5 de março de 2015

IMUTÁVEL


MUTÁVEL
Elany Morais

Em cada espírito há um dor que fere o peito,
Não se vê, não se pega, mas é transporte
Para o persistente ou talvez para o mais forte
Compreender e aceitar um mundo tão imperfeito!

Por que não dizer que nos espera um frio leito?
Ah!! Todas as almas trazem sempre a mesma sorte
Que é padecer com a velhice e a cruel morte,
Sem perdão, sem saída e sem respeito!

E assim, com todos os mistérios é a vida
Que traz dores até as nossas estranhas
Por razões totalmente desconhecidas!

E quando se sente que o fim está tão perto
Quem dera poder fugir para as montanhas
Ou para o sossego dos mais longínquos desertos!


Caxias - MA, 05 de março de 2015.15.

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

IMPERFEIÇÃO

IMPERFEIÇÃO
Elany Morais

É dor, é alma, é peito
É choro sem lágrimas,
É sofrimento sem jeito!

É fome, é sede, é leito
É um mundo perverso
É o homem imperfeito!

É medo, é sono, é sorte
É a fuga do mundo,
É o destino da morte!


Caxias- MA, 01 de janeiro de 2014.

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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

ESCRAVA

ESCRAVA
Elany Morais

Se me queres como escrava, então corte
Essa desfigurada pessoa
Que apenas espera que o verme roa
Toda corpo podre que deixará a morte!

Sei que essa é minha triste sorte
De não ver mais os patos na lagoa,
De não comer aqueles doces de broa
E não ter mais meu corpo forte!

Então, devolva-me a liberdade e a vida
Pois vivo como folha caída
Em solo frio e infecundo.

Vivo contigo presa na saudade
Igual condenados entre grades
Como pagasse o pior crime do mundo!

Caxias - MA, 30 de dezembro de 2014.

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sábado, 18 de outubro de 2014

UM GESTO FRIO
Elany Morais

De longe, fez-me um sinal
Com um gesto meio estranho,...
Sem dizer coisa e tal
De uma frieza sem tamanho!


Ao ver isso, eu mesma cismo
Que há um gesto a granel,
Sem uma doçura de mel
Que me leva ao abismo!!

Ela parecia uma imagem antiga
Que eu tentava esquecer
De uma impiedosa amiga
Que me fizera sofrer!

Caxias - MA, 18 de outubro de 2014.
 

terça-feira, 4 de março de 2014

O AMANHECER

 
O AMANHECER

Elany Morais

Logo que vem a ser dia,
A nuvem negra começa
A desfazer sua negrura,
Colorindo sua cor escura,
Acolhendo a luz macia
E assim o dia se apressa!

O sol dá ao céu cinzento
O destino de lentamente
De mudar de triste sorte
Ao representar a morte 
Na cor que o povo sente!

Caxias - MA, 04 de março de 2014.

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sábado, 22 de fevereiro de 2014

PÉS DE VENTO

PÉS DE VENTO

Minha mãe tinha pés de vento
Naquela época, eu via!
Ela estava em todos os lugares,
De longe, sua voz era um hino....
Eu a sentia bem distante.
Ela plantava todos dias
Solidão em mim!

Minha mãe tinha corpo pesado,
As mãos delas esvaziava minha calma,
Seu canto era de morte,
No fim da tarde,
A tristeza era solene,
Eu não tinha sorte!
Ninguém me via,
Nenhuma estrela no céu reluzia!

Elany Morais

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

SONETO DA CULPA

Eu não sou a voz da tua agonia
Nem a tristeza que chora o mar.
Não tenho a força da ventania
Nem a beleza do canto do sabiá!

Eu não sou reflexo da tua dor
Nem a luz que te faz imensa.
Não corto asas do lindo amor
Nem a brisa que de leve venta!

Eu não sou o erro da tua sorte
Nem sou o santo da tua reza
Não tenho o segredo da morte

Nem a força que tanto se preza
Não tenho do sol o altivo porte
Nem as leis que o antigo versa!

Elany Morais

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