Sou educadora e escritora

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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

SEREI NADA

SEREI NADA
Elany Morais

Muito não sou, amanhã é cova escura.
Minha pele será cinza solta no vento,
Podendo ser o fim de todo tormento,
Sem haver lembranças dessa vida dura.

Como saber qual será minha figura?
Ou se em mim haverá algum intento?
Na terra ficar, não tenho merecimento
A não ser descansar na sepultura!

O medo do fim até me esfria,
Mas já vivi aqui minha mocidade
E se eu permanecesse, feliz eu não seria.

Em mim não há esperança de santidade
Pois já nasci com a alma quase ímpia,
Por isso, não me acabe a eternidade.

Caxias- MA, 20 de agosto de 2015.
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domingo, 7 de junho de 2015

LUTA

LUTA
Elany Morais

Era um viver numa luta insana
De paixão que me arrastava!
No desespero, eu acreditava
Que era uma luta muito desumana!

Como poderia ser eu ufana,
Se nem alegria em mim durava?
A sina minha foi nascer escrava,
E essa vida hoje é o que se dana!

Os desígnios dessa luta eram tiranos,
Nenhum entendimento me coube
Para desfazer meus desenganos.

Só peço que a sepultura não me roube
Os primores dos meus melhores anos
Porque evadir dessa vida eu não soube!

Caxias - MA, 07 de junho de 2015.


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quarta-feira, 25 de março de 2015

DESFECHO

DESFECHO
Elany Morais

Deixarei de ver do dia a luz brilhante,
De certo, esse desfecho está marcado
Meu corpo, por fim, será celebrado
E o destino será selado num instante.

Por que negar que a morte é operante?
De ninguém sua operação é de agrado,
Mas um dia, será ela o fim do meu fado,
A levar-me para outra morada distante!

Deitarei na curva do subsolo profundo,
Esquecida dos males e de toda ventura,
A deixar para trás o terreno imundo!

A desventura em vão sairá a minha procura,
Mas longe estarei das quimeras do mundo,
Apenas gozando da paz da sepultura!

Caxias - MA, 24 de março de 2015.


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sábado, 27 de dezembro de 2014

À LUZ DE VELA

À LUZ DE VELA
Elany Morais

Eram noites lentas à luz de vela,
Onde as mãos eram arrastadas
E os pés sobre uma velha jangada
Seguiam para uma deserta capela!

Seguiam os passos com extrema cautela
Para suprimir os viés da imensa jornada,
Onde tudo era violência encarniçada
Em ruas, lares, becos e vielas!

No escuro caminho, um vento furioso
Joga na face pálida uma lama escura
Que o torna o corpo um tanto defeituoso,

Mas assim vai, sobre pontes e descidas
Como se fosse para uma funda sepultura
Onde se encerrava a esperança e a dura vida!


Caxias - MA, 27 de dezembro de 2014.

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domingo, 20 de julho de 2014

MAR DE SEGREDOS

MAR DE SEGREDOS
Elany Morais

Hoje, pus-me a ouvir meus segredos
Pela boca do mar:

Falhou teu destino pequenino,
Não é tua a sepultura dos teus,
Teus olhos roxos brilharão,
Tua voz amarga ficará muda.

Agora canta uma canção molhada,
Pois tu não és tu.

Agora estás a abandonar o que nunca
Foi teu.

Assim, afastei o sol da agonia e o mar
Saiu calado, deixando saudade
Da voz da verdade.

Caxias - MA, 20 de julho de 2014.
 
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