Sou educadora e escritora

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sexta-feira, 12 de março de 2021

AGONIA I


Por Elany Morais

Sem nenhuma semeadura,
a promessa era de terra dura,
Numa profunda cova escura.
Agora, há esperança de cura
Deus não é uma vã figura!
Abraçou-nos tanto tormento
Que chegou como folha no vento
Com firme e forte intento
De causar tanto sofrimento
Como se tivéssemos algum merecimento!
Foi embora aquela alegria
De muitos que seu ente morria
Em profunda agonia
Por um vírus, que sem piedade sorria!

domingo, 27 de setembro de 2020

NA VIDA CABE TUDO

 Por Elany Morais


Na vida, tem destas coisas: quando a gente pensa que sabe, não sabe, quando acredita que passa, não passa, quando pensa que melhora, piora.
Na vida, tem destas coisas: há quem promete e não cumpre, mas há os que cumprem sem prometer. É uma democracia que não é, há quem diz ser crente sem ter fé, é o homem que bate em mulher "e, agora José?"
Na vida, tem destas coisas: há caboclo negando as raízes, velhos escondendo a velhice, sem enxergar que tudo isso não passa de uma grande tolice.
Na vida, tem destas coisas: há quem canta e não canta , nem os males espanta, há as que fingem ser santa... Mas, na vida existe coisa que ainda encanta!

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segunda-feira, 29 de junho de 2020

A CHAMA DA ESPERANÇA


Por Elany Morais
Hoje, ao amanhecer, no meu momento mais manso do dia, fiquei a pensar na seguinte frase: a esperança é a última que morre porque é a última que nasce. Eu - comigo mesma - disse: sim, a ordem não importa, o importante é que antes que ela morra, exista uma solução para nosso problema. Daí, pus-me a tamborilar a música que diz que vivemos na esperança de que dias melhores virão, que essa corda bamba não seja para sempre.
Nesse momento, uma vacina seria para nós como luz é para a escuridão. Temos fome de proteção e de segurança. Não somos feitos para sofrer ininterruptamente. Que saudades tenho de não dá pêsames todos os dias! Todo mundo precisa de vida! Os dias, os fatos não mentem: todos os dias alguém parte para nunca mais voltar!
A cada dia preciso me acender de esperança. As abreviaturas da existência estão sendo imensas. Por quê? Talvez porque o mal está em nós. Mas, uma coisa é certa: precisamos nos reinventar para continuarmos a viver.
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domingo, 22 de setembro de 2019

ADVERSA


Por Elany Morais
Nasci do outro ladode um universo inexplicável.
Venho esmolando adequação
Em campo estreito, sujo, sem rumo,
sem jeito, maculado...

Obediência à vida são nós que não
desatam, nem afrouxam,
Alma minha irresoluta, desencorajada.
Não é um fuso de melancolia,
é uma forma de vida que não diz nada.
E o mistério será encerrado?
Nenhuma certeza minha é bem
possuída!
Nunca fui iludida por uma esperança velada,
Tudo é varrido para o depósito vazio,
transformado em sombra no universo do nada.
Meu universo é o da incerteza, das perguntas
irrespondidas, da canção que chegou tarde,
da imensa ausência de respostas
de qualquer dúvida que me invade.

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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

UM DIA SE MORRE


Por Elany Morais
Para que serve aquilo que não se pode evitar? Para que serve morrer? Escondida, de um só golpe, a morte chega e tria-nos da ilusão de infinitude. Encerra a espera pela vida. Como se pode morrer bem, se o vazio fica e o nada talvez vai ao além?
Deixar essa vida é como morrer de sede no mar. Porém, não seria mais terrível do que a imortalidade, quando não se quer viver mais.
E os que foram tentando agarrar-se aos paus de sebo? Clamaram aos gritos pelos que aqui ficaram e as aves revoaram na noite solitária! É posto fim ao ideal de toda uma existência ilusória. É riscado do mapa da sorte de se estar vivo.
Todos nós somos flores mortais, com a esperança de, na mão de Deus, dormir eternamente.

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segunda-feira, 1 de maio de 2017

PARTIDA

Barco pronto para  o nada absoluto.
Mas enquanto brilha sol e lua
nunca se pode fazer tudo.
E agora? O que nos sobra?
 O impulso de viver!
 Aqui, tem-se os outros e a
teia da esperança.
A competência existencial
 me soltou a mão?
Esta travessia aqui é boa
e nunca é bom sair dela!

Elany Morais

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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

QUANDO A ESPERANÇA ME DESESPERAR

Por Elany Morais 

Quando a esperança me desesperar, minhas vontades hão de ficar paradas. Mas enquanto houver um fio de água, eu ainda hei de esperar, de criar, de rir e amar.
Há em mim muitos litígios, porém, a máquina não emperra. E, se vier o que me desespera, apenas observarei os absurdos, sem deixar que minha alma se transforme em qualquer coisa que seja austera.
Não está ao meu alcance o que fechará minha vida. Na minha roda viva, sempre haverá rosais, olhares profundos, abraços ardentes e amores maternais.
Independente de como seja, ou o quanto pese a tampa de um céu cinzento, não existirá nenhuma fria cor sobre a esperança desse espírito que abandonou o destino das almas que vivem cerradas em seus lamentos.
Abaixo os negros pavilhões! Corredores livres, nuvens nos céus, pés sem grilhões, jardins floridos e fantásticas visões.

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sexta-feira, 1 de abril de 2016

QUANDO HOUVER UM TEMPO

QUANDO HOUVER UM TEMPO
Por Elany Morais

Haverá um tempo em que se valerá a pena viver?
Chegará um tempo diferente desse inferno que se vive?
Quando vi o raio de sol, prometeram-me amor eterno!
Por isso, amparei-me  nesta promessa de que o amor
 nunca morreria!
Então, fiz-me gingante e poderosa!
Acreditei que nos caminhos não haveria cárcere nem resgate,
Que as canções me avizinhavam,
Que o vinho jamais me embriagaria,
Mas meus olhos viram que sonhos se partem,
Que esperanças se despedaçam,

E que a vida a si própria se aniquila.

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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

SEREI NADA

SEREI NADA
Elany Morais

Muito não sou, amanhã é cova escura.
Minha pele será cinza solta no vento,
Podendo ser o fim de todo tormento,
Sem haver lembranças dessa vida dura.

Como saber qual será minha figura?
Ou se em mim haverá algum intento?
Na terra ficar, não tenho merecimento
A não ser descansar na sepultura!

O medo do fim até me esfria,
Mas já vivi aqui minha mocidade
E se eu permanecesse, feliz eu não seria.

Em mim não há esperança de santidade
Pois já nasci com a alma quase ímpia,
Por isso, não me acabe a eternidade.

Caxias- MA, 20 de agosto de 2015.
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segunda-feira, 6 de julho de 2015

VIVER

VIVER
Elany Morais

Viver é um gesto solitário
e corajoso, às vezes, indelicado
e, quase sempre, perigoso.

Viver é um gesto que se faz
em muitas dobras, ou uma
porta de múltiplas fechaduras
onde apenas uma chave sobra!


Viver é um gesto de esperança,
em que a espera se nunca acaba
e o projeto nunca se alcança.

Caxias - MA, 06 de julho de 2015.

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domingo, 14 de junho de 2015

AMOR

AMOR
Elany Morais


Amor, as folhas e flores festejam a tua chegada!
Não demores em bater às portas escuras.
Ainda não é cedo para desfazeres as tuas malas.
Eu desconheço os que de ti desfrutam.
Amor, tu sabes da lentidão de tua chegada?
Andas de forma tão sutil, tão secreta...
Não sejas cauteloso! A vida urge!
Não são maus presságios, os caminhos
estão cheios de lamas. Evitas o mal
que cura! Venhas nas asas do condor,
aqui tudo ventila espera das benesses
que vem de ti, meu desejado amor!


Caxias,- MA, 14 de junho de 2015.

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terça-feira, 26 de maio de 2015

PASSOS DO FIM
Elany Morais

Toda  esperança em ti
segue o compasso do meu sangue.
Vai se estreitando a cada aclive .
Combale-se a cada vazio, a cada
ausência de nutrientes.
Não se reveste de forma nenhuma,
só vacila como equilibrista  no
primeiro número.
No teu amor, não mais acredito,
ele é apenas uma grito.

Caxias- MA, 26 de maio de 2015.

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segunda-feira, 16 de março de 2015

ANGÚSTIA
Elany Morais

Tenho angústias cruéis no espírito doente,
Acordo com um medo que é prematuro,
Ignoro a esperança de qualquer futuro,
Querendo apenas sair desse presente.

Quero uma paz que em vão procuro,
Quero tirar do peito essa dor potente,
Acordar disposta de encarar o poente
E dormir sem medo do terrível escuro!

Esta cruel angústia tira-me a harmonia,
Cegando-me para a luz que me alumia,
A fazer-me desejar ir para o céu agora.

Ter alma doente é como viver no nada,
Apenas sente medo em toda madrugada,
A ouvir sem trégua o espírito que chora.


Caxias - MA, 16 de março de 2015.

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domingo, 15 de março de 2015

OLHAR

OLHAR
Elany Morais

Não sei se o que vejo é amor em teu olhar;
Quando tu me feres, eu procuro um abrigo
Em qualquer concha ou em qualquer mar,
Com a esperança de um dia ser feliz contigo.

Não temo que meu ideal por ti seja desfeito,
Isso é desventura do mais puro romântico,
Se traída, eu for, ainda entoarei um cântico,
A saber que nessa vida, nada eu idealizo!

Como amante de ti, vejo teu sorriso terno,
Sentindo-me protegida com teu sorriso,
Nas noites escuras e chuvosas de inverno.

A única coisa que me causa terrível receio
É o teu indefinível olhar que me provoca
Quentes desejos de me achegar em teu seio.


Caxias - MA, 15 de março de 2015.

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

EM CADA IDA TUA

EM CADA IDA TUA
Elany Morais

Em cada ida tua, eu hei de voltar
Para mares, mas com ânsia louca
De no silêncio, não me soterrar
Com gritos surdos saído da boca.

Em cada ida tua, desarrumada
Fico, a querer o que puder e vier
Com face de alma apaixonada,
Mas sem uma esperança sequer!

Em cada ida tua, indelicados
Ficam meus gestos apaixonados,
Cheios de espinhos reversos...

Pela incerteza de ainda lá fora,
Encontrar-te acalmar a que chora
Quando para ti faz íntimos versos.

Caxias - MA, 18 de fevereiro de 2015.

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

DECADÊNCIA

DECADÊNCIA DO AMOR
Elany Morais

Será que nesse mundo, é vão o amor de alguém?
Será que não vale, de alguém o sentimento?
Até quando vem para o amor só o desdém?
Amar hoje parece jogar poeira ao vento.

Só por milagre, o amor a esse mundo vem
E atrás de um prazer, não virá mais o tormento
Nem morte, dor ou qualquer lamento
Que nesse espiral de tragédia tem!

Só se ouve o grito quando a alegria se desfaz,
Com a certeza de que no prazer a dor renasce
Considerando, por fim, essa batalha perdida!

Será que diferente essa vida humana não podia
Ter pelo menos a esperança de que um dia
Se pudesse ter amor e paz nessa efêmera vida!

Caxias - MA, 12 de fevereiro de 2015.


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sábado, 31 de janeiro de 2015

PRISÃO

PRISÃO
Elany Morais

Vivi presa nos laços,
Carente de amor,
Reclamando os abraços
Solta no tempo,
Pedindo espaços!
O sofrimento,
Olhando a palma,
Esperando o momento
Do voo da alma.
Sentada na praça,
Sem voz, sem fala
Olhar distante
Com medo de casa.


Caxias - MA, 31 de janeiro de 2015.

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domingo, 18 de janeiro de 2015

MEDO

MEDO
Elany Morais

Sinto no medo algo que me amarrasse
E prendesse a mim como uma ponte,
Onde jamais alguém ultrapassasse
Mesmo em busca de outro horizonte

Em que a esperança sempre levanta
Nos pés de quem nunca foi ou veio
Mesmo das pessoas que sejam santas
Ou dos que carregam o temor no seio.

Sinto no medo uma esperança tarde
Que me abandona no mundo só.
A chama na cabeça sempre se arde
Porque o futuro não foge do pó!


Caxias - MA, 18 d janeiro de 2015.

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

ERROS PASSADOS

ERROS PASSADOS
Elany Morais

Cinzas viraram os erros cometidos
Que alimentaram os terríveis gritos,
E não despertaram os sonolentos
Que, nesse mundo, já estão perdidos!

Hoje, tudo não passa de um passado
Como um plano que foi abandonado,
Como um borrão jogado ao lixo,
Como enterro de toda esperança,
Como uma queda de um obstinado!

Caxias - MA, 14 de janeiro de 2014.

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

ENVELHEÇO

ENVELHEÇO
Elany Morais

Os dias correm, o espelho grita que envelheço
Que o vento levou quase toda minha mocidade,
Que as marcas do tempo no meu corpo já está impresso,
Que  que dor com pressa no meu ser invade,
Que toda força que ainda me reveste
Sumirá, a me deixar em pleno desespero
Como se nada mais por fim me coubesse
E no fim de tudo não serei mais do que um verme,
Devorado por tantos outros, sem nenhum cuidado,
Sem a certeza de que um dia para o mundo voltarei,
Com um corpo novo, completamente reformado,
E com olhos vivos tudo atenta olharei
Como se todo universo fosse para sempre meu
Sem o temor de que tudo de repente se tornasse o breu!


Caxias - MA, 07 de janeiro de 2014.

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