Sou educadora e escritora

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terça-feira, 8 de agosto de 2017

POR QUE FECHAR OS OLHOS PARA A DOR ALHEIA?


 Por Elany Morais
O amor é a seiva da vida. É a energia que nos mantém de pé. Como viver sem nos sentirmos amados? O amor é uma verdade, sem ele a realidade pode nos matar. Quantos de nós não estamos morrendo de braços estendidos, com o grito preso na garganta, à espera de socorro? À espera do amor, do abraço, do acolhimento, da escuta, do olhar atento, etc.
Será que não estamos nos comportando como se nós ou os outros fossem durar para sempre? Em vida, não fazemos nunca o esforço de olhar para o outro, de ouvi-lo, sem nos colocamos na cena principal. Quando o outro desaparece, resta-nos apenas a consciência de não termos feito o que nos cabíamos, não ficando dele nem a memória que nos chegue ou que nos console. Então, é o momento de querermos de volta o que perdemos definitivamente. Pois, não é certo de que haverá campo e reencontros no céu.
Será que nossas maneiras de amar não estão sendo pobres? Parece-me que estamos surdos. Escutemos, escutemos... Estamos rodeados de almas que sentem. Muitas estão ilhadas, cercadas de farpas da indiferença, da inveja, do egoísmo, do egocentrismo, da indolência, etc. Para quem ainda sente o coração pulsar, há tempo para apurar olhos e ouvidos antes que o enredo do romance possa acabar.
Se algum nada nos espera, se esse enredo de certo terá um fim por que fecharmos os olhos e o coração à dor alheia? É nobre lamber as feridas do outro. Cães e gatos são nobres. A nossa alegria deveria advir do cuidar de alguém. Devemos beber com os outros os prazeres e as alegrias da vida. Pois, se diferente for disso, a vida será apenas sombras, sem festas, sem alegria e sem amor.

Todos os direitos reservados a Elany Morais

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O QUE HEI DE QUERER HOJE?

O QUE HEI DE QUERER HOJE?

O que hei de querer hoje senão o que falta a muitos! Hoje e amanhã, hei de querer  o amor.  Se existo, é porque tenho corpo e alma. Estes para permanecerem vivos precisam ser alimentados. Assim como o corpo necessita de alimentos, a alma reclama por amor. Sem amor, nada de asas, nada de voos. Alma livre é alma com amor, sem fardo, sem dever, sem obrigação e sem dor. Alma com amor é alma alegre, solidária, toda dentro da informalidade, das possibilidades e das ilimitações. Alma com amor é alma  cheia de olhos para com os outros, com mãos estendidas, sem pudor de oferecer sem nada para receber.

E o que mais hei de querer senão o amor? Com amor, eu me amo e amo o outro. Se amo sou contente e, jorro amor para as ruas, para os becos, para os lares, assim, eu transbordo flores, cheiros, doces, calma, brisa, vento e som, som manso noturno. Com amor, eu alcanço os vales, os montes e os mares. Com amor, eu compartilho, eu vibro, eu canto e danço a festa dos pares.

O amor é o êxtase da alma. Se minha alma estiver bem alimentada, é um festival tremendo, a beleza enche os olhos, tudo é comemoração, seja de Natal, Ano Novo ou São João!
Se em mim, existe amor, como não amar os animais, o vento, as águas, o canto do bem-ti-vi e a sonata dos pardais?

Enfim, eu hei de querer sempre o amor. Meu ventre está livre para sua concepção, pois ele só pode nascer primeiro aqui, aqui assim, aqui dentro, no mais profundo de dentro de mim.

Todos os direitos reservados a Elany Morais

sábado, 5 de abril de 2014

ABANDONO

ABANDONO
Elany Morais
 


 Era noite. Chuva forte. Os raios zombavam do meu temor. No peito, o vazio à beça. Pedir socorro era a salvação, talvez. As lágrimas acordaram no desespero. Brotavam uma a uma. Mas elas pareciam mudas. Os olhos acend...iam chamas. A dor gritava. Queria sair, partir. O choro veio, mas a compaixão não veio. Nenhuma mão, nenhum coração, nenhum desejo de amparo.

O peito partia-se, o lamento se ouvia, mas o consolo não havia. A voz querida não vinha, a compreensão não chegava, e o tempo cumpria seu papel para uma alma que se desesperava. Era uma vida que se esvaia, mas o outro não percebia. Era o auge do desespero, mas o desdenho do próximo não perdia o
ensejo.

Caxias- MA, 05 de abril de 2014.