Sou educadora e escritora

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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O QUE ERA JÁ NÃO É


O QUE ERA JÁ NÃO É
Elany Morais

Se algum dia vivi sobre o meio agreste,
Sem contemplar a beleza do mar
Nem se sentir acima do ar,
Mas eu sonhava com uma vida celeste.

Se meus pés corriam com agilidade,
Mesmo sem ter, na vida, algum gozo
Ou pensamento voluptuoso,
Era por muita e cruel necessidade!

Se  meus dias eram uma pura canseira
Onde no colorido já não havia mais cor,
Fazendo de mim uma figura inferior
Era por eu não fazer do gelo uma clareira!

Mas houve o dia em que ergui minha voz
Fazendo o infortúnio, enfim, retroceder,
Mesmo sem nada do mundo compreender
Ou perceber que o bom da vida vem, mas volta veloz.


Caxias -MA, 27 de novembro de 2014.

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terça-feira, 4 de novembro de 2014

AZUL DO CÉU

AZUL DO CÉUElany Morais

Se um grito vier até nós
Com seus mais variados tons,
Não ignore o desespero dessa voz
Que  pede socorro em  sons!

Se um anjo de túnica branca
Descer, às pressas, dos céus azuis
Com gesto santo e face branda
Tudo iluminará com sua luz!

A vida não é uma joia de mil brilhantes
Nem possui uma varinha de condão,
Mas ainda existe espírito radiante
Como a viver  em nuvens de algodão.

O que nos sobra é o azul do céu
E toda a natureza ao nosso arredor,
Onde a reproduzimos  no papel
Sempre a fazer um produto menor.

Caxias -MA, 04 de novembro de 2014.


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sábado, 20 de setembro de 2014

CATIVA

CATIVA
Elany Morais

Tu, cativas,
No quarto,
Gemia
Com a voz
Velada,
Com o cheiro
De rosas,
Dizia sozinha:
Que duro
caminho
Sem poesia
Nem prosa! 

Caxias - MA, 20 de setembro de 2014.

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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

OUVE-TE

OUVE-TE
Elany Morais

Se tu não ouves o silêncio ondulado
Falta-te apurar os ouvidos
Para o eco que vem dobrado!...

Ouves a surda voz, curva-te para o chão
Inflama-te para enganos e risos largos,
Que não procedem do coração !!

Se tu não ouves o que ainda não conhecias,
Julgarás que és aqui ser sem ser
Sem respeitar-te com todas honrarias!

Caxias - MA, 21 de agosto de 2014.
 
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terça-feira, 22 de julho de 2014

NÃO É PRECISO

 NÃO É PRECISO
Elany Morais

Preciso aprender coisas  que todos sabem:
Jogar a voz no abismo,
Dar flores para quem não vê nem sente,
Pensar com o que não está em mim,
Segredar o que não é meu,
Estranhar, com pavor, a verdade,
Ser pouco na noite,
Escrever apenas no papel, sem fazer uso das estrelas,
Sorrir amarelo,
Pisotear as costas da alma,
Abandonar o meu em prol do que é teu,
Coroar somente o palpável.
Não, há coisas que não se precisa saber.
Vou ali, jogar a voz para o alto
E fazer a vida valer.

Caxias - MA, 22 de julho de 2014.

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sábado, 31 de maio de 2014

TUA VOZ

 
A TUA VOZ

Elany Morais

Como posso seguir pelo mundo
Sem o som de tua voz?
Tua voz me afaga, me embala,
Me acalma. 

Ela me segue, me anima,
Me penetra, me vicia
Me encanta, me alucina.

Como posso caminhar sem tua voz?
Ela solta meus pés, folga meus  braços,
Me canta, me lança, me faz desatar os nós.

Tua voz é  meu cigarro, meu sonho,
Minha esperança, é muito mais do
Que suponho!!!

Caxias - MA 31 de maio de 2014.

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sábado, 17 de maio de 2014

CAMINHOS DESERTOS

 
CAMINHOS DESERTOS

Elany Morais

Fui sozinha à beira-mar.

Não sei quem me cerca
Com os passos calados.

Afasto-me de todos,
Para sozinha ficar,
Mas a prisão não passa.

Ando, mas sem a soberba.
Nenhuma voz traduz minha
Palavra, ela corta na escuridão
calada.

Passos lentos,
Meu pobre peito
Não cabe mais nada.

O medo bate a minha
Porta, mas sigo sozinha
Sem voz, sem luz, sem
Companhia!!

Caxias - MA, 17 de maio de 2014.

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quinta-feira, 8 de maio de 2014

EU QUERO A MULHER QUE FALA

EU QUERO A MULHER QUE FALA
Elany Morais

Nos dias que chegam, um pensamento diz:
Eu quero a mulher que fala,
Não aquela que vomita apenas esperanças,...
Mas a mulher que, no seu direito, não cala.
Dentro do meu pensamento,
Eu quero a mulher que sabe,
Não apenas embalar a rede,
Mas a mulher sabe usar a fonte
Para matar a sede.
Longe de toda hipocrisia, eu quero
A mulher que seca suas melancolias,
Não apenas de se sentir violentada,
Mas a melancolia também de ser abandonada.
Eu quero aqui, ali, acolá a mulher que grita
De prazer que em si não mente,
Que não cale no peito o furor que deveras sente.
Eu quero a mulher desnuda,
Não apenas de poucas vestes,
Eu quero a mulher que fala, seja do Norte, do Sul ou
Do Nordeste.

Caxias- MA, 08 de maio de 2014.

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sábado, 5 de abril de 2014

ABANDONO

ABANDONO
Elany Morais
 


 Era noite. Chuva forte. Os raios zombavam do meu temor. No peito, o vazio à beça. Pedir socorro era a salvação, talvez. As lágrimas acordaram no desespero. Brotavam uma a uma. Mas elas pareciam mudas. Os olhos acend...iam chamas. A dor gritava. Queria sair, partir. O choro veio, mas a compaixão não veio. Nenhuma mão, nenhum coração, nenhum desejo de amparo.

O peito partia-se, o lamento se ouvia, mas o consolo não havia. A voz querida não vinha, a compreensão não chegava, e o tempo cumpria seu papel para uma alma que se desesperava. Era uma vida que se esvaia, mas o outro não percebia. Era o auge do desespero, mas o desdenho do próximo não perdia o
ensejo.

Caxias- MA, 05 de abril de 2014.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A PALAVRA



Instrumento de exorcismo. É o candeeiro que ilumina meu leito. No silêncio, reinvento-a, restauro-a. Dou liberdade a ela para que ganhe uma vastidão de sentidos. Atribuo-a uma sonoridade mansa para que traduza meus gemidos. Eu a engulo. Mas ela me rasga. Abre-me, devorando-me sem piedade. Porém, numa displicência qualquer, vomito-a para todas as direções até sofrer as punições.

A palavra é a força que gera minha voz. Voz ecoa no mundo de surdos e mudos. Ela (a palavra) é a seiva que sustenta minha casa invisível e impalpável. Pedra que constrói o edifício de muitas moradas.

Elany Morais
 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

TUA VOZ



  Rasga o véu negro da ignorância
Alivia passos nas ruas espinhosas
Faz dançar nas noites de esperança
Acalma as almas mais melindrosas.......

Apenas um eco, nunca será:

É uma luz que brilha no mundo
Acalmando as ondas do mar
Apazigua sentimento profundo
Fazendo o silêncio se expressar.

Elany Morais

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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

LUTO DA ALMA



 Voz aveludada
Rosto sombreado
Quadro adormecido
Cena dobrada....

Sonho adormecido
Amor vigiado
Reino não prometido
Espírito desolado.


Canção flecha
Peito frio
Porta fecha
Curto cio!!

Elany Morais
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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

DEVANEIOS



 Disse meu coração:
Quero rumor de beijos,
Por os pés onde houver flores e encanto,
Gente vivendo os ensejos,...
Pessoas contentes em qualquer canto.

Quero apagar lembranças de assombro,
Fazer da noite uma eterna alvorada,
Gargalhar do possível tombo,
Viver o amor sem fachada.

Quero desfolhar a chuva,
Contemplar a serena felicidade,
Privar-me da vida murcha,
Ausentar-me da frieza da cidade.

Elany Morais

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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

DESEJO

D existência da dor
E fêmero da vida
S ilêncio da voz
E ssência do ser
J ulgamento do querer
O fensa do existir

DESEJO - IRRECONHECÍVEL

Elany Morais

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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

ESTAÇÃO NO ESPAÇO

 
Raramente estaciono no espaço e no tempo para jogar ao ar a minha voz.Ma se paro para falar com alguém, é,certamente,alguém do meu grande interesse,ou alguém de minha mais sublime devoção.Espero ansiosamente que a pessoa não fique com cara de paisagem,rezo fervorosamente para que o demônio não pose em seu relógio.Quando esse inimigo dos amores eternos resolve boicotar a minha felicidade,meu desejar me deixa nas mais profunda melancolia.Nesses momentos,desejo ser uma feiticeira,doida,poderosa para prender as duas pontas do tempo e amarrar nas fendas indissolúveis de aço.Assim,não existe relógio,não existe tempo,não existe demônio que estrague a presença de um ser que foi capaz de ouvir a minha inacessível voz.

 Fato digno de celebração é o som do vivo permanecer em mim,ser merecedor de meus pensamentos incansáveis.Se este ser que interrompe minha solidão não mexe nos fios de cabelos,não desvia seus enxergadores da minha direção,do meu sentir exagerado,esse é digno da minha estacidade,mesmo que seja por alguns segundos.

Elany Morais
 
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