Sou educadora e escritora

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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

QUANDO A ESPERANÇA ME DESESPERAR

Por Elany Morais 

Quando a esperança me desesperar, minhas vontades hão de ficar paradas. Mas enquanto houver um fio de água, eu ainda hei de esperar, de criar, de rir e amar.
Há em mim muitos litígios, porém, a máquina não emperra. E, se vier o que me desespera, apenas observarei os absurdos, sem deixar que minha alma se transforme em qualquer coisa que seja austera.
Não está ao meu alcance o que fechará minha vida. Na minha roda viva, sempre haverá rosais, olhares profundos, abraços ardentes e amores maternais.
Independente de como seja, ou o quanto pese a tampa de um céu cinzento, não existirá nenhuma fria cor sobre a esperança desse espírito que abandonou o destino das almas que vivem cerradas em seus lamentos.
Abaixo os negros pavilhões! Corredores livres, nuvens nos céus, pés sem grilhões, jardins floridos e fantásticas visões.

Todos os direitos reservados a Elany Morais

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

PASSADO

PASSADO
Elany Morais

No meu passado não houve luz
Quando cobria o lençol da tristeza,
Eram dias a fio, numa cela presa
Como as mãos de Cristo lá na cruz!

Hoje, quase nada de tudo me seduz
Mesmo que esteja repleto de beleza,
Só me consola o ar fresco da Natureza
Que serve a mim como um túnel de luz!

Nesse tropel, não me convém mais nada
Porque de tanto amargor estou resignada.
O que haverá ainda, em mim, de mal maior?

Esfria a prisão de minha vida que se encerra,
Não verei meus lábios, no escuro, cheios de terra
Nem a beleza do desabrochar de qualquer flor!


Caxias - MA, 23 de janeiro 2015.

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domingo, 24 de agosto de 2014

MARTÍRIO

 
MARTÍRIO

Elany Morais

Este é meu martírio
O meu sufoco
Porta sem retorno
Uma ida sideral.

Ele  é minha flecha
Que penetra com requinte
Sem sequer um ouvinte
Em rede nacional.

Será que é a minha sina?
Ou o meu dilema?
Ou cenário da minha cena?
Ou os muros do meu quintal?

Se tudo é apenas a metade
Não sentirei saudade
No centro do meu divã
De qualquer noite
Ou de qualquer manhã.

Caxias - MA, 24 de agosto de 2014.

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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

DESISTÊNCIA




 De repente, chega a hora de partir. De devolver todas as chaves. De apagar o único lampião. De rasgar todos os projetos. De reconhecer que derrotas existem. De perceber que nem todos os valores humanos estão vivos.

A qualquer momento, pode ser o tempo de correr rumo a novas direções. De não aceitar mais os insultos do mundo. De desistir do que não satisfaz. Não vale tentar mais uma vez. A vida urge. Não se colherá mais ramos secos. Sepultura não se visualizará.

E vem o não esperado: a vontade de sacudir as vestes. Não olhar para trás. Lembrar da estátua de sal. Mudar não será um mal. Faz- se necessário sepultar esquecimentos. Jogar fora as roupas gastas. Sacudir as velhas gavetas. Há que se convencer de que é preciso fazer coisas despretensiosas. Abandonar velhas teimosias. Que tal desistir de fazer uma achado de sua cara metade? Pode-se aventurar em encontrar o complemento em si próprio.

Um dia pode ser o dia de se sair sozinho, resignar-se de companhias. De sentar na calçada a ver transeuntes passar. Haverá o momento de gritar ao léu, de desistir da normalidade, de desdobrar em si, de andar a esmo, virar a solta, de andar vazio dos outros e andar cheio de si.

Elany Morais
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