Quem irá entender essa minha vontade quieta de compreender os segredos do além-mar? Minha alma apenas sobrevive na incompreensão, na impotência do não entendimento. Na minha mente, gira o globo da oscilação dos pensamentos. Como num passe de mágica, tudo parece grandioso, miraculoso, valoroso, infinito, denso, visível, palpável, acessível, fácil, determinado, imperecível, tudo eternizado, nada corruptível, tudo é compreensível a todos os mortais, desenlaçado, sem nós, sem entraves, sem pedras de tropeço, sem espinhos de sobressaltos...
Entretanto, numa displicência qualquer, esse mesmo globo redobra seu giro, e o que era já não mais é. Vejo ocorrer a transmutação como uma força poderosa, invencível, indomável, livre, rebelde, inalcançável, capaz de mover tudo para fora do lugar que era, mas já não mais pode ser. Assim, tudo se apresenta para meu ignorante ser uma composição indecifrável, incalculável, inexato, insondável, imensurável, inacessível, corruptível, perecível, findável, sem muita importância... Tudo se volta para meu olhar com uma espantosa transitoriedade, como um voo em sua mais alta velocidade. Nessa órbita, para minha percepção, qualquer coisa é amena: o riso que era tanto esperado, o beijo que ansiosamente era desejado, o abraço que vinha a mim, de forma leve, mas na sua chegada era apertado... Nessa concepção mais assustadora, mais desesperadora, mais melancólica, mais descrente, tudo pode ser nada, ou nada é apenas o nada.
Assim, na minha pobre existência, tudo pode ser ou não ser. Algo poderá vir, ou simplesmente, não ir. O que sou hoje pode vir a ruir, sucumbir, diluir-se sem nó e sem dó. Minha pele, meu corpo, meus olhos, meu peito, meu coração, tudo, tudo poderá tornar-se pó. E o que restará de mim? Não sei, talvez eu possa apenas opinar; esse é meu desafio: compreender os mistérios do além-mar!!!
Elany Morais
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