Sou educadora e escritora

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

CANÇÃO TARDIA


CANÇÃO TARDIA
Elany Morais

Ouve a minha canção tardia
Vês que ela ainda te eleva,
Aquece tua alma nessa terra fria,
Salvando-te  da escura treva.

Ouve a minha canção tardia
Que move palavras a tua procura
Que te abraça e te eleva
E amor, em teus ouvidos, murmura!

Ouve minha canção tardia,
Ela te lança nas alturas,
Lembra-te do desejo que ardia
Mas que ainda hoje perdura!


Caxias - MA, 01 de novembro de 2014.

Todos os direitos reservados a Elany Morais

quinta-feira, 10 de julho de 2014

IRRECUPERÁVEL

IRRECUPERÁVEL
Elany Morais

O que perdeste
voa aos ares.
...
Será eterno
Em ti, deserto.

Mas deve-te acostumar
Com o que não virá mais.

Tua alma gemerá
Pelo que não virá.

Tua boca mal dirá
o que não é teu.

Não terá para ti
o que eternamente morreu.

Caxias – MA, 10 de julho de 2014.
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sábado, 5 de abril de 2014

VÍCIO

VÍCIO
Elany Morais

Que vício me satisfará?
Se não for amar, amar... E nunca desamar,
nenhuma vontade me manterá  na roda da vida.
É minha lei, inerente a minha lida.

Que vício me prenderá?
Se não for ser nós, sem nós... E nunca velar a cisão,
nenhum querer me susterá na eterna solidão.

Caxias- MA, 05 de abril de 2014.
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sábado, 8 de fevereiro de 2014

FINITUDE

 
Enquanto nessa vida atroz

O tempo rasga a juventude,
O destino sem muita demora
Mostra a vida na sua finitude!

É inútil alimentar meu desejo
De eternizar meus sentimentos
Porque na vil existência antevejo
O esfacelar dos meus pensamentos!

 Minha alma larga deseja tomar posse
De tudo que essa efêmera vida abarca
Sem se saciar com o tempo que fosse
Pois o que submerge a Alma não larga!

Elany Morais

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sábado, 23 de novembro de 2013

ARTE DE AMAR

Eu me arrasto toda nessas coisas de amor. Não me dou o luxo de ser avarenta nas artimanhas de amar. Não me contento só em colecionar afetos, jogo-o em todas as direções. Meu poço é sem fundo.
Sou neófita em medir, contar, comparar o que amo em diversidade. Fico refém do querer bem, cativa de presença, prisioneira do desejo eterno. O aroma que reflete em meu coração espalha seus raios, atingindo até mesmo os mais medrosos no cenário do bem querer.

Não penso na dívida que cabe a mim por  deixar o coração sem escudo, pronto para ver bondade nos mais minúsculos pontos. Deixo a impotente vontade de amar se realizar, abro todas as portas para as várias formas de amar. E sigo amando aqui, ali. Sempre olhando para trás o que ficou carente do meu imenso amor. Lanço braços de polvo para atender minha sede e a do próximo de se sentir amado.

Elany Morais

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domingo, 20 de outubro de 2013

FUTURO DUVIDOSO


A escassez do meu futuro vai se desenhando na areia movediça. Minha futura morada vai se desfazendo no ar. Minha existêcia pós é esquiva. Meu aqui agora está aos solavancos. Nunca é o momento do meu futuro.
Vou me desfazendo em pedaços, ficando em galhos do tempo, sem ousar interromper o impossível. Tudo escorre por entre meus dedos como óleo. Chegará o momento em que me recolherei como poente no morrer das horas. E só restará o luto nas mãos despertas.
Nesse terrível destino, meus sonhos serão desarrumados, ficarão inertes na infinita inexistência. Sobrarão apenas os reflexos impregnados no espelho da memória da vida em curso.
Mas meu existir não se resigna no hoje. O tempo se encarrega de lançá-lo na poeira do vento,porém vou teimosamente solidificando-o nas rochas presentes.
Meu por vir não será rascunho, nem me ensinará a morrer. Insisto ainda em calçar os pés em terra, trilhar o último caminho que não terá ninho para meu ser fragilizado e marginalido.
Nada posso fazer para permanecer no dia eterno, para a noite não há remédio. A transparência do que poderá ser, não me obriga a aceitar, mas não me faz padecer.
Elany Morais
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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

DUALIDADE EXISTENCIAL



Quem irá entender essa minha vontade quieta de compreender os segredos do além-mar? Minha alma apenas sobrevive na incompreensão, na impotência do não entendimento. Na minha mente, gira o globo da oscilação dos pensamentos. Como num passe de mágica, tudo parece grandioso, miraculoso, valoroso, infinito, denso, visível, palpável, acessível, fácil, determinado, imperecível, tudo eternizado, nada corruptível, tudo é compreensível a todos os mortais, desenlaçado, sem nós, sem entraves, sem pedras de tropeço, sem espinhos de sobressaltos...

 Entretanto, numa displicência qualquer, esse mesmo globo redobra seu giro, e o que era já não mais é. Vejo ocorrer a transmutação como uma força poderosa, invencível, indomável, livre, rebelde, inalcançável, capaz de mover tudo para fora do lugar que era, mas já não mais pode ser. Assim, tudo se apresenta para meu ignorante ser uma composição indecifrável, incalculável, inexato, insondável, imensurável, inacessível, corruptível, perecível, findável, sem muita importância... Tudo se volta para meu olhar com uma espantosa transitoriedade, como um voo em sua mais alta velocidade. Nessa órbita, para minha percepção, qualquer coisa é amena: o riso que era tanto esperado, o beijo que ansiosamente era desejado, o abraço que vinha a mim, de forma leve, mas na sua chegada era apertado... Nessa concepção mais assustadora, mais desesperadora, mais melancólica, mais descrente, tudo pode ser nada, ou nada é apenas o nada.
 Assim, na minha pobre existência, tudo pode ser ou não ser. Algo poderá vir, ou simplesmente, não ir. O que sou hoje pode vir a ruir, sucumbir, diluir-se sem nó e sem dó. Minha pele, meu corpo, meus olhos, meu peito, meu coração, tudo, tudo poderá tornar-se pó. E o que restará de mim? Não sei, talvez eu possa apenas opinar; esse é meu desafio: compreender os mistérios do além-mar!!!

 Elany Morais

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