Sou educadora e escritora

sábado, 6 de setembro de 2014

O APITO DO TREM


O APITO DO TREM
 Elany Morais

Maria Fumaça apita dos vales montanhosos. A buzina acorda-me do tédio, ela traz o cheiro da liberdade brejeira de meninice. Ela vem, não tão apressada como meus anos, mas corre, trazendo o reviver de vidas passadas.... O som de Maria Fumaça aviva na minha memória o café com pão do poeta atento ao ritmo do canto existencial despercebido por muitos.

Paro, embevecida como se ouvisse uma música com sabor dos meus melhores dias. Vejo folhas, flores, frutos ficarem para atrás acenando um adeus a Maria Fumaça. Pássaros batem as asas para o desfile imperioso dela, é uma reverência que dá gosto. E eu, apenas com minha mala de papelão, querendo ser o seu caixeiro- viajante.

Um rouxinol comigo fica ali a espera daquela já anunciada com seu apito impudico. Parece que o pássaro advinha meus pensamentos. Juntos, na esperança do embarque, ficamos ali aturando o inevitável tempo que se arrasta. A cada bulir do mato, olhos se abrem, ansiosos para verem o trem chegar. São suspiros calados, são esperanças infinitas... Ai que saudades dos tempos gentis que já se foram!

Caxias - MA, 06 de setembro de 2014.

Todos os direitos reservados a Elany Morais



PRISÃO

PRISÃO
Elany Morais

Em que tu pensas? O que te aflige?
Que sonhos, que dias, que nuvens te cobrem?
E se para tuas memórias tréguas pedisses?...
Mas se teu peito está preso que teus olhos chorem!

Se de dias escuros ou sombras tens te banhado,
Sem que permaneças na aurora linda,
Livra-te das lembranças do passado
E para manhãs claras dê boa - vinda!

Aviva-te, saia-te da paz fugitiva
Porque no horizonte uma luz te espera,
Se ficares nessa vida aflitiva
Tua existência ficará como preso numa cela.

Caxias - MA, 06 de setembro de 2014.
Todos os direitos reservados a Elany Morais

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

FORÇA INTERIOR
Elany Morais

Escuta-me: estou partindo. Se te chamo, tu não sabes vir. Não me dispensarei de sonhos líricos. Tu golpeias-me com teu silêncio infinito. Pudesse eu te chamar para sempre, eu sentaria aqui com velas longas, sem... ressentimentos, sem mágoas, apenas a olhar o sem-fim da estrada. Se tu me salvarias da espera, não sei, não está no meu entendimento. Mas em gestos recolhidos, eu cataria as conchas da esperança, contando infinitas vezes os tecidos que as compõem.

Escuta bem: meus pés estão soltos na estrada. Não deixarei nem mesmo meu único poema lido. E se achas que estou vencida, parto, mas com as cores em compasso nos olhos que antes viviam, no escuro, esquecidos. Agora vou, com as pétalas das magnólias entre dedos, sem culpa dos meus defeitos nem com pavor do teu infeliz enredo.

Veja: se não me ouves... Não haverá pranto da lua nem de arcanjo algum. Não jogarei meu arco no poço fundo. Meu coração não se encolherá. Meu sonho não será torturado. Haverá farta colheita daquilo que plantei com mel e flor. Eu poderei ir à toa, debaixo de um sol a pino, mas viverei um conto de fada, sem embriaguez, ao som festivo do esperado sino

Caxias -MA, 03 de setembro de 2014.



ESCURO DA ALMA

O ESCURO DA ALMA
Elany Morais

Dentro do nosso peito, quase sempre nasce
Como noite abandonada pela lua de repente
Uma angústia vil e transparente em plena face
Que não se desfaz na luz do dia suavemente!

Nem as palavras que se fez assim não passa
Sem que nos venha amor e beijos docemente
Mesmo que a vida nesse mundo se desfaça
Ou a sombra nos enlace pelo meio de repente!

Assim, jamais se verá outono ou primavera,
Nem rios e mares para lavar essa quimera,
O por do sol não valerá o sonho de cristal

Para esse peito lívido que se está partindo
Sem matar essa angústia que vem surgindo,
Impedindo uma vida livre nesse carnaval!

Caxias - MA, 02 de setembro de 2014.

Todos os direitos reservados a Elany Morais


terça-feira, 2 de setembro de 2014

BORBOLETA

BORBOLETA
Elany Morais

Eu não tinha
Dando por mim
Quando a borboleta ...
Enfeitou o meu jardim.
Mas logo que avistei,
Com sua chuva de cores
Me encantei.
Fiquei parada a olhar para o ar
Ao ver a fila de borboletas revoar!

Caxias - MA, 02 de agosto de 2014.

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METÁFORA

METÁFORA
Elany Morais
 
O mundo que me rodeia
São teus braços que varam
O silêncio que aqui permeia!

O mundo que me rodeia
São teus olhos que cegam
A luz que me clareia!

O mundo que me rodeia
São teus dedos que escorrem
Sobre mim como areia!

O mundo que me rodeia
São teus lábios que me sugam
A despertar o desejo que me incendeia!

Caxias - MA, 02 de setembro de 2014.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

CONTIGO

CONTIGO
Elany Morais

Em dia claro
Contigo, quero ver o mar
Quero ver o sol...
Quero ver passar
A nuvem leve
Com as asas soltas
Por ti voar!

Contigo, quero ver o canto
Do pássaro a voar
Apaziguando-nos pelo verde campo,
Olhando a nuvem leve passar!

Caxias - MA, 01 de setembro de 2014.
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais