Sou educadora e escritora

quinta-feira, 31 de julho de 2014

O VENTO LEVOU

 
O VENTO LEVOU

Elany Morais

O vento soprava, o vento subia
Com ele, os passos dela
Sem direção, o seguia.
No coração muito amor,
Ficava a murmurar,
Olhando o vento descer e subir
Em direção ao alto mar!
Com o vento a água subia,
Seu rosto já se banhava,
Seu corpo agora afundou,
Sua vida não mais resistiu
O mar escureceu.
Ela, ninguém mais viu!

Caxias - MA, 31 de julho de 2014.

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quarta-feira, 30 de julho de 2014

POLITIZAÇÃO DO MAL

POLITIZAÇÃO DO MAL
Elany Morais

Vivemos na era da politização do mal. Ele evoluiu. Hoje para praticá-lo não precisa de muito "lero, lero", basta receber uma ordem expressa, em nome de uma organização social. Quando um policial mata um band...ido não é cumprindo seu dever? Quando os professores, em movimentos grevistas, são espancados não é para manter a ordem? Ordem repressora, é claro! Os noticiários todos os dias confirmam isso. Lembro-me bem do seguinte caso: em que um vigilante estava rolando no chão, a passar mal, mas o enfermeiro apenas o olhou e se retirou, alegando que não tinha autorização para socorrer a vítima. O homem morreu, não foi socorrido porque as pessoas que poderiam tê-lo ajudado estavam cumprindo seu dever: atender somente os pacientes que tivessem dinheiro para pagar o hospital.

Que o mal vem galopando na sua evolução é fato. E como combater essa prática malévola? Certamente, arrancando sua raiz que está sendo regada a cada instante. Mas onde se encontra essa raiz? Será que nascemos mal? Será que a ordem organizacional da sociedade não propicia a essas atitudes destruidoras dos semelhantes?

Há quem diz que " o mal não provém da malevolência ou do desejo de fazer mal e sim em razão da pessoa sucumbir a falhas de pensamento e julgamento". Que o "mal não é uma categoria ontológica, não é natureza, nem metafísica. É político e histórico: é produzido por homens e se manifesta apenas onde encontra espaço institucional para isso - em razão de uma escolha política."

Assim, só nos resta tentar a perfeiçoar nosso julgamento acerca do bem e do mal.

Caxias - MA, 28 de julho de 2014.
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domingo, 27 de julho de 2014

AMORES PERDIDOS

AMORES PERDIDOS

Elany Morais

Meus amores perdidos não regressam nunca mais,
Porém guardo escondido no peito eternamente,
Tornando-se memórias amargas e quentes
Que se fazem presentes sem dar sinais.

Foram amores embalados ao som dos pardais,
Em que o sangue nas veias fluía velozmente,
Minha viva memória saudosa ainda sente
Os beijos inocentes roubados nos beirais.

À sombra das mangueiras havia plena magia
Dos encontros amorosos que alegrava o dia,
Isso ainda acalenta minhas memórias de hoje.

Amenizando a perda que no peito dói,
A mágoa oculta que a mente corrói,
Fazendo-se lembrança presente hoje!

Caxias - MA, 27 de julho de 2014.

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INCOERÊNCIA HUMANA

INCOERÊNCIA HUMANA (Crônica)
Elany Morais

Complicar a vida é tarefa do ser humano. Carrega consigo o desejo de separar o que junto serviria de porta para a alegria. Repudia o que é seu, mesmo sem motivo para rejeitar o que lhe seria um ...bem.

O homem não quer a vida em preto e branco, deram-lhe cores, as mais variadas possíveis, além de a possiblidades de criar mais e mais outras. Mas ele teria que encontrar uma forma de se privar de todos esses elementos: "homem que é homem não usa a cor rosa." " Uma boa dama antes de crescer não deve usar azul." " A fragilidade vestiu-se de rosa." A tragédia se apoderou do preto." "A paz salvou apenas o branco." "A riqueza faz-se de amarelo." " A sorte chega de branco." O preto é o escuro, o escuro é o inferno.

Todos têm corpos. Apenas um gênero pode exibi-lo. Mulher, tu nasceste com seios? Esconde-os! Se todos verem como são teus seios, tu deixarás de ser honrada e bem-amada! Guarda tuas pernas, se tu as exibires, teu lar será injuriado, difamado, teu esposo deixará de ser homem. Uma simples contemplação de pernas e bundas banirá a sexualidade alheia(" homem que é homem não deixa a mulher mostrar a bunda para ninguém.") Veja bem, apenas o homem é senhor do seu corpo e de seu cônjuge. É assim o ser humano, junta o que é separado e separa o que deveria ser juntado.

Caxias - MA, 27 de julho de 2014.
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sábado, 26 de julho de 2014

RESGATE

RESGATE
Elany Morais

Revi casas apertadas e paisagens,
Procurando o que perdi em mim,
Sacudi as memórias da tarde,...
Onde as folhas amarelas
Denunciavam o do fim.
Busquei os pedaços de papéis,
As árvores com minhas marcas,
As grutas que colhiam meu gritos
Desferidos com pavor e raça!
Os latidos dos cães já não existiam
Nem desses ou de outros,
Eu buscava matar minha sede
E aplacar as memórias do desgosto.

Caxias - MA, 26 de julho.
Todos os direitos reservados a Elany Morais

NOITE

NOITE
Elany Morais

Quando cerradas foram as cortinas da tarde,
Meu coração amargurado permaneceu
Aflito, a esperar a luz do sol...
Porque toda alegria feneceu.

Caxias - MA, 26 de julho de 2014.
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais

PADECER




Nas noites rumorosas meu silêncio padece!
Como quadros adormecidos fico a esperar!
Dentro de uma moldura meu corpo fenece!
Só resta a esperança do infortúnio passar!

Alguma coisa triste insiste em me dizer:
Que sou mar seco que ninguém conhece,
Sou árvore morta que jamais vai florescer,...
Que serei húmus primitivo que hoje padece!

Sozinha meus olhos andam pelos recantos,
Tentando encontrar paz no mar das alturas,
Afogando-me nas dores vindas com pranto.

Na agonia, vejo o anjo na sua linda alvura,
Ergo os braços em gritos pedindo a santo:
Proteção a alma aflita com sua armadura.

Elany Morais