Sou educadora e escritora

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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

INCOERÊNCIAS

INCOERÊNCIAS
Elany Morais

Não sei por que as coisas da vida aparecem com certas envergaduras. É a noite que não finda, é o grito que não veio, é o canto que destoa, é o belo que é feio. E como pode o mundo suportar isso? É a fome que corta..., é a terra que se abre, é a chave sem porta, é o sonho que se acaba. Não hei mesmo de entender o que mais se pode suceder. É o baile do desencontro, é o show de enganos, é a linha sem ponto, é a liberdade sem cigano. E como aceitar tantos imprevistos? É a vida que seca, é o morto que vive, é o santo que peca, é o crime que é livre.

Caxias - MA, 15 de setembro de 2014.

Todos os direitos reservados a Elany Morais



domingo, 1 de junho de 2014

AS DUAS FACES

AS DUAS FACES
Elany Morais

Há quem me diga
Que no coração
Só se deve guardar boa recordação; ...

Mas nas nossas malas cabe tudo:
Dores, rancores, amores, desilusão,
A lembrança do perfume
E da última canção.

Pois nessa vida
Somente o belo não há
Há o nosso escuro que é feio
E a luz que não é má.

Caxias -MA, 01 de junho de 2014
Todos os direitos reservados a Elany Morais

domingo, 18 de maio de 2014

DUAS CARAS

DUAS CARAS
Elany Morais

Tenho duas caras:
Uma bonita; outra feia,
Qual delas vejo?...
Dependerá de minha alma
E do meu espelho.

Tenho duas caras:
Uma bonita; outra feia.
Verás sempre duas delas,
Pois se enxergares apenas uma
Certamente, isso será defeito.

Tenho duas caras:
Uma bonita; outra feia.
Mas querer apenas uma
É um problema que não
Tem jeito.

Caxias- MA, 18 de maio
Todos os direitos são reservados a Elany Morais

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

VER O INVISÍVEL

Existem olhares que não se repetem. Penso que meus olhos são pequenos demais, porém sinto que eles  querem abarcar o mundo em fração de segundo.

Meu olhar se alimenta do silêncio. É na quietude do mundo que ele se deleita com a beleza quase imperceptível das coisas.

Quando as horas ainda dormem, ponho meus pés para cumprir seu papel, e meus olhos agradecem. Nesse momento, vejo que a natureza dispõe de um repertório fascinante de coisas sensacionais e belas.
A cada passo, detenho-me a contemplar um pássaro que faz seus movimentos espetaculares no banco da praça. Ouço sua voz, seu cantar, sua festa...Então, ponho-me a pensar que muitos ainda são privados da verdadeira beleza e pureza do mundo.

O espetáculo natural se apresenta aos meus olhos como  a mais completa representação da vida. Por isso, nos meus passeios matinais, minha alma mergulha nos detalhes naturais. Meu ser se rega de cuidados, para não ceifar a vida de quem está em paz: Na pequenez de minhas retinas, vejo ampliada aquele pequeno ser: a formiguinha, que não tem nada de INHA para meu ver e sentir. Ela se agiganta na minha direção, ensinando-me lição de persistência e valorização. Não piso sobre tal existência, visto de paciência na tentativa de atribuir olhos e sensibilidade aos meus impiedosos pés. Piso com cuidado, com delicadeza em respeito àquela que sabe viver.

Constantemente, paro, e o cenário se desenha na minha face. Sinto que aquele palco do mundo é divido somente com as pessoas que conseguem enxergar a verdadeira beleza do mundo.

Elany Morais


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