Sou educadora e escritora

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

NÃO MAIS SERÁ

O passado com sua força hércule não endureceu o coração.Continuarei a viver sob sol,eliminando dores,desgostos,mágoas...Meus rascunhos foram passados a limpo,sem deixar nenhum vestígios de borrões existentes por descuidos.Não foi necessári...o um super homem para reescrever a vida,fazendo correções extraordinárias.Foi de responsabilidade minha reconstruir meu ninho com fios finos de grande fortaleza.
Na vida redesenhada,aprendi fazer de mim a minha principal companhia,multipliquei meus ombros,não cruzei os pés na soleira da porta,retirei os espinhos das veredas,desfiz as sinuosidades das curvas,respostas foram encontradas.Nenhuma saudade habitará mais meu peito.Não serei mais barrada em baile nenhum.Minha força não se ocultará.Encontrarei fora do abismo tudo que desejo.Nenhuma dor me será inevitável.A pessoa amada não será mortificada,apedrejada...A incredulidade não residirá em meu ser.Minhas palavras serão molhadas de amor,palavras repeditidas serão apenas de amor,de amor...Falar só de amor.Não farei falta na vida dos seres submersos na sofrência.Meus segredos ganharão vida própria.A insônia morrerá de palidez.A dúvida será imergida no desprezo sedento.Sob o céu,minhas certezas ganharão grandes vultos.O tempo deixará de ser empurrado para o penhasco.As horas andarão livre como as águas do rio que correm,sem a preocupação com um destino certo.A espera perderá suas garras afiadas.O corvo não sujará meu texto leve.Meus olhos não enxergarão indiferença dos que só sabem desprezar.As surpresas terão lugar de prestígio em meus pensamentos.Meu ciúmes deixará de ser imensamente criativo,seus olhos ficarão míopes.O silêncio não mais me corroerá.Nenhuma luta será perdida.O medo só me servirá como amigo.E o principal,eu estarei sempre me perdoando.

Elany Morais
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais

MUDANÇAS


 
Seguirei nessa poeira que me conduz para mais além.Mas será necessário que eu pontilhe o emblema da direção. É preciso desancorar o barco e partir.O pensar não pode ser caduco.O novo terá de me seduzir e me arrastar para uma viagem sem destino certo.O gosto salgado das lágrimas será abandonado.Qualquer ofício será esquecido.Lábios aflitos serão desprezados.Nenhum remorso rasgará minha pele.

 Caminharei como a "sanguessuga sedenta de calor".O pudor do corpo será repudiado.O alarido frenético das vozes serão ignorado.As confidências ressentidas não constarão mais em minha memória.Não morrerei num covil.Não ficarei fechada como um caracol.Confissões de amor inacabadas serão fragmentadas e atiradas ao vento.Protelar orgasmo jamais.Não catarei migalhas no lixo.Meu segredo não será confiado a fraqueza dos faladores.Meu mundo fictício se desmoronará.Figuras irreais serão palpáveis.Os jornais não mais  se apossarão de meu dispor.Nada me será particular,nem mesmo as doze horas do dia.Minha alma será dispersa do meu corpo.Minhas dores não mais terão raízes frondosas.Minhas palavras não mais seguirão a ordem da disposição.Todos os cravos e espinhos de minha alma serão lançados fora.A noite deixará de ser um gênero temido.Laços das cordas serão desfeitos.Minha essência ficará totalmente nua.Meu corpo se defenderá do tempo e do espaço.A linguagem estelar será para mim decifrável.A vaidade não se ostentará.O escândalo conservará seu grito desesperado.
 
Elany Morais
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais

terça-feira, 3 de setembro de 2013

E ASSIM CAMINHA A VIDA

Por que a vida é assim?
Quando tudo parece um mar tranquilo e sereno,o cenério se veste de carnificina.No momento em que se acredita na existência das quatro pernas da cadeira,esta é,vergonhosamente,manca.Ao pensar que a felicidade cairá dos céus sobre nossos corações,descobre-se que ainda temos que,com muito labor e cudado,construir a tal felicidade.No instante em que se pensa que podemos naturalmente embelezar a vida,percebe-se que precisamos adquirir capacidade para isto.

E assim prosseguem as sucessões de sabores amargos e azedos: quando se pensa que está nos braços da esperança,ela ressurge agonizando,não sendo mais verde,mas sem cor.Quando se compra um espelho para ver o que nos apetece,logo ele se rebela,e como castigo,esfrega sem consideração a deterioração de nossa pele.Ao fantasiarmos que há apenas uma pedra no meio do caminho,agiganta-se em nossa frente uma rocha instransponível.Se o paladar se delicia com o doce,o amargo já está a caminho.Quando se crer que atravessamos a ponte,já estamos em pleno mar revolto.Quando se deseja pingos de água para nosso deleite,sobrevém uma tempestade sem hora para uma pequena trégua.Quando se ver possesso de inspiração,muito não se demora para o trabalho oficineiro começar.E se se gosta de dançar,no melhor da festa,tudo pode acabar.O amor da vida inteira em frações de segundos podem terminar.Quando se pensa que é a chuva na chapada,é-se apenas uma frase boba do chapolim colorado.


Elany Morais
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais

MEMÓRIAS

Minhas memórias são farrapos.São espelhos quebrados.São códigos,mas não tão secretos.Elas explodem em todas as direções.Lamçam fios que me prendem. Dentro delas há milhares de coisas subtendidas.
  Minhas memórias possuem garras afiadas,perfuram meus sonhos ao meio.Não me dá ao menos licença para dormir.Elas não me deixam cair na vida.Elas me observam com olhos felinos.Quando suspensas,minhas memórias ferem-me embaixo do braço,perruando meu coração,deixando jorrar meu líquido jocoso,lançando fora meu respirar.
 Minhas memórias são roxas,pisadas,socadas,mas não seladas.Elas não passam,abraçam-me,pousam em minha cabeça como tela prateada.Minhas memórias deixaram minha sensibilidade totalmente desgovernada,com vida própria,com a liberdade de cão sem coleira.
  Minhas memórias não me deixam rezar.Não me deixam ser alguém.
 
Elany Morais
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais

PORTO SEGURO

Anatoly Piatkevich
                                                   
                                                   
O que não quero brota em mim,no fundo de minhas entranhas..Vejo tragar meu destino,onde não quero ficar.Escondo-me no escuro  para não vê as linhas tortas do passado,espero apenas o sopro do vendo para meu destino ficar selado.Entre laços e pedaços,lanço-me descalços nos desembaraços dos meus pensamentos lentos.Vou desfazendo minhas personalidades enrugadas,dilaceradas,em busca de um porto seguro,que não seja um muro,mas que seja um lago sereno,onde a bonança seja o acúmulo de segurança´para um espírito sofredor.


Elany Morais
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais
 

 

SOLIDÃO

 
No mundo a multidão,

o homem sozinho,
em sua solidão.

No mundo o medo
o homem sozinho
com seus segredos.

No mundo a dor                                                                                                          Max Ginsburg
o homem sozinho
a seu favor.

No mundo a violência
o homem sozinho´
pede clemência.

No mundo a alegria
o homem sozinho
em sua magia.

No mundo a revolta
o homem sozinho
não se empolga.

No mundo o desamor
o homem sozinho
com sua dor.

Elany Morais

Todos os direitos reservados a Elany Morais


 

domingo, 1 de setembro de 2013

QUADRO VAZIO








 Fico inerte.Meu cenário é quadro vazio. A mente estática como tela adormecida não se rebela e não se revela.De repente,sou possuída pela certeza de que posso viver bonito.Meu corpo estremece.Meu ser padece. É uma batalha conflituosa. Vislumbro sombra sem pontos,sem forma...Fantasias surgem,vem a tristeza.Peço socorro para minha força.Minha força não vem.Agora minha cabeça gira,lasti...
ma...Ensaio um passo. É um passo tímido.Meu tripé não está em comunhão.Minha cabeça voa,os pés vão ao chão.
Meu mundo precisava nascer.Foi dentro dessa compreensão que me pus adormecer.Precisava eu fazer um trabalho de construção.Trabalho de corpo,alma e coração.Transformei-me em operária.Recorri a mudanças profundas em minha alma solitária.
Eu agora era inquestionavelmente real.Meus delírios quedaram no campo marginal.A vida reaparece como uma gota de chuva.
O quadro já não mais vazio se encaixa em mim como uma luva.A natureza morta se vivifica e a certeza da vida se solidifica.

Elany Morais


 ANÁLISE LITERÁRIA DE QUADRO VAZIO POR NÉA TAUIL


 Quadro Vazio, tela branca é o oposto do Quadro cheio, tela preenchida com cores. Cores são forças, forças opostas que existem dentro de nós. "É uma batalha conflituosa" sem fim entre nosso lado iluminado e o nosso lado sombrio. O lado iluminado grita: "sou possuída pela certeza de que posso viver bonito". Mas o lado sombrio também quer o seu espaço dentro de nós e grita: "vislumbro sombra sem pontos, vem a tristeza. Peço socorro para a minha força. Minha força não vem." Quadro vazio mostra a dualidade que existe dentro de cada um de nós. Quadro vazio revela o desejo de curar a lacuna entre luz e a escuridão para viver uma vida autêntica em que "a natureza morta se vivifica e a certeza da vida se solidifica.

Mais uma obra magnífica Elany Morais que coloco o meu olhar e vibro com tanta magia. Parabéns.
Néa Tauil
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais e Néa Tauil