Sou educadora e escritora

domingo, 15 de setembro de 2013

FUSÃO DE CORPOS

 
O verde secreto dos meus olhos é teu.Minha pele espera por tuas carícias como o cão almeja o toque do seu dono.Quero sugar teus lábios entreabertos,com minha alma totalmente desinteressada de desejos vis.Nossos afagos são confissões noturnas.Lá fora,sob a luz da lua,as flores festejam nosso amor.Tuas vestes se abrem em festa para mim.De forma perfeita,encaixa-se em mim,tuas sinuosas curvas.Nossas peles aterrissam uma sobre a outra.Arremeço-me em teus braços em êxtase.Nossas almas se fudem,num calor abrasador.Na pedra de nossos corações,nossos nomes estão gravados.

  Não posso desfazer de meus desejos por sua alma fina.Não se refaça de seus medos de amar sem fim.Toco teu rosto para saber que ainda és minha.

Elany Morais

 
Todos os direitos reservados a Elany Morais

CAMINHO DESERTO

 
Eu sigo sozinha na estrada pedregosa.Não há verde,não há flores.Nenhuma mão para segurar a minha.Nenhum rumor de vozes.A vastidão me desampara.A amplidão força meu abraço.O gosto é azedo,sentido na máxima potência.O vento segue direção contrária.A noite é monótona.As horas se arrastam.Meus pensamentos pesam.A aspereza do ar violenta minha face.Meu olhar perde a direção.Minhas mão ficam espalmadas para o nada.A saliva se despede. O grito da existência ecoa.A luz tem tempo estreito.A chegada tem futuro duvidoso.A caminhada se dilata.Eu sigo a passos largos.A persistência é minha sina desde pequenina.Não delato meu temor.Vou devagar,fatiando minha dor.


Elany Morais
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sábado, 14 de setembro de 2013

ARREVANCHE

Não amo o estreito.Sou de um sonho que o desejo padece.A correria do vento me basta.Não almejo galopar em nuvens sombrias.A seta da culpa já não mais me flecha.Eu era dos outros.Abandonei a caverna.Meus pés não estão submersos na areia.Ele...s agora flutuam.Minha memória apagou os salões escuros.Já não me alcaçam.Meu corpo é alado.
Hoje deito na relva,sem o peso do sapato.Meu olhar verde se alargou,sem limite,sem direção autorizada.Minhas unhas não mais me ferem.Não grito mais de frio.Eu sei cuidar do meu eu.
Contemplo as mãos,dos algozes,aflitas na minha distância planejada.Minhas garras me sustentam no alto.Levanto voo na hora certa.Flutuo sobre o vento e sobre a água.Sobrevivo na montanha invisível.Não quero sinais.Ninguém enovelam meu destino.Eu corto as asas nos dentes.O mundo corre comigo.Não sou mais bola parada.A estrada não é mais triste.A noite não é vadia.Não espero a morte.Eu molho as cores.Sujo as mãos de tintas sem temor.As flores nascerão em mim.O tempo não me cutuca.Estou em PAZ.

Elany Morais

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NÓS

O vento te pôs aqui bem pertinho do meu peito.Eu distraída não vi que fincava tuas raízes,em mim,sem nenhum defeito.Nosso sangue, num fio, se juntaram para superar a vida em plena letargia no leito.

Elany Morais
 
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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O GRITO

Então o grito
lá dentro de mim
onde havia apenas
medo das coisas sem nome
indaga:...
a vida é tudo ou a vida é nada

ou sou apenas um ser desprezado?
Elany Morais
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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

SILÊNCIO

Finalmente,chega o fim do interminável dia. Com ele,vem as horas mortas cheias de melancolia.Transformo-me em silêncio,e do meu silêncio,nasce outro.Essa fome de calar-me serve de mensagem.As coisas tangíveis para mim,vacilam.Vem o meu silêncio que pode ser um tempo sem volta.Minhas palavras antes ouvidas,agora dormem na escuridão.

Elany Morais


Todos os direitos reservados a Elany Morais

PASSADO

Não existe instrumento para medir meu passado.
Não existe acesso para meu código secreto.

Não existe feridas para meu espírito sarado.
Não existe ódio para meu sublime afeto.

Existem  em mim pequenas doses de eternidades.
Existem em mim dores sem feridas.
Existem em mim  promessas com verdades.
Existem em mim mantas brancas cingidas.

Elany Morais

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