Sou educadora e escritora

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

É PRECISO SABER VIVER

É PRECISO SABER VIVER
Elany Morais

Se vai castigar meus dias com todos os tipos de desesperos, então vou desejar uma vida maior. Tocarei o hino dos amantes no silêncio dos corações empedrecidos, tangirei os ponteiros do tempo na velocidade... do susto de um beija-flor, farei de prenúncios a simplicidade de um piscar de olhos, entoarei vozes unânimes na proclamação da passagem do dia frio de amores fingidos, exaltarei o canto anônimo, elevarei o espírito raquítico pelo egoísmo de quem não deseja dividir o espaço do caos da vida, pintarei os dias da cor da paz, enterrarei o sossego ausente no alicerce das paredes, dilatarei a visão de quem não sabe ou teme viver, ensaiarei meus ouvidos para mil vezes a mesma canção ouvir, apagarei o fogo que arde nas minhas mão, de tudo farei mais um pouco, de um grito qualquer farei uma canção. Enfim, aprenderei as cartas do jogo do bem-viver!!!
Elany Morais
 
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HIPOCRISIA

Quase tudo anda mal de se ver. O céu está apagando-se. Não posso regar meu jardim, meu abraço não pode ser apertado, tu não podes chegar junto a mim. Quantos são os caminhos ocos que nos levam para uma alma de monge? Todos os dias a vida nos arremessa para o lamaçal da hipocrisia, é uma caminhada que parece não ter mais fim.

A cada dia, assim como o vento fustiga os galhos dos arvoredos, os falsos valores abalam minha quietude. E uma voz do pensar fingido enegrece meu sentir e meu olhar, assim minha lágrimas, minha revolta e minha dor ficam guardadas por um tempo que meu relógio domínio não tem.

Em vão, tento suavizar meu instinto que a mim foi me dado para enxergar o caos da vida. Haverá o tempo em que as fechadas folhagens não mais me ocultarão nem meu simples perfil será indubitável. Não serei mais amante do silêncio diante daquela mão pálida e gélida que aperta a minha, carregando o gosto de fel nos lábios maldizentes do meu espírito aventureiro, que vaga em busca da justiça, da verdade, do bem comum, da liberdade,  principalmente ,de amar, de ser a si quem realmente se é.
 
Elany Morais
 
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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

ALEGRIA

Meus passos trilharam entre rios, mares e pontes em busca  da alegria em qualquer parte, ou em qualquer fonte. Mas não a trafiquei nem a surrupiei, desenhei-a nos momentos mais improváveis e impossíveis de se fazer encontrar.

Como seres alados voava, arredia, esquiva, rodopiando, desfazendo-se em cinzas sob o fogo do tempo, este totalmente indiferente a minha desesperada busca, como único meio de conservar minha tribulada e misteriosa existência.

Quantas vezes tenho visto-a passar pela minha janela, fazendo piruetas no ar?  E eu com as mãos espalmadas, tentando em vão agarrá-la .
 
Elany Morais
 
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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

DESVENDA-ME

Adivinhe-me no sol matinal: é nesse momento que meus caos se organiza.

No alto de meus olhos, há uma enorme vastidão. Queria eu voltar a ser o que nunca fui. Desejar o que por mim foi tolamente desconhecido. Eu não queria ser vista por vidente, queria eu somente que os galhos, sem se despir, estendesse seus braços na minha direção. Porém, na escuridão do meu canto, meus olhos nadavam em ondas de solidão.

Hoje, eu canto com palavras menos sutis para que minha voz revele o que não foi visto. Nesse meu mundo cheio de mistério, há que se criar pastas para se organizar o me desorganiza. Filtrar o que nas minhas águas escurece em plena face solar. Ensurdecer o barulho que me violenta, sem respeitar minha singularidade. Remover toda ferrugem que me corrói silenciosamente, nas noites infinitas e agourenta. Juntar minhas partes perdidas na displicência do acaso que não me ampara.

Elany Morais

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O PASSADO

Hoje quebrei o bloco da resistência interna. O passado, na minha tentativa, será agora apenas um coadjuvante sem plateia.

Nas águas revoltas do meu ser, minhas memórias reclamavam partida sem culpa. O passado trazia preso na garganta o grito reprimido pelos que deveriam ser amantes da inocência. Tudo o que já tinha sido estava sob a capa escura, sombreada por atos vorazes, impensados e impiedosos.

Aquilo  que foi ressecava,, com toda sua feiura, o verde das folhas que tentava suavizar a violência contra os indefesos de alma frágil. A beleza natural servia de testemunha para a irracionalidade e a covardia dos que não enxergavam nada além de seus desejos e necessidades.

A vivacidade da natureza chorava o banho da maldade contra aqueles que só precisavam de amor. Ao mesmo tempo, ela servia de mãe consoladora para os desamparados e solitários num mundo cheio de ódio e dor. Ela apassentava  o coração dos sonhadores, acalentava a alma desesperançada, dava esperança quando deixava o pingo do orvalho resistir a existência por mais tempo do que se esperava.

Esse passado que vivia sob imponente sombra tirava tudo o que poderia ser alegria e encanto, para transformar em dor e pranto.

Elany Morais

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sábado, 25 de janeiro de 2014

PEDAÇOS DE MIM



ANÁLISE LITERÁRIA POR NÉA TAUIL DA PROSA POÉTICA PEDAÇOS DE MIM, DE ELANY MORAIS, SOB UMA PERSPECTIVA PSICOLÓGICA

PDEAÇOS DE MIM

Parecia um dia qualquer, as nuvens embalavam o sol com uma cantiga de ninar. Seus raios preguiçosos não ensaiavam auxílio a mim. Saí como quem colhe vento, em busca de pedaços, pedaços de mim. A cada procura, um devaneio, um suspiro, uma dúvida, uma certeza...

Interrogações eram meu consolo. Buscar onde não deixou? Querer o que não há de ser? Meu desejo era o retorno recomposta. Composta dos pedaços que voaram ao vento, nos espaços e no tempo.

O caminhar era incessante, o procurar era extenuante. Embalo a dor na garganta e sigo caminho a diante. A solidão a todo instante cochicha que tudo é delirante, mas não a escuto porque meu espírito tem destino errante.

O desejo desenfreado de voltar viva, inteira, sem remendos, sem retalhos, faz-me andar com malas vazias para guardar meus pedaços.

Vou driblando muralhas, abrindo portas, fechando fendas, desatando nós para juntar-se a minha parte que me faz sentir maior.

Nessa procura, a felicidade ceia comigo, abandono o sofrimento que se fez de mim inimigo.

Elany Morais
http://educadoraelanymorais.blogspot.com/


ANÁLISE LITERÁRIA POR NÉA TAUIL DA PROSA POÉTICA PEDAÇOS DE MIM, SOB UMA PERSPECTIVA PSICOLÓGICA

 O texto poético "Pedaços de mim " mostra claramente a tomada de consciência sobre a importância da eliminação da cisão interna entre as forças luz e escuridão para a transformação da dor em sabedoria. Nosso "eu"é composto por muitos eus e esses eus com seus pontos fortes e fracos compõem essas duas forças dentro de cada um de nós. De acordo com a psicologia, essa cisão acontece quando nos separamos de certas partes do nosso eu e as reprimimos, pois desde muito cedo aprendemos a ter vergonha do nosso ser como um todo. Temos vergonha de certas partes de nós mesmos, e as escondemos, ou seja, tentamos reprimir nossas falhas, imperfeições e os pontos fracos. Mas ao tomarmos consciência dessa cisão, tendemos a deixar de nos importar com o dedo acusador que estabelece que nossas imperfeições são desprezíveis e, por isso devem ser reprimidas.Também ao tomarmos consciência dessa mentira insana de que é possível eliminar o nosso lado sombrio, abrimos as comportas do amor próprio e o ímpeto de "buscar pedaços, pedaços de mim..." e integrar esses pedaços/eus liberta o "desejo desenfreado de voltar viva, inteira, sem remendos..." "composta dos pedaços..." , especialmente dos pedaços considerados inaceitáveis devido as suas imperfeições. Sustentada por esse desejo, "embalo a dor na garganta e sigo caminho adiante", ciente que a integração da dualidade luz/escuridão elimina a cisão, fortalece a autoestima e nos dá ferramentas para ir "driblando muralhas, abrindo portas, fechando fendas, desatando nós...". Quando passamos a reconhecer e aceitar os pontos fortes/luz e os pontos fracos/escuridão dentro de cada um de nós como forças aliadas e não inimigas, podemos ir além da superfície e ser quem sempre desejamos ser.

Néa Tauil

NÉA TAUIL-Especialista em Psicoterapias Dinâmicas pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Especialista em Psicoterapia de Técnicas Integradas (Psicodinâmica, Cognitivo Comportamental e Familiar) pelo Instituto Fernando Pessoa de Porto Alegre e recebeu o Título de Especialista em Psicologia Clínica pelo Conselho Federal de Psicologia.

É autora do livro de Poesia Pérola Viva e coordenadora das Antologias Poética: Poetismo Brasileiro, Ecologia Brasileira e do Guia dos Escritores Brasileiros, publicados pela ABNL Editora, SP. Escreveu o prefácio do livro Pedaços de Mim da autora Lidioneti Milani - ABNL Editora, SP e do livro Homem e Mulher Num Encontro Especial da autora Leonice Pesci Vidotto - ABNL Editora, SP. Participou e obteve Menção Honrosa nos Concursos Nacionais de poesias: ¨ IV Concurso Raimundo Correa de Poesia¨ - Editora Shogun Arte, RJ e ¨ IV Concurso Vinícius de Moraes de Poesia¨- Grupo Cultural, SP. Também teve poemas selecionados para comporem as Coletâneas: Momentos Eróticos publicado pela Jotanesi Edições - RJ, Poetas Brasileiros de Hoje e Nova Era publicados pela Editora Shogun Arte, RJ.

http://psicologaneatauil.blogspot.com/
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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

PAIXÃO

Sem indecência chega o desejo
em seu desvario,
O coração ávido palpita,
em movimentos
Como animal no cio!

Sem maledicência o desejo chega
em sua irracionalidade,
Desbrava o amor proibido,
rolando no leito
Na suprema fidelidade!

Sem pecado o desejo se faz presente
em sua volúpia expressiva,
Faz- se força entrelaçada entre murmúrios,
Tornando-se flamejante serpente na lascívia!!
 
Elany Morais
Todos os direitos reservados a Elany Morais