Sou educadora e escritora

domingo, 5 de fevereiro de 2017

SUA DOR É A MINHA DOR


Elany Morais

Hoje, a estupidez, a desumanização e alienação são os cães que nos mordem.
Toda alma humana sente o flagelo da dor. Não é castigo dos maus ou privilégio dos bons. É a nossa miserável condição. A dor, não podemos detê-la. Nem sequer as mais nobres e, muito menos, as maiores.

É humano que se apiede do grito alheio. O contrário disso é lama nas entranhas. Não é coisa leve. Só os estúpidos se comprazem com o inferno do outro, que também é seu. Se teu sofrimento não penetra meu sofrimento, então, a minha existência é coisa vã. Todos nós caminhamos, constantemente, de uma dor para outra. Seja ela inerte, solitária, esquiva, fria ou alardeada. Qualquer dor, e seja de quem for, incute-nos respeito. Porque ela é nossa certeza e nossa verdade. É a substância da existência de todos os seres vivos. Por isso, cabe-nos socorrer a dor do outro e nunca perturbar o sofrimento alheio.

A dor nunca deixará de ser o abismo que nos espera. É uma porta que está sempre aberta à nossa espreita. Não podemos dela desdenhar.

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

VIVER TEM DESSAS COISAS


Elany Morais

Viver tem as suas brutezas! O que tem dentro de mim talvez não seja raro nem caro. Não sou um herói ou heroína vencida. Ainda soa em mim um canto que é só meu.

Há muito quase perdi os sentidos pelas baixezas. As vilezas roçavam em mim como asa de morcego. Mas sobre um largo sossego, a força benemérita existia, com seus ais sutis. Às escuras, as asnices galopavam em minha direção, porém, fui criando dentes e asas.

Viver tem dessas coisas de ser dois: peripécia - desânimo, doce - agressivo. Mas ainda me persiste a força para essa dualidade existencial. Eis o destino: viver nesse desatino sem me acostumar. Há algo para alcançar, sem se desfolhar?

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

MINHA TERRA

Por Elany Morais

Não sei em que esfera
Caxias de Gonçalves Dias
é a minha terra!!
Aqui, foi onde primeiro pisei o chão, 
Dormi noites e amanheci os dias,
Mas ela sempre me negou o pão!
Não sei se nela, para mim, há algum legado.
A Princesa do Sertão sempre me fechou os olhos
E os meus sonhos aqui foram abandonados!!
Caxias,
Quando eu me for, nada te deixarei o que
For do teu agrado, porque muito te venerei
E tu me negaste o bocado!


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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O QUE TE CONSOME?


Por Elany Morais
O que te consome?
O espetáculo não para!
As palmas são como remos no mar.
Aqui, a ferida não sara,
O barco não ancora
E aquele beijo que te devora
Não te ampara nem te consola.
O que te consome?
É a vida que passa,
E o tempo nem disfarça,
Se para isso há outro nome,
Livra-te do que te consome
E agarra-te o que feliz te faça!

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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

VIDA E MORTE


Por Elany Morais
Minha ideia mais recente foi a de esbofetear esse mistério que envolve a existência ou inexistência da vida humana. A decomposição da matéria física são absurdos que me assaltam. Às vezes, visto-me de indiferença como disfarce, porém, meu escasso entendimento leva-me aos questionamentos, às perguntas, que têm como respostas apenas os ecos.
Mesmo nos meus anos de mocidade, esses pensamentos já se comprometiam em fechar as portas da alegria, da segurança e da felicidade. O medo tornou-se o vizinho primeiro, companheiro...E hoje, por que não esbofetear o que meu entendimento não pode alcançar?

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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

QUANDO A ESPERANÇA ME DESESPERAR

Por Elany Morais 

Quando a esperança me desesperar, minhas vontades hão de ficar paradas. Mas enquanto houver um fio de água, eu ainda hei de esperar, de criar, de rir e amar.
Há em mim muitos litígios, porém, a máquina não emperra. E, se vier o que me desespera, apenas observarei os absurdos, sem deixar que minha alma se transforme em qualquer coisa que seja austera.
Não está ao meu alcance o que fechará minha vida. Na minha roda viva, sempre haverá rosais, olhares profundos, abraços ardentes e amores maternais.
Independente de como seja, ou o quanto pese a tampa de um céu cinzento, não existirá nenhuma fria cor sobre a esperança desse espírito que abandonou o destino das almas que vivem cerradas em seus lamentos.
Abaixo os negros pavilhões! Corredores livres, nuvens nos céus, pés sem grilhões, jardins floridos e fantásticas visões.

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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

SUBSTÂNCIAS


Por Elany Morais
Trago em mim todas as substâncias das coisas
que passei, dos lugares por aonde andei,
das imagens convexas - dos sonhos que sonhei.
Tudo em mim canta, vibra, ri e chora...
São verdades bem possuídas comofera que nos devora!
Como hei de ser depósito de nada
se tudo que habita em mim são
como gritos na madrugada?
Eu até queria a singeleza das almas sem vida,
mas como viver sem deixar na alma as coisas
que são sentidas?

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