Sou educadora e escritora

quarta-feira, 30 de abril de 2014

DESVALIDA

DESVALIDA
Elany Morais

Sem saber para aonde vou;
Ando vazia pelas estradas,
Bebendo nas noites estreladas,...
Sem saber que perdida estou!

O luar a mim foi o que sobrou;
Ficou minha videira desfolhada,
Calaram minha voz revoltada
E meu berço brilhante quebrou.

Por isso ando planta desfolhando,
Com o pensamento no infinito,
Atrás do amor rastejando...

Vivo vagando nos instantes finais,
Apelando a tudo e a todos aos gritos,
Morrendo no silêncio dos matagais.

Caxias - MA, 29 de abril de 2014
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais

FALO DA VIDA

FALO DA VIDA
Elany Morais

Falo do vento, das incertezas nas estradas,
Do sol, do mar e das noites com luar,
Falo dos rios e da paixão que vive a faiscar,...
Falo, sem a ingenuidade dos contos de fadas.

Falo da insegurança que quebra nossas asas,
Da despedida com o braço hirto acenar,
Dos cantos apaixonados sob a noite ao luar,
Falo do hipocrisia oculta em cada casa.

Falo de dores, de vontades , de desejos,
De fracassos, de angústia e de vitórias,
Falo de ida, de vinda e do sabor de beijos!

Falo de amor, de luta, de tristeza, de espaço,
de a água, de terra, de Deus e de glória,
Falo de preguiça, e de força em cada passo.

Caxias - MA, 30 de abril de 2014.

Todos os direitos reservados a Elany Morais

terça-feira, 29 de abril de 2014

NOITE FECHADA

NOITE FEHADA
Elany Morais

Era uma noite fechada
Depois de um dia lento
Era uma veste encarnada
Vista nesse momento.
Era um olho fechado
Sob o horror sedento.
Era uma alma amarrada
Num mundo imenso! 
Tormento, caminhos vencidos
Sob o lamaçal;
Lento, o padecer da vida
Nesse rascunho fatal,
Lenta, essa labuta
No momento final.

Era  uma vida abalada
Sob o delírio do vento.
Era o sonho dobrado
Dentro desse lamento.
Era um alma quebrada,
Mas que via alento.
Era uma dor parada
Onde tudo era intenso.

Intensa, a força vencida
No meio desse lamaçal
Intensa, a morte pressentida
Nesse vendaval.

Caxias -MA, 29 de abril de 2014.
Todos os direitos reservados a Elany Morais

domingo, 27 de abril de 2014

A MORTE DA PAZ

A MORTE DA PAZ
Elany Morais

Reclamo ao vento que passa
A paz para meu país
Mas ele guarda a desgraça...
E a mim nada me diz.

Suplico às ondas que levam
Tanto medo ao fundo d`águas
E as dúvidas não me sossegam,
Deixando no peito as frias mágoas.

Morreram sonhos,
Ficaram somente mágoas,
O destino do meu país
É morrer no fundo d`águas
Pergunto a minha alma,
E nada ela me diz.

Caxias - MA, 27 de abril de 2014
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais

DUAS ALMAS

DUAS ALMAS
Elany Morais

Duas almas navegam
No amor, no apego,
Na poesia interna e...
No sossego.

Duas almas entoam o canto
É disso que falo:
Nele não há dor nem pranto,
Nem devotamento falso!

Duas almas não anoitecem,
Nelas há canteiros com flores,
Os pudores fenecem
Nas ciladas das dores.


Caxias - MA, 27 de abril de 2014.
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais

COSENDO-ME

COSENDO-ME
Elany Morais

Estou aqui. Repetida? Talvez! Estou a me costurar. Pondo remendos consistentes. Ressuscitando sonhos estrangulados. Meu silêncio não era pequeno, por isso, retorço-me na reconstrução de mim. O grito ecoou. O Deus de mim está aqui, soltando linhas para meu tear. Agora, cabe a mim, somente a mim, a me ajustar.

Antecipada, os fios que agora me sustentam estão amarrados na lógica antes desconhecida. Vejo-me cruzada, tampando vácuos com histórias escondidas. Vou, aos poucos, tendo-me, ouvindo-me. Estou trabalhando em mim, com quietude.

Passado, eu não me sabia. Eu não era. Agora vou sendo. Vou sendo devagarinho. Estou a colar pedaços, pequenas partes, partes de mim. Vou segundo a trilha. Reparando fendas, cosendo brechas, revisando a conta, recobrando dívidas, apagando os borrões que não foram feitos à tintas.

Calma! Estou a emergir, num silêncio, quase solitário. Em pequenos passos, vou reversando-me. Contemplar-me com fidelidade é o meu plantio. Meu solo está fertilizando-se. Está crescendo livre, corajosamente.

Quem sabe, no remate final, ficarei toda aveludada, com pulmões largos, sem visão eclipsada. Ousada, agora sou, pois quero me refazer para eu me tornar ser, ser apenas eu.

Caxias - MA, 26 de abril de 2014.
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O VENTO

 
O VENTO

Elany Morais

O vento é vozes
O canto é vago
O belo, do amante
O vento sibila fraco
A água é espumante!

A alma é errante
Na face, o desgosto
O lago é manso
O vento bate no rosto!

O socorro vem do alto
O sol é a pino
O canto é puro
O vento é fino!

Caxias - MA, 27 de abril de 2014.
 
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