Sou educadora e escritora

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

LEMBRANÇAS


Elany Morais
A lembrança de um lugar, onde já não
Mais moro, vem me pisando devagar!
Lá, o gado morria de sede, o mato
não era tão verde, via-se quase tudo faltar!

Eram tempos de amargura, em plena noite
Escura, ouvia-se a lua soluçar!
Era um lugar triste! E, agora, as lágrimas
não contenho! Na minha lembrança
existe as marcas que ainda tenho!

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segunda-feira, 26 de março de 2018

TRAIÇÃO DOS DEUSES


Por Elany Morais

Minha tragédia tem um silêncio
quase inflexível.
Os deuses de minha infância
me traíram
e as emoções se fraturaram..
O velho tempo, sempre fiel,
não foi complacente com meus
suspiros queixosos.
Os ais foram derramados
inutilmente.
Do sol os raios foram apagados
pelas trevas alheias
mas os pensamentos gritaram
no breu reluzente.


Todos os direitos reservados a Elany Morais

quarta-feira, 8 de julho de 2015

O TEMPO DA ESCOLA

O TEMPO DA ESCOLA
Elany Morais

Para as crianças, passa lento o tempo da escola. As esperas são infinitas, e as matérias são monótonas. Julgam pesada a perca de tempo, fazendo da hora de saída, o momento mais esperado. As ruas cintilam em suas cabeças. Tudo lá fora vira mágica. A escola aos seus olhos é cinza. Que incompatibilidade! Pois as crianças são tão diferentes, elas são todas coloridas. Por que não querer voar para longe dos portões escolares? É lá onde ecoa um medo surdo, a linguagem é seca, sem vida, sem aquele gosto de abraço apertado, sem cheiro de mãe nem os vestígios dos brinquedos largados.
As crianças sabem que é preciso deixar a fantasia reinar para o tempo da escola suportar. E, arrisco-me a dizer que estar submerso na fantasia é viver a realidade de forma mais justa, mais coerente, mais honesta possível.
Como se encaixar tanta abstração na cabeça de quem só quer sentir o gosto da vida que se inicia? A vida para as crianças é novidade, é descoberta... Precisam de mãos e pés soltos, precisam de respostas, pois as perguntas já lhes pertencem. Para que entender símbolos se ainda não se sabe viver? A simbologia máxima pode ser o existir, o sentir que dá gosto de nesse mundo permanecer.
Faz-se necessário desenvolver nos iniciantes dessa nau o desejo de se preservar, de querer ser, de se querer, de querer ficar, de querer crescer, de querer amar-se e, consequentemente, amar os outros.
Ah! Esse tempo da escola passa lento, devagar... Tudo flui numa morosidade. É na escola que se encobre o natural, é onde se diz que meus nós estão frouxos. É lá onde se amara, onde se cala o que de fato se sente ou pensa. Os grandes portões dão o recado: “aqui pés soltos serão amarrados.” E por que não dizer que também amarra o coração?


Caxias- MA, 07 de julho de 2015.

Todos os direitos reservados a Elany Morais

quarta-feira, 1 de abril de 2015

DISTÂNCIA

DISTÂNCIA
Elany Morais

Sim, por ti fui ferida,
Manteve-me á distância,
Sombreou a minha vida,
Na minha pobre infância.

Não tive semelhança,
Nem mesmo identidade
De quando  era criança
De sua maternidade!

Agora minha alma fala,
Mas não escuta nada teu,
Minha liberdade exala
O ser que agora sou eu!


Caxias- MA, 31 de março de 2015.

Todos os direitos reservados a Elany Morais

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

BONECA DE MILHO

BONECA DE MILHO
Elany Morais

Eloísa era uma criança, de aproximadamente cinco anos de idade que sonhava em ter uma boneca com cabelos, mas a vida de extrema pobreza não permitia a realização desse simples sonho. Acontece que Eloisa não era como qualquer outra criança, era especial na sua pele pálida, franzina, escassa de sangue e de quase tudo, menos de imaginação. Nos dias claros, o vento tinha sempre a missão de sacudir suas tranças longas e loiras. A sua voz parecia o som surdo de um lago manso. Porém, nos dias mais sombrios, este som era praticamente inaudível. Mas ela continuava com o pensamento fixo no desejo de possuir uma boneca com cabelos apesar das privações.

Sim, a privação sempre presente parecia ser o destino da pequena heroína que foi gerada no acaso dos infortúnios de uma mãe que não sabia amar os seus rebentos e, mesmo tão pequena, já percebia que, nas casas vizinhas, sobressaiam-se as figuras de um homem e de uma mulher amorosos que costumavam ser chamados de pai e mãe pelos pequenos como ela. Pobre Eloisa, nem pai ela tinha e parecia que essa ausência era apenas o começo de muitas ausências e privações.

A verdade é que Eloisa tinha que lidar o tempo todo com a falta. Falta de pai, falta de uma mãe amorosa e protetora, falta de alimento para o corpo e para a alma, falta de amor, respeito, carinho, cuidados básicos que uma criança precisa para crescer saudável física e emocionalmente. O que se pode dizer é que Eloisa precisava ser muito resistente apesar da carência e do medo que rondavam a sua vida constantemente.

Nada parecia um conto de fadas na vida de Eloisa, raras vezes, ao amanhecer, ela despertava com tranquilidade. A sua rotina era ouvir, nas primeiras horas da manhã, a voz seca, fria e ríspida da mãe gritando por ela. Eloisa sempre obediente e disciplinada, não compreendia as razões pelos maus-tratos que recebia da mãe descompensada e constantemente raivosa. Era nesse momento que tudo doía nela. O vazio se agigantava. Timidamente, lançava um olhar piedoso e temeroso para a mãe, na tentativa de encontrar um consolo, uma esperança, mas cada tentativa de busca de proteção na pessoa que a deveria proteger, era um fracasso porque esta sempre a repreendia com olhares frios ou com castigos físicos.

Mas para Eloisa os castigos físicos pelos quais passava doíam menos do que os psicológicos, pois em seu desespero ela sempre apressava o ato de apanhar para não ter que ouvir as injúrias, os xingamentos da mãe. Contudo, esse mar de tortura, onde habitava Eloísa, não tirava a sua capacidade criativa e muito menos o desejo em possuir uma boneca com cabelos, de sonhar, de voar, de alçar voos para os mais distantes lugares. Eloisa se agarrava aos sonhos e nos sonhos ela via apagar todas as cicatrizes físicas, em suas costas, deixadas pelas surras que recebia da mãe. Ela não mais sentia um cabo de vassoura descer em sua cabeça por ter esquecido de se calçar ou por não ter pedido a bênção para mãe. Também não ouvia mais as pessoas de sua casa dizerem que ela era lenta, preguiçosa, imprestável. Enfim, em seus sonhos, ela não era objeto de satisfação sádica da mãe e das irmãs, nem motivo de zombaria para quem quer que fosse daquela casa.

As pessoas pouco sensíveis entorno de Eloísa julgavam o seu comportamento de maneira destrutiva. Era vista como alheia, lenta, sem viço, sem vontade, sem força e sem coragem de ousar ou desejar. Fossem quais fossem as razões de Eloísa assim parecer aos olhos dos outros, dessa forma, o certo é que ninguém possuía mais desejo e mais determinação do que ela. Eloísa ousou querer. Em meios as poeiras e matos secos retorcidos, sem estrada e sem sonhos, ela quis, não muito, mas apenas uma boneca que possuísse cabelos. O que era drama infantil, tornou-se uma história de poder imaginativo e de grandes realizações, porque possuir uma boneca com cabelos  era tudo o que Eloísa queria.

Esse desejo se agigantava no peito. Vinham-lhe promessas fortes, mas a fortaleza dessas promessas só durava o que dura os sonhos: muitas das vezes, menos de a metade de uma noite. Isso porque na casa interna e externa de Eloísa, o nada ganhava formas inimagináveis. Mas quando, percebeu que somente ela seria capaz de realizar seus sonhos, o nada transmutou em tudo, o tudo concreto, palpável.

E foi num dia quente, que Eloísa saiu, contando os passos, para que uma ideia lhe surgisse. Ideia que propiciasse a realização de seu grande encontro com a boneca de cabelos. Foi nesse vagar, que deparou-se com um milharal. Ela não acreditou no que viu: uma boneca com cabelos. Para muitos que foram fartos de toda sorte de brinquedos, quando criança, podem achar esse fato uma banalidade, mas para Eloísa, possuir uma boneca com cabelos era uma grande conquista. Seu desejo fora realizado, quando ela viu uma espiga de milho, que aos olhos dela, era uma linda boneca, com longos cabelos. Os dois pequenos olhos verdes faiscaram diante da espiga de milho.

Nesse momento, ela agarrou-se à espiga de milho e tudo se transformou em festa. Logo, percebeu que sua boneca precisava de roupas especiais. Pensou, pensou... Como poderia fazer roupas? Sem muita demora, lembrou dos recortes de pano jogados no lixo pela sua mãe. Então, correu, apressadamente, amparando a boneca sobre o peito, com muito cuidado, para proteger os cabelos do seu novo brinquedo. Ao chegar em casa, ofegante, pôs-se a remexer objetos que para muitos seriam imprestáveis.
- Pronto! Disse ela.
-Encontrei a mais bela roupa para minha boneca que tem cabelos!

Eloísa havia encontrado um pedaço de pano duro, retorcido, gasto pela ação do sol, do vento e da chuva. Mas para ela era tudo que precisava. De imediato, viu um pedaço de barbante, e pensou:

- Está tudo completo.

Então, pegou o sabugo de milho, que na verdade era o seu mais grandioso brinquedo e o embrulhou sobre o pedaço de pano, que foi encontrado a muito custo. O barbante foi o remate final. Eloísa amarrou o pano envolta do sabugo, e agora sua boneca estava perfeitamente vestida.

 -Pronto, pensou ela.

Eloísa deteve-se por alguns instantes bastante contemplativa. Ela olhava fixamente para os cabelos da espiga de milho. Mas era um olhar de grande satisfação. Ela mais conversava do que murmurava consigo mesma. Eloísa, num estado de encantamento, entendia que aquele brinquedo era ela em si, sem que nada lhe doesse. Nesse momento, Eloísa fazia grandes descobertas: descobria o prazer, e principalmente, o poder que possuía de moldar a realidade em seu benefício. Agora, ela sabia fabricar suas realizações sem sofrer do mal de não entender o que se sente. Não se traía diante da boneca. Não permitia que o desamor alheio lhe roubasse aquele momento sublime. Eloísa não abriu porta para sentimentos contraditórios, para convulsões conflituosas, para dores irredutíveis, por fim a alegria tomou conta de Eloísa.

Todos os direitos reservados a Elany Morais


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

PURIFICAÇÃO


PURIFICAÇÃO
Elany Morais

Lama cai sobre meu rosto.
Quero água que limpa meu sangue,
Que limpa minhas nódoas,
Que lava meu desgosto!

A seca  fere minha garganta.
Quero água que mata minha sede,
Que lava minhas impurezas,
Que rega minhas plantas!

E o que não veio da infância?
Quero água que lava minha alma,
Que purifica meu corpo,
Que  leva minhas lembranças!

Caxias - MA, 05 de  dezembro de 2014.


sábado, 14 de dezembro de 2013

INFÂNCIA PARTE VI

 
Em vão, tentaram fechar meus caminhos: rasgaram minhas vestes brancas. Poluíram meu mar sereno. Postergaram minha viagem. Roubaram meus primeiros passos. Desligaram minha luz original. Sacudiram minhas noites. Violaram meu corpo. Surripiaram meu sono. Flecharam meu silêncio. Naufragam meu barco. Subtraíram meus frutos. Chuparam meu último gomo. Abafaram meu ódio. Calaram meu grito. Cegaram meus olhos do presente. Esvaziaram minha imaginação. Exorcizaram meu futuro. Partiram minha pele.  Lançaram-me nos enganos. Cassaram minha morada. Demoliram minhas esperanças. Partiram a corda do meu destino. Atrasaram meu relógio. Esconderam minha morte. Envelheceram minha dor. Atacaram meu prazer. Salivaram meu rosto. Apedrejaram minha inocência. Transfiguraram minha planície. Esculpiram minha mágoa. Dissolveram minha alegria. Salgaram meu vinho.  Secaram minha água. Exibiram meu fel. Desintegraram minhas rochas. Reduziram minha condição. Proibiram meu amor. Jogaram a espada em minha mão. Deram-me aspereza. Arquitetaram minha ruína. Fecharam minhas portas. Acorrentaram minha alma. Empurraram-me na cova dos leões. Arrancaram meu teto. Sopraram a luz da minha ração. Desbotarem minhas cores. Quebraram meus retratos. Abriram minhas gavetas. Manusearam minhas mãos. Queimaram minha sorte. Jogaram minhas fichas. Gastaram minhas vidas. Arranharam meus discos. Riram dos meus passos. Zombaram de minha letra. Desrespeitaram minha lógica. Cantaram minha canção. Respiraram meu último ar.


Enfim, deformaram minha infância.
 
Elany Morais
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

INFÂNCIA PARTE IV



 Foi numa daquelas manhãs temerosas. Foram muitas assim. Quando eu me movi naquela redinha triste (na verdade, tudo naquele quarto era triste. O cheiro era triste. A luz que invadia a fresta da porta chegava até mim com ol...hares tristes. Ela amaciava minha pele, a pedir que eu esperasse a tempestade passar, assim, eu ficava imóvel olhando para o brilho daquela pequena luz), eu abri os olhos, vi que mais uma manhã chegava, com sua beleza, mas trazendo pesadelos para minha alma, que já estava abatida.

Inerte, permaneci sentada sobre a rede, eu era uma idosa cansada de viver dissabores. Fiquei perdida a olhar meus pequenos pés marcados pela dureza da vida que me deram. Mas meu passeio por mim não durou por muito tempo, pois logo ouvi aquela voz autoritária, fria, ameaçadora que me gritava, gritava sem considerar que meu mar estava seco, a pedir socorro. Quando ouvi aquela voz, meu coração me disse que estava apavorado, que eu deveria fazer algo para nos protegermos. Levantei cambaleante de tristeza e medo. Nem quis saber o que aquela voz queria. Fui correndo, com lágrimas. Desorientada, peguei uma vassoura(ela era triste. Olhei para ela, parecia que me pedia socorro, agarrei-me a ela, ainda pensei em beijá-la, mas tempo não havia), com a vassoura nas mãos, pus-me a varrer aquela casa, mas na casa na havia sujeira. Sujeira havia no espírito de quem me conduzia naquele mundo feio. O desespero veio ao meu encontro. Fui coberta por um nevoeiro. Eu não tinha mais nada a fazer.

Pus-me a andar como um barco perdido no mar. Eu caminhava para todas as direções sem saber que rumo tomar. Exausta, prostrei-me sobre um tronco de madeira. Sem forças, fiquei a observar os frutos daquele tamarineiro. A olhar, desejei ser aqueles frutos. Eles, sim, tinham a liberdade de serem eles. Eles podia ficar em seu lugar quieto. Podiam dormir e acordar, sem medo, sem dor... Ali, perdida em meus pensamentos, fui assaltada por uma forte dor em minha cabeça. Aquela dor era um mistério. Por que eu deveria ser golpeada na cabeça? Eu tinha certeza de que eu estava sendo punida por pensar. Pensei que minha algoz adivinhava meus pensamentos. Eu não podia pensar, meus pensamentos eram ouvidos. Naquele momento, senti-me uma árvore velha, sem futuro, preste a ser ceifada. Nenhum dos meus caminhos iam, nenhum me levava a algum lugar. Eu era uma peregrina sem viagem, sem saber por que eu estava sendo comprimida.

Elany Morais

Todos os direitos reservados a Elany Morais

domingo, 24 de novembro de 2013

INFÂNCIA PARTE I

Todos os dias, sem horas marcadas, aquele corpo franzino e rosto marcado pelos passos do sofrimento passava naquela ruazinha. A pequena rua se ajustava aqueles pezinhos quase disformes pela ausência de amparo. Olhar aqueles dedos minúsculos, vinha-me o pensamento de que a vida não lhe era solidária.

Germinações de minha alma desconhecia que aquele ser tão frágil, carregava dentro de si uma força descomunal, força capaz de sufocar toda miséria que invadia sua vida.
 
Cada dia era um espetáculo diante de minhas retinas. Espetáculo de angústia e pesar. Eu via os cabelos da pequenina voarem e se confundirem com as nuvens, ambos eram brancos, prenunciando um futuro de Paz espiritual.
 
Jamais eu ousaria dizer que  aquela criança vestida em mente de obrigações de adultos, não alcançaria os bens que poderia desfrutá-los por não entender o que lhe cercava, ela ainda não sabia que o mundo era um forno aberto pronto para tragar os sem-sortes.
 
Suas passagens naquele cenário, me convenciam de que seu único bem era a esperança, esta como erva daninha não morre nos primeiros ataques sofridos.
 
E ela seguia seu caminho esmo, somente em companhia da esperança, montava nela e sumia  a galope, com seus fios brancos a se perder na imensidão do espaço escaldante pela insensibilidade dos raios solares.
 
Elany Morais
 
Todos os direitos reservados a Elany Morais

sábado, 12 de outubro de 2013

LICENÇA EXISTENCIAL


Faça-me um favor: deixa-me ser quem eu sou. Corro sempre, sem me voltar para trás como o rio que corre sem ser barrado em suas densas margens. Louca, não sei, mas ouço em silêncio a linguagem das estrelas. Desenho meus eus nas bordas das nuvens. As crianças entendem meu sussurrar sem muito falar. Meu espelho me respeita. Meu futuro é ir ao fim sem obstáculos.

Deixa-me cantar! Não posso ser sempre bela. Sou como pássaro sem lugar para um pouso cansado. Quero gritar sem pudor e sem temor. Todos os dias só acordo para dentro. Faço jogo sem regras. Meu riso é baixinho, silencioso, tímido. Não posso ser disfarce. Meu ser é grande. Mas muitos não cabem em mim. Eu leio muitas gentes, muitos não- ditos. Não sei amar devagarinho. Não possuo o dom de economizar nenhum tipo de amor.

Não peço muito, só quero que me conceda  o favor de permanecer fechada para os males que habita a alma dos que não sabem amar. Sem restrições, costuro-me todos os momentos de espanto e de descobertas. Minhas alegrias chegam de forma dolorosa. Minhas tristezas surpreende-me  com seus contornos caprichados. Minha preocupação macrocósmica é amparar o fio de minha meia vida. Meu coração não bate no ritmo alheio. Ele tem som próprio. Ele tem vida livre.

Por favor, deixa-me ser quem eu sou! Sou vento sem freio. Medo sem amparo. Sou o ramo seco da árvore abandonada. Terra perdida no mundo da infância, aroma indistinguível, vela acesa na tempestade, palavra cortante das gentes . Eu sou a ilusão de cada dia que não passa ao mundo indiferente.

Elany Morais

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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

SOMBRA REVOLTA

Eu?!!  Sou a encruzilhada da vida, o cheiro do mato verde, a zona indefinida alma, a lágrima da aurora e aquela que por  Paz  tanto implora.
E se não podes compreender esse velho ser, continuo a fazer saber que sou coração perdido nas arenas, prisioneira indomável, a revolta das "Cartas Chilenas", o espanto alentador, o receio dos indefesos, e  a vida sem amor.

Não duvides! É inacessível a terra da minha emoção, pois sou o começo sem fim, o perdão sem razão, a luz que nunca ilumina, o brilho dos olhos que choram, a força que não desanima.

Não me interrompas agora!! Quero ser livre dessa matéria escrava porque sou  a esperança do túmulo, a tristeza do templo vazio e a infância que o adulto deprava.

Se tens ousadia no teu falar que me julga, digo pois que não tem tanta grandeza porque sou o dom que  te sela, o ressurgir da  verdade temida e luta do homem contra a natureza.

Elany Morais

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