Sou educadora e escritora

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

LEMBRANÇAS


Elany Morais
A lembrança de um lugar, onde já não
Mais moro, vem me pisando devagar!
Lá, o gado morria de sede, o mato
não era tão verde, via-se quase tudo faltar!

Eram tempos de amargura, em plena noite
Escura, ouvia-se a lua soluçar!
Era um lugar triste! E, agora, as lágrimas
não contenho! Na minha lembrança
existe as marcas que ainda tenho!

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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

LUGAREJO

LUGAREJO
Elany Morais

Lugarejo sem brejo nem estrada, longe de tudo, perto de nada. Esse era o lugar onde muitas vezes vozes choravam no silêncio noturno. Dele, o rio corria, as plantas ressequiam, o gado morria, as árvores não floriam, somente o pássaro cantava, a cigarra rachava,  o agricultor plantava, mas naquele lugar, nada vingava. Lá, quando o dia dormia, só se ouvia o grito oco, que pedia socorro, à beira do único poço que abastecia a todos, dos mais velhos aos mais moços. Quando o dia amanhecia, o prenúncio era de alegria, mas com o passar das horas, toda essa esperança morria. O sol era de rachar, a promessa das crianças; apanhar, ali, de muito não se abaia, principalmente, amar. Ah! Quanto desgosto! Viver com a corda no pescoço, mas a vida ali não era rascunho nem esboço, era uma versão definitiva, que nos despertava com um soco.

Os domingos eram para ser de folga, mas as costas dos indefesos casavam-se com a sola, o sonho de brincar com  boneca ou de bola evadia-se de mundo a fora. Lá não havia aquelas cenas de poemas, onde os campos eram verdes, com flores de açucenas, apenas existiam as rezas e as novenas, mas que parecia não valer apena.

Cada dia ruim, torcia-se para que  este fosse o último, ninguém se prendia ao que fosse fútil, pois lutar pela vida era o de mais útil. Não prezo relembrar o passado,  aquele chão não foi amado, porque lá morria gente, morria planta e morria o gado. Quem, naquele lugarejo, não perdeu a força, sem ninguém que o ouça, para livrar de tão triste sina, onde nada se fascina, somente a dor que alucina, com lágrimas no olhos e tanto, onde todos viviam em pranto até que a voz que termina.


Caxias - MA, 10 de agosto de 015.

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quinta-feira, 21 de maio de 2015

CHUVA MANSA

CHUVA MANSA
Elany Morais

Queria eu uma chuva mansa
Para lavar este momento
Que traz tantas lembranças
De um cruel isolamento.

Se ela viesse agora em silêncio
Nesse meu sentir sem claridade,
Não precisaria mais de lenço
Para limpar as manchas da saudade!

Quando ela chega tão mansa
Com toda serenidade,
Minha alma só descansa
De tanta infelicidade!

Caxias - MA, 20 de maio de 2015


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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

SINTO

SINTO
Elany Morais

Não sei de quase nada
Apenas sinto.
Sinto a gestação da alegria,
O prazer entre as dobras do
Barco de papel,
O último suspiro do falso amor,
A lágrima de quem ainda não cresceu,
Sinto...
Sinto o grito súbito,
O medo entre dentes,
Os passos soltos,
Sinto as águas diurnas,
As areias leves, vivas, envoltas dos
Ventos, sem peso, sem lágrimas
Sem lenço!

Caxias - MA, 27 de janeiro de 2015.

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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A MORTE DA ESPERANÇA

A MORTE DA ESPERANÇA
Elany Morais

Sucessões de dias, merecidos ao esquecimento. Com eles, vem minha suprema loucura: a esperança em seu aniquilamento. Em lágrimas, acendi a fogueira e pus fogo em minhas crenças. Em que ainda posso crer? No amor? Não! Este embota minha visão, fazendo-me vê as coisas, da forma como elas não são. Por isso, não me cabe mais suavizar nenhuma ilusão, pois vejo que a humanidade estagnou-se na evolução.
...
Parece-me que tudo já foi moldado à impureza e ao desgosto. Fazendo das lágrimas a evasão para a dor. É inútil acreditar que o mundo será salvo pela ilusão do amor, pois a terra encontra-se sobreposta de ódio, indiferença, fracasso e, sobretudo, de amargor.
Atarefo-me. Reúno meus pensamentos sobre o mundo. Meus passos desvanecem-se como o vapor febril do corpo em seu ardor. As veias enchem-se de desesperanças, desfazendo-se dos futuros, das fantasias, das alianças e das esperanças de qualquer bonança.
Com olhos resignados, vejo parques floridos de melancolia. O mundo ganha forma de pesadelo . O vazio se abre sob gritos, gemidos e apelos. O cenário se colore de palavras duvidosas, as almas imorais não conseguem se conter, corpos extenuador deixam de perceber que a vida de outra forma nunca há de ser.
Todos, com sua lacuna, correm, sem visões claras de sua falência, tentando uma cura impossível de sua eterna demência. Proclamam que querem o bem, mas se aconchegam nos braços do mal, fazendo deste algo imprescindível como se fosse uma atitude banal.

Caxias - MA, 20 de setembro de 2014.

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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

PEDINTES

PEDINTES
Elany Morais

 Lágrimas rolam de porta em porta,
Sob sol e chuva, mas ninguém se importa.
Surdos estão todos os ouvidos,
Braços estendidos, mãos direitas
Pedem com vozes imperfeitas,
Porém, ninguém é ouvido!!!
Que tanta indiferença para tantos ais!!
Seres tu ou outra pessoa
Que vaga de porta em porta como gente à toa,
Com uma sorte boa que não vem jamais
E uns olhos que não lhes cabem mais no rosto
Como se padecesse de um infeliz encosto
De modo que a felicidade de nada lhe pareça
Um longínquo pensamento que não vem a cabeça.

Caxias - MA, 27 de agosto de 2014.
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sábado, 9 de agosto de 2014

OLHOS TRISTES

 
OLHOS TRISTES

Elany Morais
 
Tua voz no coração,

Teus passos no silêncio
E a esperança ecoando em mim.
De olhos tristes e mãos violentas,
Eu erguia os braços no espaço,
Sem nenhuma visão de vida.
Assim, abri as cortinas com
Um riso frouxo,  de medo e de desprezo
Pela sombra que ocultava meus amores.
Eu molhava os pés com as lágrimas  de uns
Olhos tristes e verdes da cor do mar.

Caxias - MA, 09 de agosto de 2014.


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quarta-feira, 16 de julho de 2014

A DECADÊNCIA DA HUMANIDADE

A DECADÊNCIA DA HUMANIDADE
Elany Morais

É decadência. Decadência de tudo que há para nos salvar. Falta-me coragem para assistir ao espetáculo de mediocridades. Vejo aqui, ali a crueldade circular. E agora? O que se pode esperar?

Antes,... o domingo era dia de rezar, agora, muitos esperam a morte de pé para que o vazio possa se findar. Observe, veja os gestos vis e obscenos disfarçados de amores perfeitos, porém, tudo engano, pois para o fim da humanidade não há jeito.

É decadência de tudo que há de bom. A mesquinhez anda a galope. A dor alheia é luz em nossas salas. Lágrimas inocentes caem em nossos pés. A súplica é filme de comédia. Mãos são aquecidas nas orelhas pálidas. Os gritos são sons de guitarras. O mundo não se cansa, mas eu estou cansada para a hipocrisia insana.

Corações revolucionários choram no terreno burguês. O amor bonito é múmia esquecida. Há os que esperam sem sequer ter esperança. Prédios são desabitados, corpos, nas ruas, são largados. Como ir embora? E o vento devora quem dorme lá fora.

É decadência!!! A bagagem está pronta para partir. Jogaram na mala: a coerência, a dignidade, o respeito e a verdade. E na calada da noite, de mansinho, a ferocidade vem se instalando, sem pedir licença, mas os corações frios abrem seus portas para o que deixou de ser humanidade.

Caxias - MA, 16 de julho de 2014.

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quarta-feira, 4 de junho de 2014

CHORO MUDO

CHORO MUDO
Elany Morais

É triste viver de olhos marejados,
Mas é o destino de quem padece,
Não se pode ter olhos extasiados,...
Condenada a esta sina me parece.

Em lágrimas nessa vida me desfaço,
Porém não morarei nos altos céus,
Minha alma não terá um fino espaço,
Mesmo que me desfaça dos negros véus.

Se me alegro, as lágrimas logo veem,
Sem o consolo que os infelizes não têm,
Meus olhos claros põem-se a chorar

Pela tristeza de ver flagelar tudo,
Com um grito surdo, louco e mudo
Sem voz e sem nenhum jeito de falar.

Caxias - MA, 04 de junho de 2014.
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quarta-feira, 23 de abril de 2014

IMPIEDOSA INSEGURANÇA

IMPIEDOSA INSEGURANÇA
Elany Morais

Oh!! Que desumana, insegurança!
Por que imperas com violência
Dentro de mim?...
Sinto que continuas a fatiar meu
Peito em pedacinhos.
Por que roubas minha liberdade?
Tu vives a privar-me de longínquos
Caminhos.
Por que te comprazes com mares de
Lágrimas?
Vejo que queres fazer de mim um
Poço de mágoa.
Movediça, instável és tu, impiedosa!!
Chegas sempre no silêncio traiçoeiro,
Tens prazer e embevecimento
Na minha agonia!
Por que a paz não é a tua alegria?

Caxias - MA, 23 de abril de 2014.
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quinta-feira, 6 de março de 2014

LÁGRIMAS

LÁGRIMAS
Elany Morais

Nessa noite, meus amigos saltaram-me as mãos,
Minhas ruas estreitaram sobre os sonhos juvenis!
Confundido na amargura ficou meu inerte coração,
E sem destino pasmaram meus passos pueris!

O vazio desta casa engole meus tímidos gritos,
E debruço-me sobre os lenços de desejos trocados,
Em total desenganos meus olhos na vazio ficam fitos!
Com meu desimportante rímel  totalmente borrado!

Caxias - MA, 06 de março de 2014.

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sábado, 1 de março de 2014

HUMANIZAÇÃO

HUMANIZAÇÃO
Elany Morais

Vê-se mais candura
na face de quem sofre
do que nas mãos...
de quem oferece
reciproca ternura
que fica pela metade.
Ei-lo, está pronto o poema
Como todas as tardes
que se desfazem no poente,
secando minhas lágrimas
cativas de nossas destrezas
para que o amor se aninhe
até romper-se na carne,
que logo o desejo pressente.

Caxias - MA, 27 de fevereiro de 2014.


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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

JUVENTUDE BREVE

Lembrança da perenidade essa juventude já não tem.
Lançam, para o vale , vidas que logo serão ceifadas
Pois a família só oferece a educação que lhe convém
Onde toda e qualquer pureza será sempre violada!

Às famílias não cabe julgar inocentes ou culpadas
Pois no mar de lágrimas estarão sempre submergidas,
Por meio da violência muitas vidas serão apagadas,
E o interesse do governo é apenas uma ideia fingida!!

Elany Morais

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sábado, 21 de dezembro de 2013

CONFLITO



 Era um ciclo viciado
Uma palavra amarga
Os ânimo alterados
Alegria tornava-se vaga....


E tudo se consome.
O mar era de lágrimas
Com peito apertado
Gritava teu nome.

O silêncio vinha
O desespero apertava
A paz já não tinha
O mundo desabava.

Elany Morais

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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

DESPEDIDA



 Toda despedida dói, principalmente, se nos despedimos de quem muito amamos.
A última voz, a última palavra, a última dor, a última lágrima, a última partida. Bato a porta pela última vez, não olho para trás. As lembranças estão ...confusas. Não sei se houve amor, se houve só dor. Fusão de almas, não sei. Não sei mais o que fui para o outro.

As ruas, as paisagens fogem de mim. Parto com medo, mas sigo determinada, ficando para trás nossas juras de amor, nossas fotos, nossas criações, nossas fantasias...Deixo nosso mundo, deixo nossa poesia, deixo nossas descobertas...Tudo se partiu, tudo escureceu.

Fica para trás nossos medos, nossas inseguranças, nossas brigas, nossa paz, nossas reconciliações, nossas trocas, nossos cuidados. Fica para trás um pedaço de minha alma, um pouco de minha vida, meus delírios, minhas crenças, minhas verdades, minhas lágrimas...

Estou indo, sem fé, sem esperança, sem mágoa, sem raiva...Saudade, não sei, talvez será minha única companheira. Vou, sabendo que a noite me espera para me dizer que parti sozinha, que o mundo é grande para minha solidão.

Minha mente não se apieda em me dizer que parto para nunca mais voltar. Que tudo se perderá, que tudo será apagado, que tudo se tonará nada. Que minha porta não se abrirá mais, que minha salvação findou.

Minhas mãos espalmas denunciam minha perda, minha ida, minha insanidade, minha tristeza, meu silêncio. Meus olhos reclamam líquidos para externar o que machucou o coração. Meu peito se rebela para não mais guardar os féis que me são ofertados.

Parto sem dizer nada. Minha boca engoliu todas as palavras que poderiam ser proferidas. Meu silêncio é o último adeus.

Elany Morais

http://educadoraelanymorais.blogspot.com
 
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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

EU

Transformo-me em aço para quebrar o gelo dos corações.Mas minha esperança perde os movimentos e o meu suplício é lento.
Meu ser não desiste,pois meu amor não sacia.A espera é longa.A sede é grande,ela corrói minhas entranhas como ferrugem....Minhas lágrimas perola sangue como mar revolto em suas ondas.Teço percurso em busca do tesouro escondido nos corações empedernidos.
Sinto-me sentada na sarjeta.As rosas já não cheiram.Os raios já não brilham.Os beirais já não são mais dos bem-te-vis.Estou farta de saber.Minha cabeça está nua.Mas não fujo à luta.Penso: não falarei mais.Um amor infinito invadirá minha alma.Mas minha tristeza volta sempre.Vejo-me esquecida por todos.Sinto-me criança no paraíso da melancolia.Minha inteligência fica em desordem.Não encontro doce nas gentes.Vejo olhares azedos e navalha nas palavras.Eu avanço no lamaçal.Volto sempre de asa incompleta,sem amor e sem vigor.

Levanto a cabeça.Deixo meus olhos até onde alcançam a cada passo da imensidade de minha busca.Dentro de mim,existe um universo de amor.Porém meu espírito está turbado de dor.As horas são fatídigas.Meu coração ainda pulsa.Não vou recear de lutar.


Elany Morais
 
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