Sou educadora e escritora

segunda-feira, 31 de março de 2014

AS INCOERÊNCIAS DA LÍNGUA

INCOERÊNCIAS DA LÍNGUA
Elany Morais

Ignóbil, traiçoeira e vil é a língua com fúria,
Revela pecados mortais, conta e braveja,
Condena o obscuro alheio e sua peleja,
Sobrando apenas secura e injúria.

Profere delícias, dores, angústias e luxúria,
Canta mortes, partidas e sonho que almeja,
Fala de mares e barcos que nunca veleja
E destila belezas, tristezas, mágoas e feiúra.

Caxias - MA, 31 de março de 2014.
 
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domingo, 30 de março de 2014

LAMENTO

LAMENTO
Elany Morais
 
Nesse ignóbil mundo, sinto-me perdida,
Nessas vilezas, como encontrar um norte? 
Se no sopro do vento, vier uma larga sorte,
O pesar se abrandará dessa alma dolorida.

Nas costas, carrego luz, mas quase esmaecida,
Foi isso que a vida me impingiu de forma forte,
A fazer de todos os meus passos rumo à morte,
A tornar-me, nesse mundo uma alma esvanecida.
 
Se lamento ou choro a triste sina, ninguém vê,
Porque  não há quem almeje conhecer meu ser,
Se me esquivo desse mundo existe um porquê...
 
Tudo que desejei para essa vida alguém sonhou,
Mas não venceu esse vil mundo para poder ver,
Agora só me resta plantar o que ninguém plantou.
 
Caxias - MA, 30 de março de 2014.
 
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sábado, 29 de março de 2014

LEMBRANÇAS DE MIM

 
LEMRANÇAS DE MIM

Elany Morais

Se me ponho a  lembrar de outras eras
Em que nunca brinquei nem fui querida,
Sinto que eu habitava em outras esferas,
Por me terem tirado a forma dessa vida.

Nesse mundo, minha dignidade era ferida,
Os olhos não podiam ver nem a primavera,
Minha vida era desbotada  e muito severa,
Eu vivia num total abandono e esquecida.

Hoje fico a lembrar com o pensamento vago,
Se nos meus empurrões, eu escapei do lago,
Ou se sentei e chorei à sombra do marfim...

Mas me recordo da lágrima quente e calma
Que ninguém a via brotar de dentro da alma
Nem percebia que por um fio era quase o fim.

Caxias - MA, 29 de março de 2014.

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QUEM SOMOS NÓS?

QUEM SOMOS NÓS?
Elany Morais

Não sei se somos um povo imbecilizado ou um povo muito bom. Não sei se somos incapazes de rangeros dentes diante de uma burguesia altamente corrupta ou se somos burro de carga mesmo. Parece-me que quase ninguém quer saber para aonde vamos ou donde viemos. A todo momento, é uma extraordinária exibição de vergonhas, de roubos elitizados e toda sorte de infâmia.

Se digo que é um povo bom, faz-se necessário pensar no conceito de bondade. Vê-se o desfile de miséria e morte à frente de hospitais, o silêncio ecoa, e a lógica se destoa. É futebol, o estádio lota, o grito voa, e a alegria é totalmente à toa.

Os gritos de fome, de dores, a indiferença zomba, o amor tomba, o horror exala seu cheiro, alimenta-se das dores e até as mãos ressequidas passam despercebidas e despetalam as flores.

Poucos corações ainda se enchem de dó, para aqueles que o dinheiro é tudo do tudo, enganam os ignorantes pobres através de uma esmola em troca de voto.

Onde está a coragem e bondade? Se liga a tv, só se vê sacanagem. Ensina roubar, desamar e praticar a toda sorte ladroagem. É tanto desamor que agora me faltou a coragem de falar de tanto horror.

Caxias - MA, 28 de março de 2014.
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AS DORES DE D. DOLORES

 
AS DORES DE D. DOLORES

Elany Morais

D. Dolores vivia sozinha com suas dores,
Na vida de D. Dolores, tu verás a solidão
Se lá tu fores!

O que se passava com D. Dolores?
Não sei se vivia de mágoa ou de
Velhos rancores.

Muitos dizem que D. Dolores
Foi refém mulher de muitos
Senhores.

D. Dolores, quando jovem foi
Motivo, em sua cidade,
De muitos rumores.

Hoje vive sozinha, com suas dores,
Amparada apenas por seu jardim
Coberto de flores.

Caxias - MA, 28 de março de 2014.
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sexta-feira, 28 de março de 2014

RENASCIMENTO ANÍMICO


Elany Morais


Fui crescendo, no silêncio da dor. Minha esperança florescia na minha memória, a cada dia. O tempo me devorava, sim, mas com a cautela devida. Minha força seguia a se desfragilizar e eu ensaiava uma nova melodia da vida. Colecionar novas pedras de novo? Jamais.

Vou indo rumo a doce colheita de flores, pronta para tomar posse da parte que me cabe nessa existência. Aos poucos, fui sacudindo a lama que impedia minha ascensão, pacientemente, eu acendi a luz que  havia se perdido na escuridão.

Quero assistir  à última  festa, de alma serena, pois minha alma está em crescimento e nenhuma amargura será mais a minha algema. Estou a plantar paz, sem as mudanças eu entender, mas estou a espera de chuva para fazê-la  nascer.

Como raiz da terra regada por água corrente, seguirei nascendo e crescendo, à despeito das dores que brotam na gente.
Caxias - MA, 28 de março de 2014.
 
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SÚPLICA

SÚPLICA
Elany Morais

Chega mais perto de mim. Sinta minha inquietação. Meu espírito anseia por muito, ou por coisa nenhuma. Aperta-me contra ti. Meus beijos querem nascer de tua boca. Meu corpo procura tuas mãos. Escuta! Não me deixa a remar, nas ondas da solidão. 

Agarra-me. Pois um grão de ti, faz muito de mim. Leva-me contigo, se me levares aonde fores, não sentirei mal nem dores. Ampara-me, não queira me abandonar, pois estou como um navio preste a naufragar. Quero-te perto de mim, venha comigo, vamos nos aquietarmos como as águas mansas do mar.

Meus dedos vagueiam em busca de tua pele, eis o que busco desde o princípio. Quero-te para mim, creias que meu querer por ti jamais terá um fim. Sei que minha súplica ditosa terá  dia feliz porque terei-te comigo, pois isso foi o que eu sempre quis.

Caxias - MA, 28 de março de 2014.
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